sexta-feira, 31 de julho de 2026

De conhecer

 Observação de aves – Wikipédia, a enciclopédia livre

  Romper as rampas, enfrentar escarpas,

aceitar as perdas que o dia a dia impõe,

comer o sabor do caviar nos reles feijões,

pra fazer de cada vida um navio que zarpa...

 

O eterno se precipita no invariável precipício,

porque pra ir além é muito necessário voar,

e permitir que os pesos saudosos possam ficar,

pra ter a leveza que pede o momento propício.

 

Assim, da vida inteira carrego comigo a lição,

de que tudo está sempre por ser ainda sabido,

e experimentado, e lavado, temperado e lambido,

 

como nos alertou Brecht, de que o saber só é são,

se aquele que sabe, por si o fez conhecido,

e o que há, só há se não vier por (pura) aceitação... 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Dos senões

  As barreiras e espinhos se sucedem

nos caminhos de quem se movimenta,

porque além de Hortelãs, existem Pimentas

que alimentam e temperam, mas ardem...

 

No fundo, quem quer viver sem peleja?

Quem quer comida insossa, sem tempero,

que não instigue as papilas com esmero,

pro sabor da vida ser o que se teme, e deseja? 

 

Cada dia esconde possibilidades e frustrações,

que nos fazem levantar da cama cedo,

ou tentar dormir, pelo mais puro medo,

 

da incerteza que assombra em todas as direções,

de não sabermos do dia seguinte, do enredo

que encenaremos e cantaremos, sem senões... 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Do equilibrio

Banco de imagens : Rocha, animal, jardim zoológico, equilibrar, exposição,  mamífero, foca, Executando, bola, Demonstração, escorregar, Meeresbewohner,  Robbe, Show de animais 3000x4000 - - 935429 - Imagens Gratuitas - PxHere 

 O coração pulsa e transita trôpego

entre batidas, feridas, laços e mágoas,

nadando o quanto pode em turvas águas,

correndo o que dá no intenso tráfego...

 

Assim a gente segue, e (quem sabe?) aprende,

a conviver nos tempos desta alta tensão,

em que cresce o fascismo dentro do coração

de incautos seres, que pensam que se defendem...

 

Vamos, vou, assim me equilibrando,

como uma bola no nariz da Foca,

como um velho palhaço que toca,

 

Zabumba, Viola, Pandeiro, Ganzá e Triângulo,

tudo junto, num fuzuê que desemboca

na alegria por si, de seguir tocando... 

 

terça-feira, 28 de julho de 2026

Do direito à divergência

Luz de prata Foto stock gratuita - Public Domain Pictures 

 As vertentes disputam a verdade,

os pontos de vista se absolutizam

nas gargantas sobre as quais pisam,

aqueles com armas e brutalidades...

 

A fala de quem não tem "impulsionamentos",

 quem não tinha as rádios, as televisões,

antes destes os jornais e seus barões,

fica restrita à suspiros, sem consentimento!!

 

Faz-se então da percepção do que é real,

 um jogo injusto, desumano, inconsistente,

que privilegia poderosos de forma desigual,

 

ao que propicia-se para toda a gente,

que trabalha e constrói tudo que há, afinal,

mas que perde sua voz e vez, brutalmente... 

  

segunda-feira, 27 de julho de 2026

De viver

 Sempre retorno ao ponto de olhar

pra dentro, pra ver, provar, saber,

o que sou, e o que ainda posso ser 

neste infinito que está por chegar!

 

A vida é um contínuo, e meio e fim,

são na verdade algumas nuances

de um jogo inexato, cheio de lances

sem derrotas, ou vitórias, nada assim...

 

E o único requisito é a atenção!

A memória conectando os passos,

o posterior amarrando os laços

 

com que cada um tece sua intenção!

No mais, sobra o prazer dos abraços

e a alegria de comer, beber, de uma canção... 

domingo, 26 de julho de 2026

Das mãos de Victor Jara

  Quase todos pensamos que a vida é dádiva...

