De dentro e sobre mim corre um antigo rio
de águas frias das dores que me passaram,
que ferem, ardem da frieza com que mataram
os sonhos que me fundaram, da bomba, o pavio...
Sinto tudo, cada simples coisa, como fosse eterna,
porque assim me dobram as costas ante o peso,
de parecer que o (meu) esforço merece desprezo,
e a ferida fixa-se na cabeça, braços, tronco, pernas...
Sou todo uma força capaz de fortemente resistir,
mas também uma fragilidade que não brinca
com medo de acabar vendo em si uma trinca...
Sei que o eterno dará voltas além do meu existir
e o tanto que é pequena, esta dor que sinto agora!
Por isso quero voltar a ver a luz sem mais demora!






