sábado, 4 de julho de 2026

Bizarria

 

O estrondo no tempo, rondante,

redondo, rompendo-se no vento

um rocambole desarabesco, sendo,

nos rompe e liga, neste, e em todo instante...

 

Hoje vivemos a vida aberta,

carta certeira, de uma carteira morta,

som, onde o mar ronca e liberta,

e a mais reta via, é a mais torta!

 

Nestes dias de glória e cantoria,

faremo-nos ser o que somos:

cantantes da dor e da alegria!

 

Que de tudo, e em tudo nos compomos,

feitos de versos anarquistas todo dia,

e a bizarria (de querermos) ser melhores todo dia...  

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Autodialogicidade

Numa sombra improvável

me encontrei com a luz...

 

No barulho agudo, impossível

houve silêncio dentro de mim...

 

No movimento mais insano,

apareceu a tranquilidade no meu espírito...

 

Por fim, quando tudo parecia perdido,

acabei por me achar...

 

Eu voo por onde caminho,

rastejo no vento!

Sou multidão, sozinho,

por fora menor que por dentro... 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Das faces

 
A vida é sede.
E as vezes, o que chega
é só fel que amarga e cega
quando puxas a rede...
 
A vida é fome.
E as vezes o que passa
é a dor que sangra e amassa
e faz do conhecido, um sem nome...
 
A vida urge.
Feito um Colibri feroz
que arranha e ruge...
 
A vida treme.
Feito um abraço amoroso
que esmaga e espreme...  

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Do "voo raiz", o voo da Floresta

Na Floresta as árvores voam 

com as asas das Aves e Passarinhos

e viajam por todo canto

desde os galhos que abrigam seus ninhos...

 

Desta mesma maneira

as raizes que as alimentam

as fazem crescer e as sustentam,

vem dos Pássaros (que vivem) em cada planta...

 

A vida voa em cada raiz no solo

em todo caule e flor

que se lança no vento e calor

 e que se senta, no vento, em seu colo...

 

A Floresta tem asas múltiplas, coloridas,

e alça voo nas pequeninas plantas do chão,

que na simplicidade de sua imensidão,

planam na singularidade de cada vida... 

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

Da mundana lida

 

O eco do labor ecoa em cada vida

onde se cultivam alimentos e relações.

 

E isto é como uma vela que come o vento,

num barco que vê mais longe nas elevações 

das ondas de onde o Peixe vindo

(e que pra além das dores de sua ferida)

se transformará no que somos, pelo "o comendo"...

 

Assim, nesta labuta/ofício de cortar e levar,

palavras, folhas, pro cultivo da alma

do fungo que será a comida de nos sustentar,

dentro do ninho fundo onde habita nossa calma,

 

vamos recriando o existir, cotidiano,

leve, incauto, impossível, impassível, e mundano... 

Formigas que somos neste Mundo/Formigueiro,

criaremos o novo, que aos pedaços, nos fará inteiros.. 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Reflorimento

 Tanto tempo se passou

Desde que a velha Pitangueira botou flor...

 

Uma ancestralidade se foi, e voltou,

Um tempo novo de Sol nascer e se por....

 

Um vinho que envelheceu, melhorou,

Em aroma, paladar, até em cor...

 

 

Pois hoje vi novos botões, onde havia

flores a 7 anos, 4 meses, 10 dias...
 

 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Da busca da alegria


Cumprir uma promessa, feita
a tantos anos, parece sem
sentido, ou o que pareça bem,
ou seja a própria vida desfeita...

Seguir um caminho torto,
quando o que se esbarra
é sentir o peso da barra,
quando se queria o estorvo...

Vou seguir porque o rumo
se apresenta antes da caminhada,
e no fundo, não sobra mais nada,

que o ímpeto original, os fumos,
que se vai pitando dia a dia,
pra tentar, a gente, encontrar a alegria...