Que produzimos belezas que marcam

e de farturas e delícias que nos encharcam...

Mas a história real escreveu outra missiva!

 

Victor Jara cantou lindezas generosamente,

em suas andanças pelas terras deste Sul,

sonhando farturas sob este céu azul

de nossa América de frio e sol ardentes...

 

E a brutalidade mais humana e desumana

fez da Poesia, da Música, do Encanto, vítimas

e da nossa experiência, uma dor insana,

 

que ressignificou nossa luta mais legítima:

fazer entre nós a boa convivência uma veterana

sem generais com nosso sangue no pijama... 

sábado, 25 de julho de 2026

Do direito

 

 Que direito tenho eu de ser feliz?

Neste mundo de incertezas tantas, 

guerras, mentiras, destruição das plantas,

dos bichos, das águas sempre por um triz??

 

Que direito tenho eu ao sonho,

à esperar e fazer novos caminhos,

quando já não sou, por dizer, novinho,

e já há tanto tempo pela terra me disponho?

 

A vida é única e múltipla, e ampla,

e dói de muitas formas as muitas dores,

e colore e sacia de infinitas cores e sabores...

 

Mas nunca se cobre com apenas uma tampa,

antes, se agacha e pula, e fura corredores,

em qualquer lugar, onde o "ser feliz" se acampa... 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Iconoclastia

  Cada vez menos creio em segredos,

em mistérios fechados intencionalmente...

Ainda que não saibamos de nada, realmente,

isso acontece, muito mais, pelos nossos medos...

 

 O desconhecido é preenchido pelas crenças,

que quase sempre ajudam quem quer dominar!

E o receio de tudo, é em tudo e por tudo, um pilar

desta intenção de nos manter nesta doença,

 

que não nos deixa dar mais um passo, avançar

na direção do que é novo, que ao inédito construirá,

porque nos faz presos ao que deveríamos deixar 

 

para o que um novo lugar de olhar revelará,

e desfará o mistério feito pra nos aprisionar,

na invenção descabida, que então, não se sustentará!! 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

A que serve o dia

Imagem gratuita: haste, silhueta, luz de fundo, pôr do sol, flores silvestres, raios solares, Luz do sol, natureza, flor, flora 

 O amanhecer traz mais que o dia,

 que a claridade que apaga a sombra...

 Traz a eternidade do que deslumbra

no renascimento, cotidiano, da alegria!!

 

Em cada gesto que fazemos pela vida

se renova em nós a chama do desejo

de ver o novo, com calor e sabor de beijos

de sentir o corpo com energia aguerrida!

 

Não da guerra que os cruéis inventaram!

Antes da sagrada peleja que vira alimento,

vira teto, bebida, coberta, carinho e sustento,

 

que serve a todos os que necessitaram

e serve a quem serviu, pra seu alento,

de saber que o dia será dos que serviram!

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Definitivo argumento

 

Quando o sono emular o existir

e fizer a lida da perfeição criativa,

e criar no sonho a memória gerativa,

 que parirá força e confiança no porvir,

 

seremos o tempo novo, a revolução,

que versada em cantos nos re-criará,

humanos de uma espécie ainda não há,

mas que haverá, de partilha e comunhão.

 

O que está por vir não cabe no pensamento!

A lógica fria não entende a fartura,

antes, cria morticínios pra qualquer ternura,

 

e justifica nossa existência como tormento!

Nos sonhos, nos libertaremos na candura,

e seremos da novidade, da paz, definitivo argumento! 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Horizonte

  O horizonte se aponta no coração

no pensamento, na prática do dia,

nos intentos colocados em primazia,

na verdade que pode ser vista na intenção...

