sábado, 8 de agosto de 2026

Do tempo

Ilustração de ampulheta vintage Foto stock gratuita - Public Domain Pictures   

O tempo se passa solto, sem rédeas,

como, morro abaixo, um trem no trilho,

sem freios, como bala depois do gatilho,

seguindo o rumo, feito correnteza na cheia…


O tempo não tem mesmo leveza ou perdão!

Vai seguindo como se nada mais houvesse,

um eixo onde não se anda, apenas aparece,

e nos leva pra incerteza segura da solidão…


A imagem que nos assombra é a de um rio!

Onde devemos seguir, sem direito ao remo,

sem leme, poita, o “sem direito” extremo,


apenas deixar-nos levar, e tentar manter o brio...

Porque somos jogados num jogo gigante e pequeno,

onde a vida (deverá) sucumbir no vazio...

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Da natureza da sombra

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  A sombra as vezes se adensa, em sua essência

feita de interromper um caminho, da ação

do poste, do muro, da cerca, da obstrução

de fazer da luz que alumia, uma ausência...

 

Entretanto, ainda que com sua diáfana natureza,

ela é um alento primordial pro caminhante,

que usa o Sol pra buscá-la a todo instante,

e a tem na mais alta conta de utilidade e beleza...

 

A artesania de palavras que aqui emano,

tem esta "sômbrical" origem e genoma:

Não nasceu no Palácio, não tem diploma,

 

e pode até alguém considerar um engano...

Mas ela só nasce, nem sei cor, ou forma,

de um desejo insaciável de ser mais humano... 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Da história

 A vida cotidiana é feita por cada um

enquanto a história se verte coletiva...

E no encontro entre elas, uma narrativa

estabelece um procedimento comum,

 

ainda que estranho, mesmo surpreendente,

como se fossemos o que somos, e o que fomos,

mesmo quando não eramos nós que andávamos,

por este chão, na noite escura, no Sol ardente...

 

Assim, o estudo nos revela de nós o desconhecido,

o ainda não feito, mas feito pelos nossos, que antes

andaram nossos passos, incertos, tristes, vacilantes

 

 nestes "vales de sombra da morte", de novo lido,

novamente caminhado, passos eternos divagantes

que seguem rumo, ou ao velho, ou ao por nós preferido... 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Pra além da sensatez

 Todo dia construímos uma casa

dentro e fora, pedaço por pedaço,

tijolo, cimento, areia, água e aço,

e suor pra levantar o que pesa....

 

 Cada jornada diária aponta os rumos,

as diz pra onde apontamos as ventas,

e miramos forte, e enfrentamos demandas,

pra no fim da estrada avaliar o resumo,

 

de saber se tudo que se podia, se fez...

Ou se a gente não entregou o que havia

e não demos a necessária energia

 

pra elevar o prédio da nossa altivez,

e rebocar o luto com nossa alegria,

e fazer o impossível, pra além da sensatez... 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Revolução

 

A luta pela igualdade ocorre dentro e fora,

nas esferas da vida cotidiana e material,

e no íntimo de cada um, na alma individual,

que ao comportamento coletivo escora...

 

Porque o mundo é assim porque acreditamos,

que é como é pra ser, que "sempre foi assim,

que a injustiça é natural, e tudo que há, no fim

se repete porque esta é a forma como somos....

 

Desta forma, quando haviam reis, era certo,

quando pessoas eram escravizadas, era normal,

e mulheres apanharem, numa dominação mortal,

 

e as crianças abusadas por religiosos, no incerto

jogo da culpa, do medo, do silêncio habitual...

Mudar dentro e no mundo é nossa meta final...


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Andar

 

Contam os caminhantes que os vales

fazem sombra, cada hora de um lado

do rio que milenarmente ali tem passado,

e quem neles caminha, dela se vale...

 

O caminho ensina a si mesmo, e a vida

é nada mais que ele em si, um espelho

da jornada, um auto construído conselho

que cada um se dá, e aprende na própria lida.

 

Assim cada passo ensina o próximo,

e só foi dado porque foi apreendido,

de vários passos já dados e sentidos,

 

onde se organiza o movimento caótico

que no silêncio propaga um bramido,

de que nossa espécie, no andar tem existido... 

domingo, 2 de agosto de 2026

Do mês de agosto

 

 Sobre a terra seca do mês de agosto,

o vento espalha folhas caídas pelo chão,

como fossem do solo farinha de fazer pão

pra refazer a vida, num ciclo recomposto,

 

de nascimentos e quedas, de securas

e chuvas que no tempo certo virão,

como se fossem alternada respiração

 do corpo exposto desse solo que se cura...

 

Assim, pra quem sabe ver, existe beleza,

mesmo em uma paisagem bem áspera,

porque é um lindo ser vivo esta terra,

 

que nos encanta com momentos de leveza,

e nos assusta com força que mata e enterra,

onde o eterno há, em toda pequenez e grandeza...