quarta-feira, 15 de julho de 2026

Da lindeza do escuro


    Uma sombra, pro Sol, mais que tapar

faz crer existir uma fonte de luz

que aponta os caminhos, e neles conduz

toda gente, e a nós permite descansar...

 

A árvore do caminho não nega a claridade,

antes refresca a necessária jornada,

pra quem precisa chegar ao fim da estrada,

e cumprir seus deveres de necessidade...

 

A vida, como a recebemos nesta terra,

é composta de iluminação e penumbra,

de tons diversos, que, em cada um descerra,

 

várias belezas únicas que o olho vislumbra!!

Pois a semente, antes de ir ao alto, se enterra,

pra criar-nos na planta que alimenta e deslumbra.... 

terça-feira, 14 de julho de 2026

"Panta rei"

 Tudo corre, disse Aristóteles...

Todas as coisas se transformam

e seguem sendo o que são:

o que comes, bebes, ouves, lês....

 

Cada passo dado soa na eternidade,

como a certeza da busca incessante,

pelo que muda e volta a todo instante,

ou a tristeza e a alegria, em sua singularidade...

 

Disso todo dia nasce a esperança,

como uma certeza na corda bamba,

no voo de um passarinho, sorriso de criança,

 

no ritmo, na harmonia, Choro ou Samba,

que aquece a vida e nos embala festanças,

e faz esperar que por fim, o Amor não sucumba...  

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Nosso melhor vinho

Caravela - World History Encyclopedia 

 Os navegantes que mais longe foram

em suas jornadas eivadas de improbabilidades,

no impensável, distante, somente chegaram

porque desprezavam qualquer "razoabilidade"...

 

Sonhavam muito mais que planejavam,

viam eternidades onde se dava o corte

dos ponderados em tudo temendo a morte,

e criavam pontes ondes os medos afundavam...

 

O novo nasce do desprezo pelo óbvio

A vida se cansa de repetir caminhos,

o galope se atrasa pelo apertar do estribo!

 

E por mais longe que formos, nunca sozinhos,

estaremos, pois o mundo é nossa tribo,

e descobrir o inédito é o (nosso) melhor vinho...  

 

domingo, 12 de julho de 2026

Deste mundo que criamos

 


 O planeta criou a humanidade,

entre árvores e montanhas, rios e vales...

E em cada planta e flor que colora e exale,

se fez o que o nosso caminhar invade,

 

e ocupa, buscando o lugar mais fecundo...

E assim, como fomos criados pela terra,

em nós se criou a tristeza, a beleza e a guerra,

a fartura e a fome, o amor e o ódio, e criamos o mundo...

 

Mundo que não é mais só o lugar onde vivemos!

É tudo mais que temos feito dele, nossas relações.

Assim além de uma bela vista, que vemos,

 

estão nossos desejos, malfeitos, possessões,

 pois não somos mais o animal que conhecemos,

mas deuses imperfeitos, vítimas de nossas criações...

sábado, 11 de julho de 2026

Do que fazemos hoje, e do que (disto) virá

 Num campo de encontros e batalhas,

vivemos instantes, sustos e partilhas

ladramos junto às nossas matilhas,

e nos perdemos em meio às nossas falhas...

 

E tudo que sobrar lançar-se-á ao ar,

e virará poeira entre sedimentos,

pedaços soltos de algum avulso pensar,

como as folhas que dançarão no vento!

 

Assim se poderá descrever este momento 

que vivemos sem saber se amanhã,

haverá vida, terra, risada e assento,

 

pois nossa atitude é a principal tecelã

que expõe fora o que nos está por dentro,

e do (nosso) futuro é a única guardiã... 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Hino de louvor aos mártires

 File:Ayatollah Sayyed Ali Khamenei In the twenty-eighth anniversary of the  demise of Imam Khomeini 02.jpg - Wikimedia Commons

A luta pela sobrevivência da humanidade

disporá de armas sensíveis, delicadas,

como a Poesia, a Música, a verdade falada,

além das pedras, as balas, a corajosa vontade,

 

que move combatentes com fome e frio

a avançar sobre os covardes armados,

que assassinam crianças e desavisados,

e enchem de sangue mártir os mares e rios!

 

A luta já não é mais pelas nações...

Antes, pelo direito universal à vida,

que segue atacado e cheio de feridas

 

e faz que sejam de combate todas as canções

em honra aos que enfrentam a perfídia

da morte que se alimenta de medo e cifrões...

quinta-feira, 9 de julho de 2026

De onde saímos

           A jornada de sermos humanos

começa no olharmos pra fora,

 pra tudo de que nos cercamos

rios, pedras, vento, fauna, flora...

 

E então fazê-los de novo por dentro

pra depois tirá-los novamente

e pintá-los, cantá-los, tocá-los no vento

ou nas paredes onde as vejam toda gente...

 

Penso, e isto é uma abstração,

que sejamos humanos porque abstraímos

e recriamos tudo que somos em nossa criação,

 

e as figuras, sons e palavras que de nós extraímos,

não são mais os objetos, mas sua representação

a nos fazer o que somos, pra onde vamos, de onde saímos...