quarta-feira, 22 de julho de 2026

Definitivo argumento

 

Quando o sono emular o existir

e fizer a lida da perfeição criativa,

e criar no sonho a memória gerativa,

 que parirá força e confiança no porvir,

 

seremos o tempo novo, a revolução,

que versada em cantos nos re-criará,

humanos de uma espécie ainda não há,

mas que haverá, de partilha e comunhão.

 

O que está por vir não cabe no pensamento!

A lógica fria não entende a fartura,

antes, cria morticínios pra qualquer ternura,

 

e justifica nossa existência como tormento!

Nos sonhos, nos libertaremos na candura,

e seremos da novidade, da paz, definitivo argumento! 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Horizonte

  O horizonte se aponta no coração

no pensamento, na prática do dia,

nos intentos colocados em primazia,

na verdade que pode ser vista na intenção...

 

O destino será tecido ponto a ponto,

linha a linha, juntando as várias cores

nas práticas, nos gestos, nos calores,

no escuro/amargo da dor que afronto,

 

no doce leve da alegria que rio,

na certeza de que a beleza seguirá,

como ligasse o que foi e o que será,

 

e cerca e amplia, como nos ligasse um fio,

que do oceano nos retira e nos reporá,

e criará o que somos, nesta vida mar bravio... 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

De todo dia

 

Avançar um passo, mudar de posição,

olhar de um outro ponto de vista

a mesma cena tantas vezes vista,

mesmo que de uma fraccional transição...

 

A vida (nos) enche de estranhos medos,

alheios ao que somos, mesmo assim presentes,

que parecem ignorar quem és, ou sentes,

e que talvez se escondam em perdidos segredos...

 

Pra escapar deles, só seguindo adiante,

passo atrás de passo, todos os (santos?) dias.

Olhar pro céu como se nunca visto antes,

 

olhar pra grama, pra Formiga, pra coisas fugidias,

ser Milton Santos e Manuel de Barros, Cervantes,

e galopar, lança em punho nos ventos da rebeldia!! 

domingo, 19 de julho de 2026

Do desejo

 

 Todos os dias a morte nos ameaça,

no cotidiano que nos é obrigação,

 se perdemos o rumo de nossas barcaças,

e deixamos os sonhos por acomodação,

 

um "rigor mortis" periga se achegar,

mesmo que a citada esteja longe,

porque o hábito cego faz mais que o monge: 

Faz o vivente, cansado, não mais desejar...

 

O desejo, antes, cria em nós a vida!

Libera a coragem pra contradizer,

permite a esperança que nos deixa vencer,

 

 e aponta as cores que nos curam feridas,

ao nos encher os olhos de sabor e prazer,

e nos emprenhar da força que nasce dessa lida... 

sábado, 18 de julho de 2026

Da razão da jornada

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 No escuro misterioso do caminho,

aparecem vez ou outra mensagens,

na forma de sustos, ruídos, visagens,

buracos, troncos, pirambeiras, espinhos...

 

Seguir o rumo é suplantar as travas,

os triviais desvios, medos, percalços,

não sentir pontadas em seus pés descalços

e enfrentar canhões apenas com clavas...

 

 Mas antes de qualquer coisa, esquecer,

do desejo e esperança da chegada,

que o caminho foi feito pra permanecer,

 

como foi feita pra perdurar a caminhada,

e cada passo existiu só mesmo pra ser

a razão inicial e final de nossa jornada!! 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

De Nanã, a orígem da vida

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 Onde água e terra se tocam

a vida sempre brotou ligeira,

leve, farta, eterna e passageira...

Dali, cantos ancestrais nos evocam...

 

Dos "Mangues de Nanã" viemos!

E tudo que se move, respira, dança,

(se e nos) transforma, alça, avança,

pra que em nós e por nós nos alcemos

 

à vida plena que todos nós merecemos!

Esta nossa terra é um presente do brejo!

Dele, a existência se arrastou, do que vemos

 

ao que nem no mais furtivo lampejo,

em nosso caminhar sequer imaginamos,

pois tudo vem por Nanã, e seu desejo... 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Da vida plena

 Quase "planando" sobre a água rasa, 

Um pequeno inseto diáfano caça...

Não sei dizer qual sua família, ou raça,

apenas vejo que sua leveza não vaza

 

o líquido do laguinho que é sua casa,

onde se alimenta, caminha e procria,

numa relação intensa, sábia, sadia,

flutuando, suas pernas sendo como asas...

 

Essa minha constatação, parece, desimportante...

Afinal, o que este bichinho diz sobre nossa lida,

cheia de guerras e mortes a todo instante?

 

Não há uma resposta, por mim conhecida,

e penso que nem por ele, inseto "insignificante",

mas sei, que viver, é permitir plenamente a vida...