Todos os dias a morte nos ameaça,
no cotidiano que nos é obrigação,
se perdemos o rumo de nossas barcaças,
e deixamos os sonhos por acomodação,
um "rigor mortis" periga se achegar,
mesmo que a citada esteja longe,
porque o hábito cego faz mais que o monge:
Faz o vivente, cansado, não mais desejar...
O desejo, antes, cria em nós a vida!
Libera a coragem pra contradizer,
permite a esperança que nos deixa vencer,
e aponta as cores que nos curam feridas,
ao nos encher os olhos de sabor e prazer,
e nos emprenhar da força que nasce dessa lida...


