segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Tecnologia de rede

 


 Um dia mais quente que o habitual

nestes tempos em que o tempo muda,

deitado na rede, na varanda, bermuda,

na sombra, onde o Pequizeiro esconde o Sol... 

 

O calor me aquieta, me desfaz os ímpetos,

me apresenta a minha face sensata,

de quem espera pela hora firme e exata,

e me faz parecer anormalmente discreto...

 

Nem sei como já pude produzir nas quenturas,

pois que já vivi em lugares mais quentes!

Antes, sei que sempre muda o jeito da gente...

 

Sei também que hoje, valorizo (muito) a frescura,

e por isso hoje me sento monasticamente  na rede,

olhando redemoinhos, bebendo o que a sede pede... 

domingo, 27 de setembro de 2026

De nossa irmandade com as Cigarras

 As Cigarras entoam seu canto/arremate,

que encerra seu ciclo de terra e árvore...

Assim, nos nossos caminhos há quem crave,

um canto testemunha desse nosso combate...

 

Eu sinto o tempo seguido como um vazio,

que quero encher de notas e compassos,

pra validar com música o amplo espaço,

e criar por dentro um universo menos frio...

 

As Cigarras são companheiras deste ofício,

e no vento tem soltado suas longas sinfonias,

cheias de linhas melódicas, esperas e harmonias,

 

parindo sons como um pedreiro, a um edifício...

Quero que seja esta, também minha entrega!

E que nossa música seja a cola que nos agrega... 

sábado, 26 de setembro de 2026

Da criação, e da ilusão

 Algumas antigas tradições acreditavam

que o mundo, e tudo que existe dentro

foi feito pela palavra, da borda ao centro,

num tempo em que as ideias, por si, falavam...

 

Nessas épocas se pensava que o pensamento

era o que gerava toda a substância material!

E que uma entidade não nominável, e fatal,

sobrevoava os nadas, antes da água, luz e vento...

 

Pra justificar estas histórias, se inventaram outras,

contadas entre gerações, pra se formalizarem

e como "verdades ancestrais" se intitularem...

 

Até que fossem grafadas e registradas em letras,

o que lhes dava papel de inquestionável documento,

e a palavra tornada, da ilusão, real instrumento... 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Do medo, e do grito

  As coisas que inventamos parecem naturais,

como fossem irmãs do movimento dos astros,

dos Ursos saindo da hibernação nos claustros,

das águas fazendo cachoeiras caindo dos beirais...

 

Nossa percepção limitada sobre a existência

pra nós parece ser a mais perfeita e acurada,

investida de um verniz de petulância descarada,

ao se achar definitiva, e onisciente ciência...

 

Mas  o fato é que nosso conhecimento é fábula,

que dá nome ao que sentimos, e mal vemos,

apalpamos, cheiramos e as vezes comemos...

 

E o absolutizamos por ser uma espécie de fórmula,

por nós usada pra afastar o medo do desconhecido,

e assustar o etéreo com alto e confiante bramido!

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Reflexões sobre a eternidade

 

O que se vai, e o que fica desta jornada, 

deste transitar (consciente?) no Universo,

em que, cada um, segue solto submerso,

olhando pra dentro, janelas fechadas?

 

Acreditamos fortemente que o tempo,

de um lado, de nenhuma forma perdoa, 

e de outro, que nunca vazará nossa canoa...

Mas o que, de nós, sobrará, passado o vento? 

 

 Existe um dizer, de que a pessoa sobrevive

no criado, pelos seus feitos, ditos ou cantados,

e que remanesce cada vez que um destes é citado...

 

Mas a verdade é que a obra transborda, livre,

e é um composto de tudo que se é, misturado,

e o criador será sempre maior que seu legado...

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Retrocriação

 Este planeta que nos criou, espécie animal,

 feito de partículas e ânions, cátions, ventos,

 de minerais, e depois de alguns momentos

 da vida dada em toda extensão cardinal,

 

nós o reinventamos com um nome vagabundo,

como se o tivéssemos criado, desde seu começo,

pelas mãos de deusas e deuses, e seus tropeços,

pra que virasse o que gostamos chamar: "Mundo"!

 

Desde então, a trajetória deste globo espacial

se encheu de cores, sabores, odores e narrativas,

criadas para combater essa "sensação cativa",

 

que fabrica este lugar, tendo nós como referencial,

e gera explicações para o que ainda nem sabemos,

criando tudo que há, pelo que pensamos que somos... 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

De nossa pequena e grande importância

 A razão tantas vezes se mostra falha,

que simplesmente ter certeza, é erro,

porque o que ficou, só não foi ao desterro,

e o que foi, só não ficou aqui pra esta batalha...

 

O que vemos e sabemos de tudo o que existe

é tão pouco, que muito mal permite saber,

sobre o que nos cerca, e tendemos a entender

que ao por nós sabido, nada há que o obste.

 

Mas a dura verdade é que somos cegos tateando

no meio de um universo virtualmente infinito,

escuro, claro, colorido e absurdamente bonito,

 

quente e frio demais, e que vai nos mostrando,

nosso papel de sermos seu despertar consciente,

ínfimos e incapazes, mas loquazes seres sapientes...