quarta-feira, 7 de março de 2018

Criação


Qual é o tamanho do indivíduo?
Quem é, pra continuar sendo,
mesmo passando, mesmo morrendo?
Estar, é como nos condenar à resíduo?

O ser está na Abelha, ou na Colméia?
Quem ama se partilha em alimento,
se separa e multiplica em movimento,
pra ser outra nascida Epopéia?

Eu que sopro na palhinha esta canção,
libero meu pensamento em cordas,
vibrantes como a alma que transborda,

pra criar o mundo em realização,
em mistérios profundos, sem bordas,
sem começo e fim, sem transição...

terça-feira, 6 de março de 2018

De ser o que vaza



Amanhecer tem suas dores,
suas lembranças de passagens,
que à sombra de insanas literagens,
prende os sonhos na lembrança em cores...

Cada partezinha fica como colorida,
mesma se a imagem fosse outra,
se nem se pensasse no sabor das Ostras,
e as engolisse, inteiras e com vida...

Então, sigo como me permito,
feito a noite estampada em brilhos,
ou o Sol nos mostrando os trilhos,

na direção de um cantar infinito,
de ser um com a Música que vaza,
pelas olhares, sentires, pelas casas....


segunda-feira, 5 de março de 2018

Dia


Caso fosse necessário,
se partisse a sombra, havia,
um pastel feito por um corsário,
uma vasta inexatidão fugidia...

Caso o sonho fosse loteado,
e um ser comprasse sua sonhadoria,
em carregos e sopros guitarrias,
Violadas horas de terreiro enluarado...

Cada um com seu bocado... Comprado,
que nem tudo em seu reinado!
Que nem toda alegria,

que nem todo bombocado,
eu ventava e sentia a bizrria ,
a que, as vezes, chamamos dia...

domingo, 4 de março de 2018

Pra dentro

 

As alegrias se voltam
pro alto, pra dentro
no pra sempre que me invento,
no que elas se brotam...

As tristezas se espalham,
palha no fogo sumida,
cordas e cantos da vida,
cinzas e vasos nos valham,

pra que cheguemos ao fim!
Fim da amargura vibrante,
do mal didático, delirante!

Pra comemorarmos a chegada ,enfim
do tempo santo e abundante,
em que faremos o mundo como nunca antes...

sábado, 3 de março de 2018

Emprazeramento


A Paz, terá, realmente, gosto
de fruta, inimaginável, colorido,
exaurido, assustado, introvertido,
extremamente saído, e disposto,

quando o verter da Luz abranger
quem vir o dia nascendo, n'Auroras,
ou ouvir Sabiás cantando as Amoras
que a Primavera sabe trazer?...

Então, pelo simples ouvir
das madrugadas, Bem-te-vis
águas dos olhos, e Juritis,

a Alma então será dali...
Como já fosse, e o tempo fizesse,
só o que é pra fazer, e emprazerasse...

sexta-feira, 2 de março de 2018

Sininhos


No ombro, a cor da dor,
a certeza da angústia,
a leveza que denuncia,
um tempo de Luz e calor...

E de dentro vou tecendo
notas em sinfonias toadas
canteiros da cor das estradas
e belezas no que cantando...

Como um arrozal inteirinho!
Ou  a festa da colheita,
quando nunca, cedo, se deita,

e mais tarde nunca sozinho...
Sigo, como quem apenas se aceita,
aguardando tocarem os sininhos...

quinta-feira, 1 de março de 2018

Elos



Minha busca se assemelha
a entender a importância dos elos...
E, entre frios e distantes polos,
amar elos me fez vermelho...

Me fez andante e desconformado.
Como haver pequenos nas ruas?
Como, os velhos abandonados,
à violência nua e crua?

E sem resposta, e também culpado,
sigo esta estrada de esperança,
feita de partilhas e festanças,

feita do sonho, sempre renovado,
do sorriso da mais linda criança,
mais forte que qualquer soldado...