sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Do direito de voar

  No centro da luta, na direção do vento,

sigo os passos dos que antes estiveram,

e a maior parte de suas vidas doaram,

ao sonho de clarear este mundo cinzento.

 

Acreditar que podemos viver sem angústias,

sem o peso de gente com fome e frio ao lado:

Que a riqueza da vida é o dom compartilhado,

e a fartura chegará a todos, por todas as vias...

 

Então, me levanto hoje, (e nem sempre consigo),

projetando a labuta, seguindo o meu plano maior,

 que é compartilhar a esperança, o pão, o calor,

 

da plenitude não dada como aquele gesto antigo,

da caridade que superioriza ao ser que doa,

mas o da mãe ave, feliz porque o filhote voa...

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Das pelejas comigo

  

A metáfora do mundo que sempre me visita,

é aquela onde a gente no fio, se equilibrando

está sobre raivas e medos , que andam em bando,

lembrando que passar sem cair, é a própria vida...

 

A tal "cabeça no lugar" custa uma capacidade,

que nem tem a ver com força, ou inteligência...

Apenas com o dom de manter a mesma cadência,

de olho no destino, sem se distrair com a vaidade...

 

Porque o que me faz perder o tino é a impressão,

de que eu sei de tudo, conheço caminhos e voltas,

e que só tem sentido e razão as minhas rotas...

 

Então perder o debate me permite a realização,

de aprender o inusitado, experimentar a sensação

de novas belezas, em humildade e leveza envoltas... 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Velhas novidades!

 O valor da certeza se perde no pensamento!

Pensar dá asas às dúvidas, e por isso gera

o inédito onde antes só o conhecido houvera,

e os caminhos abrem-se do infinito pra dentro...

 

Claro que isto mata muito do sossegado conforto.

 Não se pode deitar e esperar pelo conhecido,

e confiar que tudo é porque já foi estabelecido,

e acreditar que o caminho nunca será torto...

 

E esta será a maior ilusão da nossa existência!

Nada nunca está dado, e a estabilidade é renúncia

à verdade da vida, e o conhecimento é a denúncia

 

de que "tudo corre", dito por Aristóteles, em essência:

 O eterno é o sempre novo, repetido e alterado,

o "velho/novo/velho", já tantas vezes cantado.... 

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Do medo de ver

  A ciência tem, de diversas formas revelado,

 que o que podemos enxergar é tão pouco,

e o que vemos é tão míope, estrábico, louco,

e que grande, é o pedantismo a que somos atados...

 

A experiência humana é muito surpreendente!

Saímos de uma realidade biológica crua e inocente,

passando por uma violência teológica indecente,

até chegar a consciência da insignificância da gente...

 

Ainda que, este despertar ainda seja só possibilidade!

Grande parte de nossa gente ainda vive na sombra,

de crenças que inventam o que o medo vislumbra,

 

pra nos salvar da liberdade mortal da dura realidade!

Mas este Poema quer lembrar que a pequenez é força,

quando não aceitarmos mais ao que ao real distorça!!

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

De novo

 Num vaso d'água qualquer plantei minhas dores,

pra que elas fossem lavadas todos os dias.

Cada dor, se era por dentro, não apenas ardia:

queimava! Mas por fora eu as cobria de flores...

 

 Numa estrada de terra, apontei meus caminhos! 

Entre as árvores do mundo cantei todas as glórias,

e entre os camponeses fiz adimirarem as histórias

que criei, ou que vivi, acompanhado ou sozinho...

 

Não sabia mais que hoje, nem sei ou saberei!

Caminhar me ensina as mais velhas lições,

e entorna os mesmos caldos de tantos senões...

 

Mas o novo renova tudo aquilo que já pensei!

E pensar novamente transforma o que foi deixado,

e cria estradas novas nos trilhos já (tão) caminhados...

domingo, 23 de agosto de 2026

Do que nos floresce

 

 No escuro da noite foi que vi estrelas.

No silêncio da solidão encontrei respostas,

e o caminho limpo entre pedras postas,

e as mais lindas imagens longe das telas...

 

O inusitado se veste da mais linda nudez.

O chão mais empoeirado é o mais rico de vida,

o trabalhador humilde melhor domina a lida,

e o ser mais soberbo é feito de pura rudez...

 

A verdade, é que nas pontas se encontra o meio,

em cada vela que se infla o caminho se abre,

e o facão da roça corta melhor que o sabre!

 

E como a criança quando nasce, já sabe do seio,

nossa intuição de candura, de alegria nos cobre,

e a beleza do chão fecundo, de fartura e floreio. 

sábado, 22 de agosto de 2026

Do caminho

  Este que sou tem todas as humanidades!

De cada mulher que veio antes de eu nascer,

de cada criança que morreu antes de crescer,

de cada ancião que lutou pela nossa liberdade!

 

 No rosto desta bandeira que comigo levo,

vive o vermelho do sangue de homens e mulheres,

o verde das florestas que viraram labaredas de dores,

e a tinta amarga, e festiva, destes versos que escrevo.

 

 "Quando nasci neste mundo, sei que não nasci sozinho",

escreveu Pancho Villa na cela fria que ocupou,

quando para o sonho do coletivo humano se entregou!

 

E assim, em cada celebração, o sabor do vinho,

terá o suor de quem o colheu nos campos, e o semeou,

e apontará o novo dia, do bem comum, nosso caminho!