terça-feira, 30 de junho de 2026

Da mundana lida

 

O eco do labor ecoa em cada vida

onde se cultivam alimentos e relações.

 

E isto é como uma vela que come o vento,

num barco que vê mais longe nas elevações 

das ondas de onde o Peixe vindo

(e que pra além das dores de sua ferida)

se transformará no que somos, pelo "o comendo"...

 

Assim, nesta labuta/ofício de cortar e levar,

palavras, folhas, pro cultivo da alma

do fungo que será a comida de nos sustentar,

dentro do ninho fundo onde habita nossa calma,

 

vamos recriando o existir, cotidiano,

leve, incauto, impossível, impassível, e mundano... 

Formigas que somos neste Mundo/Formigueiro,

criaremos o novo, que aos pedaços, nos fará inteiros.. 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Reflorimento

 Tanto tempo se passou

Desde que a velha Pitangueira botou flor...

 

Uma ancestralidade se foi, e voltou,

Um tempo novo de Sol nascer e se por....

 

Um vinho que envelheceu, melhorou,

Em aroma, paladar, até em cor...

 

 

Pois hoje vi novos botões, onde havia

flores a 7 anos, 4 meses, 10 dias...
 

 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Da busca da alegria


Cumprir uma promessa, feita
a tantos anos, parece sem
sentido, ou o que pareça bem,
ou seja a própria vida desfeita...

Seguir um caminho torto,
quando o que se esbarra
é sentir o peso da barra,
quando se queria o estorvo...

Vou seguir porque o rumo
se apresenta antes da caminhada,
e no fundo, não sobra mais nada,

que o ímpeto original, os fumos,
que se vai pitando dia a dia,
pra tentar, a gente, encontrar a alegria...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Nada



Um vento frio passou perto,
pra mostrar que no fundo,
mais fundo, e em mim profundo,
nada importa pros "ditos certos"...

Sabe? O pessoal das normas
na verdade não se importa
com a gente que bate à porta
ou que morre fora da forma...

Por isso, seguirei sozinho,
como uma flor perfeita,
aos meus olhos afeita,

mas que tem espinhos,
e por isso condenada
a não ter ninguém, nem nada...

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Perambulante


O improvável parece assustar...
Como um Urso em nosso mato,
como num bicho polar, Carrapato,
ou a certeza de que não vamos durar...

Não sei mais quanto vai custar,
ou quanto cada um deve ser
de si, do que apresenta se parecer,
mas sigo doido a lutar...

Como um assustado que dura
nem tanto quanto esperava,
mas não entrega sua clava

e continua a lida insegura,
desde o tempo em que contemplava,
e a Verdade, entre tudo, perambulava...

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Indagações


Como viver com o peito
vazio como a sobra da janela,
de onde se vê pouca luz, amarela,
da luz das cores de todo jeito?

Como se permitir sonhar
com um tempo (que será) novo,
quando continua negado ao povo
a esperança pra esperar?

Um educador, que encheu de cor
o porvir de nossa amada gente,
disse, que esperançar alça a gente

ao patamar de educar por amor...
E hoje, ignorantes o negam
da latrina imunda em que trafegam...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Dos centros e beiras


Andando no tempo, como um gramado,
vejo as flores entre os capins,
os ordinários entre os seus afins,
os inimaginários entre os assustados...

Sonhava ter tristezas mais simples,
como as mágoas de amores velhos,
ou o sabor amargo dos Escaravelhos,
na comida destampada daqueles

amigos simples, e pobres, descuidados,
que seus alimentos deixam abertos,
e de que nunca se intoxicarão, estão certos,

pra ser assim como um testemunho contado
pelos que nem imaginavamos tanta sujeira,
como a que se vê pelos centros e beiras...