segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Dia de nossa autonomia

 

Num dia como esse, em que se celebra

a liberdade, a grande alegria de sermos povo,

quero cantar um canto com sabor de novo,

enquanto de prazer semicerro as pálpebras....

 

Mas que eu lembre que cantar não é dormir!

No nosso caso, é mais uma forma de guerra,

de apontar no rumo que só a igualdade encerra,

em que este "ser livre" toda gente possa sentir! 

 

Nosso canto se veste toda manhã do compromisso,

de dizer a cada irmã, ou irmão do seu direito,

que foi roubado pela ganância dos poucos eleitos,

 

e berrar: "acorda!" aos que ainda se deixam submissos

ao poder que nos furta, mas tem profunda dependência,

deste nosso povo, que hoje celebra sua independência... 

domingo, 6 de setembro de 2026

Trotamundo

  O mundo tem o tamanho dos nossos passos!

Esta é uma afirmação de quem tem a sorte,

é claro, de possuir corpo e mente sãos e fortes,

mas também a percepção do nosso tempo escasso...

 

A brevidade da vida, com a infinidade de tudo,

tendem a colocar no coração o senso de urgência,

que nos faz desejar multiplicar todas as experiências,

e conhecer o mais que pudermos deste mundo...

 

Assim, seguir andando independente das pernas,

do jeito que for possível, em cada canto do chão,

da água, do ar, nesta terra ou na distante imensidão,

 

nas pradarias, nas montanhas, mares, cavernas,

todos os lugares e vivências, juntos ou na solidão,

viver minutos por horas, nossa singularidade eterna... 

sábado, 5 de setembro de 2026

Rio escuro

 De dentro e sobre mim corre um antigo rio

de águas frias das dores que me passaram,

que ferem, ardem da frieza com que mataram

os sonhos que me fundaram, da bomba, o pavio...

 

Sinto tudo, cada simples coisa, como fosse eterna,

porque assim me dobram as costas ante o peso,

de parecer que o (meu) esforço merece desprezo,

 e a ferida fixa-se na cabeça, braços, tronco, pernas...

 

Sou todo uma força capaz de fortemente resistir,

mas também uma fragilidade que não brinca

com medo de acabar vendo em si uma trinca...

 

Sei que o eterno dará voltas além do meu existir 

e o tanto que é pequena, esta dor que sinto agora!

Por isso quero voltar a ver a luz sem mais demora! 

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Perguntas sobre o caminho

 Pra que, afinal, serve esta estrada que trilhamos?

Seu sentido estará na chegada, no ponto final,

na conclusão dos passos que damos, bem ou mal?

Ou o caminho só se justifica porque andamos?

 

Assim, o sentido do alimento habita no repouso,

que se pratica após a refeição em nossa cultura?

Ou o prazer maior se encontra na diária feitura,

como a alegria do amor estaria na busca do gozo?

 

O que este Poema busca, é antes de tudo o buscar!

O meio do processo é na verdade o que o justifica,

pelo escolher das palavras: a que sai, a que fica...

 

Porque a gente entra na água mais pra se molhar,

e sentir a leveza do corpo, que o boiar implica,

do que pela sensação de fim, de, do outro lado chegar... 

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Pra onde vamos

 

O mundo ainda nos cabe, e acho, ainda,

por muito tempo nos caberá os sonhos,

as vontades, as lidas, os desejos medonhos,

e a resiliência com que a esperança nos brinda!

 

Nossa existência se segura nas certezas

de que a luta levará ao que já vislumbramos:

Uma convivência onde, as mãos, nos damos,

 pra andarmos juntos, com igualdade e leveza!

 

E assim, quando nos entendermos coletivo,

e que a terra é generosa, e pede a partilha,

e que ninguém deve ser dono das trilhas, 

 

mas antes, os rumos e rotas não são cativos,

e servem à nós, pra sairmos destas ilhas,

na direção certa do nosso futuro altivo! 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Do que nos mostra a Poesia

 

 Dizer o que é necessário, de forma clara,

é uma ilusão que cabe em todas as partes:

O que e necessário? Quem define, reparte?

E o que é claro, se cada coisa tem muitas caras?

 

A ciência briga com a linguagem pela dubiedade!

É justo, mas nem sempre lembra que é da natureza

humana a diversidade das cartas, sobre as mesas,

que são tantas umas e outras, em busca da verdade...

 

Assim, vamos tateando na escuridão, sem esquecer,

de que existe a mentira, que se manifesta na intenção

de quem passa uma mensagem, do olhar sua expressão,

 

mas que mesmo entre os que a luz queremos merecer,

a imprecisão nos torna humanos, em busca da redenção,

de sermos honestos, no que pela Poesia conseguimos ver... 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Pra onde aponto

 Quantas guerras travadas foram vencidas,

mesmo com todas as batalhas perdidas,

por quem venceu, quantas dadas vidas?

 

Quanto esforço imenso, em apenas um dia, 

não chegou a lugar nenhum, nenhuma flor

ou fruto colhidos, apesar de tanto suor,

se não era perene e intensa a chama que ardia? 

 

Esse canto busca a pergunta sem resposta,

a solução que se sente se não se vira as costas,

e apenas pelas incessantes dúvidas postas... 

 

Esse caminho não tem chance de estar pronto,

apesar das multidões que já o caminharam...

Mesmo que exércitos neles, de dor pereceram,

todo prazer está nele, e pra ele é que aponto...