quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Da sina

 

Na sombra da vela, no frescor do vento,

percebi rumos e ritmos que tem a lida,

caminhos da melodia que nos toca a vida,

ávida desta fome que nos vem de dentro...

 

Então, nem pensei em seguir, porque já era!

Seguir nem é uma opção... É antes uma sina. 

Todos adiante e atrás, seguindo a mesma fila,

correndo pra longe e perto, da mesma quimera...

 

Daí, a Viola me pegou no colo, como quem consola,

e me cantou coisas pra gente dormir, mas acordar,

contou histórias encantadas, e de fazer chorar...

 

E eu sigo cantando porque a canção me controla,

e me impele nos ímpetos mais sãos e desajuizados,

neste caminho nem por mim escolhido, nem rejeitado! 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Da repetição da história

 Calado me exponho àquela mortal quietude!

Em luta, fico ao alcance de tiros e espadas...

Na nossa trajetória toda "bala" é achada,

e nos acha tenhamos ou não alguma atitude...

 

Gaza nos ensina o que pretende a "experiência"

que os vis gananciosos do império inventaram:

Pra nós, do restante do mundo só nos restaram

duas alternativas: morrer, ou lutar pela existência

 

do nosso direito de continuar, dignos, existindo!

Muito mais que o jogo de palavras, é a essência

do que denuncia esta luta por vida e decência!

 

E do outro lado, os mesmos ideais do regime findo,

na Alemanha dos anos 30 e 40 do século passado,

querendo se reerguer com outros nomes, mesmo lado!! 

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Sobre nos recriarmos

 Os mais antigos códigos de moralidade

que inventamos pra conseguir conviver,

e entre nós, o mínimo respeito prevalecer,

são quase sempre negados pelas autoridades...

 

Pelas elites que inventaram a escravização,

que criaram os acúmulos, de terra, alimentos,

que ensinaram a naturalidade dos sofrimentos,

com seus deuses de angústia, medo, negação...

 

Urge que outras leis se criem, que nos recriemos,

à nossa própria imagem e semelhança amorosa!

Não sejam os corpos comércio, nem maldade jocosa,

 

e que o amor e o respeito estejam onde andemos,

entre nós, e os seres com quem compartilhamos,

este tempo de vida em que na terra caminhamos! 

domingo, 11 de outubro de 2026

Das conexões

 O que dizemos "tempo" indica chuva ou Sol!

Pensamos as condições do lugar onde moramos,

onde estão os ventos, o calor que sentimos,

ou o frio, como fossem as horas até o arrebol...

 

Assim, dizemos "caminho" pra nossas escolhas!

Certamente porque elas nos conduzem ao ser,

que cada um constrói, pra gozar ou pra padecer,

como fosse a estrada que seca, o rio que molha...


 

 O pensamento é um mecanismo de conexões!

Uma estrutura de associação que a nós liga,

no que nos alegra, invade, pelo que se briga,

 

para o que são alegrias, angústias, atribulações,

pelo que vemos, contamos ou mantemos segredo,

pelo que nos constrói todo dia, mesmo com medo!

De perder, achar, cair e levantar

 Um dia se passa como se passasse o vento:

folhas fugindo, se espalhando na varanda,

besouros procurando a terra mais branda,

e a gente andando, procurando o intento...

 

E as vezes nestas caminhadas, as coisas escapam,

e o que parecia consolidado se esquece, no canto...

E são tantos cantos, que na curva surge o espanto

de já ter se dado o tempo em que as coisas cessam!

 

Mas a gente se levanta e se segue na lida!

Que parar nunca foi mesmo uma possibilidade.

Que interromper só interrompe a verdade,

 

que se se esconde nesta correria de nossas vidas:

Que nos justificamos naquilo que produzimos,

e só pelo constante fazer é que nós resistimos! 

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Da complicação da simplicidade

 

A simplicidade sempre me pareceu confusa!

Nunca entendi completamente seu significado,

porque, ao contrário de simples, é complicado

praticar, ser e pensar o que ela pede, e usa...

 

Sempre achei mais fácil querer mais e mais. 

Ser frugal me deixa com fome e insatisfeito,

como faltasse um doce, pra ter comido direito,

após um almoço perfeito dos alimentos normais...

 

Assim com os sons de uma canção singela!

Quero a beleza das palavras, refinada Poesia,

no inédito das variações das súbitas melodias,

 

como quando me espanto com flores na janela!

Não me completa o óbvio, tantas vezes repetido,

e no adorado "simplório", eu, nem vejo sentido... 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Da cotidiana criação

 A novidade entre nós não é mais nova,

mas uma recriação de velhos caminhos.

Sentimos tanto medo de deixarmos o ninho,

que o inédito pode estar encoberto por névoa...

 

Queremos o desafio de gerar cotidianamente

o novo dentro do peito, na cabeça, na rua...

Os velhos jeitos com mais velocidade, acentuam,

os mesmos antigos preconceitos, infelizmente...

 

Assim, cabe à gente não aceitar o estabelecido

só pelo fato de que "sempre foi assim", como dizem

aqueles que às ancestrais certezas reproduzem!

 

Porque o que nos faz humanos não é conhecido,

ou não foi ainda, pelos nossos iguais, inventado...

E o mundo que queremos ainda está por ser criado!!