terça-feira, 7 de julho de 2026

De onde é meu lar

 

                                             Na manhã inesperada,

          e bendita,

salto da tristeza desesperada

à alegria infinita!

 

Canto, como um pássaro assustado,

me deito, como um cavalo cansado...

Não sei, ou cogito, só adivinho,

entre fomes, sedes, dores e vinhos...

 

Então um Poema pobre

               nasce do nada,

ou do ar que nos cobre,

ou da poeira da estrada...

 

E por isso mesmo, vou caminhar!

Que o vento traz pó, chuva e perfume,

e, nesta vida, em mim, tudo se resume

em entender que o caminho é meu lar!! 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

De nascermos como "Povo"

 Mais rápido ir, que voltar,

se a gente é esperto, e não se apega,

muito ligeiro salta, e chega,

enquanto quem volta nunca vai chegar...

 

 O Cometa, segue voando entorno,

e  se entorna na rota de existir

como nos parece que a pluma, está a subir,

ou que o Universo se expande sem retorno...

 

Assim o vento sopra (a gente) pro novo

como a Gazela que salta da visão

e da fome atenta e reta do Leão...

 

Vamos fazendo de tela a casca desse ovo,

alimentando com o nosso corpo/lenha este fogão,

porque, no inaudito, nasceremos como "Povo"!! 

 

domingo, 5 de julho de 2026

Argel e a redenção do mundo

  Numa noite fria, em Argel

os ventos cantavam junto aos cães, ladrando

em versos que sopravam meus instintos réus

e, nem sei porque, seguiam me acusando...  

 

Ardiam as memórias do fogo nos corpos

do horror da violência, da vil condenação

dos que nasceram sem ter da Europa a permissão

e nada mais podiam esperar, além de serem mortos...

 

Dentro do meu peito, claudicava o coração

sentindo a angústia do triste francês legado

que encheu a história de vergonha e estupefação...

 

Segui esperando certezas num mundo de inexatidão,

agora sendo naquele solo tão lindo, fecundado,

pelas sementes da redentora Argelina Revolução!!  

sábado, 4 de julho de 2026

Bizarria

 

O estrondo no tempo, rondante,

redondo, rompendo-se no vento

um rocambole desarabesco, sendo,

nos rompe e liga, neste, e em todo instante...

 

Hoje vivemos a vida aberta,

carta certeira, de uma carteira morta,

som, onde o mar ronca e liberta,

e a mais reta via, é a mais torta!

 

Nestes dias de glória e cantoria,

faremo-nos ser o que somos:

cantantes da dor e da alegria!

 

Que de tudo, e em tudo nos compomos,

feitos de versos anarquistas todo dia,

e a bizarria (de querermos) ser melhores todo dia...  

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Autodialogicidade

Numa sombra improvável

me encontrei com a luz...

 

No barulho agudo, impossível

houve silêncio dentro de mim...

 

No movimento mais insano,

apareceu a tranquilidade no meu espírito...

 

Por fim, quando tudo parecia perdido,

acabei por me achar...

 

Eu voo por onde caminho,

rastejo no vento!

Sou multidão, sozinho,

por fora menor que por dentro... 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Das faces

 
A vida é sede.
E as vezes, o que chega
é só fel que amarga e cega
quando puxas a rede...
 
A vida é fome.
E as vezes o que passa
é a dor que sangra e amassa
e faz do conhecido, um sem nome...
 
A vida urge.
Feito um Colibri feroz
que arranha e ruge...
 
A vida treme.
Feito um abraço amoroso
que esmaga e espreme...  

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Do "voo raiz", o voo da Floresta

Na Floresta as árvores voam 

com as asas das Aves e Passarinhos

e viajam por todo canto

desde os galhos que abrigam seus ninhos...

 

Desta mesma maneira

as raizes que as alimentam

as fazem crescer e as sustentam,

vem dos Pássaros (que vivem) em cada planta...

 

A vida voa em cada raiz no solo

em todo caule e flor

que se lança no vento e calor

 e que se senta, no vento, em seu colo...

 

A Floresta tem asas múltiplas, coloridas,

e alça voo nas pequeninas plantas do chão,

que na simplicidade de sua imensidão,

planam na singularidade de cada vida...