domingo, 11 de outubro de 2026

Das conexões

 O que dizemos "tempo" indica chuva ou Sol!

Pensamos as condições do lugar onde moramos,

onde estão os ventos, o calor que sentimos,

ou o frio, como fossem as horas até o arrebol...

 

Assim, dizemos "caminho" pra nossas escolhas!

Certamente porque elas nos conduzem ao ser,

que cada um constrói, pra gozar ou pra padecer,

como fosse a estrada que seca, o rio que molha...


 

 O pensamento é um mecanismo de conexões!

Uma estrutura de associação que a nós liga,

no que nos alegra, invade, pelo que se briga,

 

para o que são alegrias, angústias, atribulações,

pelo que vemos, contamos ou mantemos segredo,

pelo que nos constrói todo dia, mesmo com medo!

De perder, achar, cair e levantar

 Um dia se passa como se passasse o vento:

folhas fugindo, se espalhando na varanda,

besouros procurando a terra mais branda,

e a gente andando, procurando o intento...

 

E as vezes nestas caminhadas, as coisas escapam,

e o que parecia consolidado se esquece, no canto...

E são tantos cantos, que na curva surge o espanto

de já ter se dado o tempo em que as coisas cessam!

 

Mas a gente se levanta e se segue na lida!

Que parar nunca foi mesmo uma possibilidade.

Que interromper só interrompe a verdade,

 

que se se esconde nesta correria de nossas vidas:

Que nos justificamos naquilo que produzimos,

e só pelo constante fazer é que nós resistimos! 

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Da complicação da simplicidade

 

A simplicidade sempre me pareceu confusa!

Nunca entendi completamente seu significado,

porque, ao contrário de simples, é complicado

praticar, ser e pensar o que ela pede, e usa...

 

Sempre achei mais fácil querer mais e mais. 

Ser frugal me deixa com fome e insatisfeito,

como faltasse um doce, pra ter comido direito,

após um almoço perfeito dos alimentos normais...

 

Assim com os sons de uma canção singela!

Quero a beleza das palavras, refinada Poesia,

no inédito das variações das súbitas melodias,

 

como quando me espanto com flores na janela!

Não me completa o óbvio, tantas vezes repetido,

e no adorado "simplório", eu, nem vejo sentido... 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Da cotidiana criação

 A novidade entre nós não é mais nova,

mas uma recriação de velhos caminhos.

Sentimos tanto medo de deixarmos o ninho,

que o inédito pode estar encoberto por névoa...

 

Queremos o desafio de gerar cotidianamente

o novo dentro do peito, na cabeça, na rua...

Os velhos jeitos com mais velocidade, acentuam,

os mesmos antigos preconceitos, infelizmente...

 

Assim, cabe à gente não aceitar o estabelecido

só pelo fato de que "sempre foi assim", como dizem

aqueles que às ancestrais certezas reproduzem!

 

Porque o que nos faz humanos não é conhecido,

ou não foi ainda, pelos nossos iguais, inventado...

E o mundo que queremos ainda está por ser criado!!

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Das oscilações do caminho

 O caminho as vezes balança, meio que vacila,

feito o quadril de um capoeirista que samba,

ou um principiante andando na corda bamba,

a estrada se reinventa, e aqui e ali, oscila...

 

Mas quem sabe pra onde, pra lá vai seguir!

Que no interior mais profundo do seu coração,

mora o destino, a vontade, e a intuitiva direção!

Então, mesmos com os tropeços, não se pode cair...

 

E se alguma vez, uma queda interromper o passo,

o espírito verá claramente razão, ordem e sentido,

e se levantará de um salto, sem medo nem gemido,

 

pronto para a sequencia, tocando no mesmo compasso,

pleiteando os sonhos que compõem a vida vindoura,

nesta vida de agora, na alegria que de dentro aflora... 

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Emancipação

 Em frente à Mesquita, na porta do Terreiro,

a luta pelo direito de se crer ou não crer!

A terra dará voltas soltas pelo vazio do éter,

mas os donos das almas te querem inteiro!

 

Querem sua culpa, seu medo, sua submissão!

Querem seu corpo pra servir de empregado,

arrumar a cama, lavar o banheiro, o prato,

plantar a comida e lhes dar a melhor porção...

 

A humanidade só será livre sem seus "donos"...

Quando soubermos, que sendo nossas as mãos,

o que elas nos derem, será nosso e dos irmãos!

 

O caminho humano será pleno sem seus "tronos"!

A Paz brindará a todos nós, nossos filhos e netos,

se a riqueza deixar de pertencer aos "grupos seletos"! 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Do improviso na tempestade

 No meio da linha melódica, um susto,

uma inesperada volta, uma inflexão,

sem parecer haver nenhuma conexão,

com o caminho, que parecia até ali, justo...

 

Foi o suficiente pra aquela canção, de dança,

se tornar um réquiem, um som de choro... 

E quem a ouviu quis entrar em desespero,

mas a música/vida as vezes meio que balança...

 

Então, a única coisa possível é apreciar o empeno,

e entender que nada está pronto, tudo muda,

e o que parece normal, será uma ideia absurda,

 

ou já terá sido, entre tons mais, ou menos amenos...

E aprender a tocar nos campos harmônicos gerados,

pra que se possa dizer o que, pro canto, foi pensado...