A labuta de sempre, em nós, nos cria
porque nos permite gestar o inaudito,
fecundar por dentro tantos infinitos,
que no eterno se farão luzeiros guias!
O trabalho de compor o que não se viu,
gera alegrias onde prosperariam tristezas,
e no céu mais cinzento, cores de belezas,
e acordes e melodias como nunca se ouviu...
Mas, como qualquer trabalho, fica uma parte
de quem o pari, numa labuta longa e forte,
que estabelece a vida, mas bordeja a morte...
Pois não haverão delícias sem fogo que arde,
não existirá saciedade sem a força da chuva,
que enxurra a vida, mas nos dá o vinho das uvas...






