domingo, 13 de setembro de 2026

Dos verdadeiros donos

  Enquanto alguém estiver com fome

ninguém será livre neste mundo!

Enquanto alguém dormir ao relento,

ninguém saberá da paz mais que o nome...

 

Não haverá entre os que comemos, segurança,

enquanto não houver hospitais pra toda gente,

e a polícia for violenta só com os mais carentes,

atacando periféricos, ameaçando até as crianças...

 

A fartura é dádiva apenas se compartilhada!

A alegria não pode conviver com a privação,

de uma parte do nosso povo sem a permissão

 

de ter direito ao que faz, em sua diária jornada!

Pois somos trabalhadoras e trabalhadores os donos,

e não os vagabundos reais, empoleirados nos tronos...

sábado, 12 de setembro de 2026

Do incerto

 O vento parou, ao longe um Sabiá canta.

Um barulho de avião distante, um zumbido,

os cachorros calados, as vezes um latido,

e o mundo parecendo que não mais se espanta...

 

A vida é um mistério, todo dia, cada minuto.

Se tem a impressão de que cessou o movimento,

de que as águas enfim se tornaram fundo barrento

do poço, da poça, e o fluir parou ante ao zero absoluto...

 

Mas eis que aparece o inusitado lambendo a cria,

e a certeza se mostra não mais que uma impressão,

e a rocha sólida se desfaz em terra na sua mão.

 

Então o canto do Sabiá que longe se ouvia,

se faz fundo da peça teatral que se mostra essa vida

que varre a praia com uma imensa onda de dúvida! 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Do que somos, e seremos

 O que nos vai no coração é mutável

em parte, no que não nos identifica...

No que define o nosso jeito de ser, se aplica,

 mudar, é de fato sempre inaceitável...

 

 Assim, troca-se o que se costumava comer,

 anda-se por novos caminhos a cada dia,

se esquece as tradicionais pequenas rebeldias

e se busca menos ditar, e cada vez mais ceder...

 

 O que não cambia, não sai da perspectiva,

é tentar mudar como o mundo pra nós se apresenta,

e a forma como a distribuição das riquezas se assenta!

 

Porque nestas coisas, da maneira mais objetiva,

se percebe o que somos, e o que queremos,

e dirá como vivemos, o que fomos, e seremos... 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

ESPERANÇAR

 File:Nascer do Sol Santos-SP 01.jpg - Wikimedia Commons

 Os dias sombrios recebem este nome

porque não se pode enxergar claramente,

na penumbra das nuvens, o Sol ausente,

até que o esplendor da luz, o dia retome...

 

Assim serão nossas jornadas na experiência

humana de sonhar um mundo novo, fraterno,

lutando a mais sagrada luta no ambiente externo,

e a peleja de dentro, que se usa deixar na dormência!

 

Sei que enxergar ao mundo e a si, no mais dói,

e a certeza mais antiga, é quase sempre armadilha,

e que a crença enraizada, no escuro da noite brilha...

 

Mas não há outro rumo pra quem a esperança constrói,

que se desfazer, e refazer, olhar o mundo de outro lugar,

e se nutrir da beleza que re-existe no verbo ESPERANÇAR!

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Do plantio

  

Na véspera de toda luminosa emancipação,

o ínfimo desprezível faz de tudo pra contaminar,

assorear com areia onde deveria haver o mar,

e preencher de trevas a mais natural claridão...

 

E segue sendo assim a muito, muito tempo,

quando, o frio mais intenso antecede a aurora,

ou nos instantes finais se sente maior a demora!

A grande construção parece só poeira e vento!

 

Este é o momento que vivemos nesta terra!

As forças mais nefastas tem se manifestado

justo porque temos, pra realidade, despertado,

 

e percebido que a tal liberdade não se encerra

na ilusão de olhar pro mundo como "fato dado",

mas que ela é fruto, pelo nosso suor plantado!

terça-feira, 8 de setembro de 2026

De como será

 

Nos cumpre acreditar que venceremos,

que a partilha estará acima dos ganhos,

 e criará um mundo fraterno do tamanho

de cada ser e comunidade, e saberemos,

 

que toda a luta, e vidas para ela cedidas,

farão um jardim de delícias para as crianças!

E cada instante em que nos fraqueja esperança,

alimentarão o Pomar onde as frutas serão colhidas...

 

Nossa peleja degusta sonhos, e constrói cidades!

E em todo rumo em que olha imagina o novo,

que será feito da festa encantada do nosso povo,

 

onde as mãos dadas embasarão toda a verdade,

e as assembleias terminarão em lindas Cirandas,

e as decisões serão validadas com café nas varandas... 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Dia de nossa autonomia

 

Num dia como esse, em que se celebra

a liberdade, a grande alegria de sermos povo,

quero cantar um canto com sabor de novo,

enquanto de prazer semicerro as pálpebras....

 

Mas que eu lembre que cantar não é dormir!

No nosso caso, é mais uma forma de guerra,

de apontar no rumo que só a igualdade encerra,

em que este "ser livre" toda gente possa sentir! 

 

Nosso canto se veste toda manhã do compromisso,

de dizer a cada irmã, ou irmão do seu direito,

que foi roubado pela ganância dos poucos eleitos,

 

e berrar: "acorda!" aos que ainda se deixam submissos

ao poder que nos furta, mas tem profunda dependência,

deste nosso povo, que hoje celebra sua independência...