quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Do que nos mostra a Poesia

 

 Dizer o que é necessário, de forma clara,

é uma ilusão que cabe em todas as partes:

O que e necessário? Quem define, reparte?

E o que é claro, se cada coisa tem muitas caras?

 

A ciência briga com a linguagem pela dubiedade!

É justo, mas nem sempre lembra que é da natureza

humana a diversidade das cartas, sobre as mesas,

que são tantas umas e outras, em busca da verdade...

 

Assim, vamos tateando na escuridão, sem esquecer,

de que existe a mentira, que se manifesta na intenção

de quem passa uma mensagem, do olhar sua expressão,

 

mas que mesmo entre os que a luz queremos merecer,

a imprecisão nos torna humanos, em busca da redenção,

de sermos honestos, no que pela Poesia conseguimos ver... 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Pra onde aponto

 Quantas guerras travadas foram vencidas,

mesmo com todas as batalhas perdidas,

por quem venceu, quantas dadas vidas?

 

Quanto esforço imenso, em apenas um dia, 

não chegou a lugar nenhum, nenhuma flor

ou fruto colhidos, apesar de tanto suor,

se não era perene e intensa a chama que ardia? 

 

Esse canto busca a pergunta sem resposta,

a solução que se sente se não se vira as costas,

e apenas pelas incessantes dúvidas postas... 

 

Esse caminho não tem chance de estar pronto,

apesar das multidões que já o caminharam...

Mesmo que exércitos neles, de dor pereceram,

todo prazer está nele, e pra ele é que aponto... 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Vens?

 O sonho não se guarda: ou se vive

ou se esquece, se deixa, se "subterfugia"!

Feito um açude, que mar se pretendia,

mas seca, e sua boca não mais salive,

 

quando tu te lembrares do que te esperava,

do cheiro nas ruas que teu nariz sentia,

só de imaginar os sabores que tua boca queria... 

Tu sabes que o sonho era o que tudo te dava...

 

Mas, o deixaste pra depois: "sou muito jovem",

"sou muito velho", "sou pobre", "sou lento"...

Preferiste a cama proletária à liberdade do relento! 

 

E muito tarde descobriste que não se comovem,

os que diziam que tua renúncia era divino mandamento,

e só tu chorou ao lembrar, do sonho a perguntar: "vens"?

domingo, 30 de agosto de 2026

Revelação

  As Raposas elegem o Sabujo como amigo.

As galinhas, quem as faz ao molho pardo,

os jumentos a quem neles põe o pesado fardo,

e os trabalhadores, ao seu colega, de inimigo...

 

 A faca corta a carne que já foi abatida!

A trabalhadora limpa o chão de outra casa,

não a sua, onde suas crias são abandonadas,

e o pedreiro não mora na mansão por ele erguida...

 

O mundo não "pertence" a quem o constrói!

Não pertencem a quem as elabora, as riquezas!

Quem produz a comida nem sempre a tem na mesa,

 

e quem faz o remédio vê o filho chorar, porque dói,

e a fartura é um sonho distante, pra quem trabalha...

Mas nas casas dos patrões, nestas nunca falha...

sábado, 29 de agosto de 2026

Nosso legado criativo

  Este nosso velho planeta é bem grande,

retumbante, sólido, audaz, feroz e viçoso!

Cria muita vida nos ambientes, é generoso,

e as mais belas imagens por onde se expande...

 

Por outro lado é miúdo e frágil, um menino,

correndo assustado na roda do Universo,

onde a matéria é intensa, e o poder disperso,

mostrando que o nosso mundo é bem pequenino...

 

Assim nossa existência é a consciência do cosmos,

que num lapso do infinito movimento se permitiu

assistir a si, olhar pra dentro, saber que existiu,

 

e se manifesta neste apreender, que enfim, somos,

e que gera nossas todas sociedades, enredos, Poesias,

e brinda o incriado, como um legado, todos os dias... 

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Do direito de voar

  No centro da luta, na direção do vento,

sigo os passos dos que antes estiveram,

e a maior parte de suas vidas doaram,

ao sonho de clarear este mundo cinzento.

 

Acreditar que podemos viver sem angústias,

sem o peso de gente com fome e frio ao lado:

Que a riqueza da vida é o dom compartilhado,

e a fartura chegará a todos, por todas as vias...

 

Então, me levanto hoje, (e nem sempre consigo),

projetando a labuta, seguindo o meu plano maior,

 que é compartilhar a esperança, o pão, o calor,

 

da plenitude não dada como aquele gesto antigo,

da caridade que superioriza ao ser que doa,

mas o da mãe ave, feliz porque o filhote voa...

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Das pelejas comigo

  

A metáfora do mundo que sempre me visita,

é aquela onde a gente no fio, se equilibrando

está sobre raivas e medos , que andam em bando,

lembrando que passar sem cair, é a própria vida...

 

A tal "cabeça no lugar" custa uma capacidade,

que nem tem a ver com força, ou inteligência...

Apenas com o dom de manter a mesma cadência,

de olho no destino, sem se distrair com a vaidade...

 

Porque o que me faz perder o tino é a impressão,

de que eu sei de tudo, conheço caminhos e voltas,

e que só tem sentido e razão as minhas rotas...

 

Então perder o debate me permite a realização,

de aprender o inusitado, experimentar a sensação

de novas belezas, em humildade e leveza envoltas...