quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Novidade ancestral

 Nossos ancestrais já andavam por aqui

bem antes de imaginarmos viver assim...

São como rios vitais que deságuam em mim 

 e se mostram em como já vivemos, vivi...

 

Porque hoje lutamos forte contra a vida,

negando o conhecimento, a história, a ciência,

dizendo que os seres humanos em sua essência,

da solidariedade, do amor, tem a "chave" perdida...

 

Dizendo que alguns tem mais direitos que outros!

Que o alimento, as casas, as riquezas pertencem

 aos nascidos dos que roubaram, e por isso "vencem",

 

 e por isso desprezam os antigos, e atropelam soltos,

 um modo de vida igualitário, que a nós pertence,

desde os tempos imemoriais, hoje nas brumas envolto... 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Nomadia

 Pelas estradas mais cheias de lama

toquei este corpo/carroça pesado,

entre espinhos e dores por todo lado

e alegrias e belezas, momentos de fama...

 

Tudo construiu e constrói o que sou!

Cada acorde da minha Viola vibra

com a leveza e o peso destas fibras 

que amarram meu barco que se lançou...

 

E do convés, refaço e repenso contas,

 como fosse a lâmpada amarrada á frente,

 iluminando águas, trilhas, ventos e gentes,

 

porque o que trago leva adiante as pontas,

 e toda marcha é sempre novamente:

Pois a mim, o caminhar não amedronta!

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Sensores

 O imenso, o novo, as vezes espera

atrás da curva, da árvore, do muro,

surge de surpresa no momento escuro,

e inunda de luz, quando menos se espera...

 

 Ainda que a "não espera" seja relativa:

a cabeça que pensa não tem dados,

mas o corpo que sente já está ligado,

e sabe, e vibra, numa emoção viva...

 

O mundo, os fenômenos são maiores

que os nossos instrumentos para sabê-los,

e o que não vemos sabem nossos cabelos,

 

quando se arrepiam como fossem sensores,

ou os olhos veem um texto, sem poder lê-lo,

quando o existir se dá entre o amor, e os temores... 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Trotamundo

 Na saída de uma dada vida, achei a entrada.

Pra viver o que sempre sonhei certeiro,

(como o Colibri que só sabe voar ligeiro,

ou a Garça, um peixe em cada abaixada),

 

 eu pude me encontrar comigo, certamente,

apenas seguindo o que sempre fui, e sou,

vago latente, preciso errante, que voou

e rastejou em muitos céus mais perto e distantes...

 

E agora, com os pés firmes nestas ondas,

vou chegar ao céu, no meu próprio quintal!

Porque o que é mais definitivo, afinal,

 

são os rumos, escritos com esquadrias redondas, 

marcados pelo desejo de que não seja o mal

que prevaleça, quer ele apareça, ou se esconda...

domingo, 16 de agosto de 2026

Do tamanho do mundo

  "O mundo tem o tamanho de seus sonhos."

 Parece "coach" soprando prosa cabeluda,

ou frase de contracapa de livro de auto-ajuda,

pra aliviar o peso de nossos dias medonhos...

 

Mas o fato mesmo, é que a vida pede coragem,

como Rosa diria pela boca de seu Riobaldo,

pra vencer a lida, suas dores e rescaldos,

e chegar mais longe pra aproveitar a viagem...

 

Então, sonho mesmo sem limites, sem bordas,

porque acredito que o caminho é que vale,

e a montanha é menos o topo, mais que se a escale,

 

e construir o novo é como conquistar as hordas,

numa guerra sem armas, mas de cantos e bailes,

e o mundo terá o som da Viola ao trocar as cordas...

sábado, 15 de agosto de 2026

Do despertar

 

 À sombra do inusitado, pensei haver mistérios!

Não entendia os processos, e via transcendência!

Então pensei que o além, suplantava a decência,

e que os mediadores não tinham que ser sérios...

 

Um certo velho Karl comparava ao ópio

a prática impalpável de manejar o inefável,

como se a irracionalidade fosse inevitável

e o pensamento um aleatório caleidoscópio...

 

Mas o dia raia, em mim, e creio, na humanidade!

E muito pra lá do que "apenas pode ser sentido",

a luz de nossa vontade fará que o amor real, vivido,

 

que nos une povos e línguas em fraternidade,

 seja a concreta ação, não mais o "etéreo crido",

 mas o chão em que teremos Paz, Pão e Igualdade!

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Do acordo não acordado

Homem subindo morro Foto stock gratuita - Public Domain Pictures 

 Alguém me disse numa certa conversa

que a nossa vida é como uma montanha:

 "Até certa idade é "de subir" a campanha,

e na velhice, a existência "pede que se desça"...

 

E isto dito como uma verdade irrefutável!

Daquelas, que se contestada, assombra!

Da qual não se espera da dúvida, nem sombra,

e quem concorda recebe olhar de "louvável"...

 

Pois este senhor aqui, e sua senhora, não se alinham!

Nossos planos ainda são de querer ver lá em cima!

E buscar perfeito sabor, cor, prazer, nota, rima...

 

Pois pra nós é na cabeça que os planos definham,

e no passo seguinte é que se firma a caminhada,

e enquanto a gente puder caminhar, haverá estrada!