 

O destino será tecido ponto a ponto,

linha a linha, juntando as várias cores

nas práticas, nos gestos, nos calores,

no escuro/amargo da dor que afronto,

 

no doce leve da alegria que rio,

na certeza de que a beleza seguirá,

como ligasse o que foi e o que será,

 

e cerca e amplia, como nos ligasse um fio,

que do oceano nos retira e nos reporá,

e criará o que somos, nesta vida mar bravio... 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

De todo dia

 

Avançar um passo, mudar de posição,

olhar de um outro ponto de vista

a mesma cena tantas vezes vista,

mesmo que de uma fraccional transição...

 

A vida (nos) enche de estranhos medos,

alheios ao que somos, mesmo assim presentes,

que parecem ignorar quem és, ou sentes,

e que talvez se escondam em perdidos segredos...

 

Pra escapar deles, só seguindo adiante,

passo atrás de passo, todos os (santos?) dias.

Olhar pro céu como se nunca visto antes,

 

olhar pra grama, pra Formiga, pra coisas fugidias,

ser Milton Santos e Manuel de Barros, Cervantes,

e galopar, lança em punho nos ventos da rebeldia!! 

domingo, 19 de julho de 2026

Do desejo

 

 Todos os dias a morte nos ameaça,

no cotidiano que nos é obrigação,

 se perdemos o rumo de nossas barcaças,

e deixamos os sonhos por acomodação,

 

um "rigor mortis" periga se achegar,

mesmo que a citada esteja longe,

porque o hábito cego faz mais que o monge: 

Faz o vivente, cansado, não mais desejar...

 

O desejo, antes, cria em nós a vida!

Libera a coragem pra contradizer,

permite a esperança que nos deixa vencer,

 

 e aponta as cores que nos curam feridas,

ao nos encher os olhos de sabor e prazer,

e nos emprenhar da força que nasce dessa lida... 

sábado, 18 de julho de 2026

Da razão da jornada

Banco de imagens : árvore, natureza, floresta, caminho, ramo, Preto e branco, plantar, névoa, luz solar, manhã, folha, outono, Trevas, monocromático, Árvores, Madeiras, Floresta, habitat, Fotografia monocromática, Fenômeno atmosférico, Planta lenhosa ... 

 No escuro misterioso do caminho,

aparecem vez ou outra mensagens,

na forma de sustos, ruídos, visagens,

buracos, troncos, pirambeiras, espinhos...

 

Seguir o rumo é suplantar as travas,

os triviais desvios, medos, percalços,

não sentir pontadas em seus pés descalços

e enfrentar canhões apenas com clavas...

 

 Mas antes de qualquer coisa, esquecer,

do desejo e esperança da chegada,

que o caminho foi feito pra permanecer,

 

como foi feita pra perdurar a caminhada,

e cada passo existiu só mesmo pra ser

a razão inicial e final de nossa jornada!! 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

De Nanã, a orígem da vida

DeviantArt - The Largest Online Art Gallery and Community 

 Onde água e terra se tocam

a vida sempre brotou ligeira,

leve, farta, eterna e passageira...

Dali, cantos ancestrais nos evocam...

 

Dos "Mangues de Nanã" viemos!

E tudo que se move, respira, dança,

(se e nos) transforma, alça, avança,

pra que em nós e por nós nos alcemos

 

à vida plena que todos nós merecemos!

Esta nossa terra é um presente do brejo!

Dele, a existência se arrastou, do que vemos

 

ao que nem no mais furtivo lampejo,

em nosso caminhar sequer imaginamos,

pois tudo vem por Nanã, e seu desejo... 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Da vida plena

 Quase "planando" sobre a água rasa, 

Um pequeno inseto diáfano caça...

Não sei dizer qual sua família, ou raça,

apenas vejo que sua leveza não vaza

 

o líquido do laguinho que é sua casa,

onde se alimenta, caminha e procria,

numa relação intensa, sábia, sadia,

flutuando, suas pernas sendo como asas...

 

Essa minha constatação, parece, desimportante...

Afinal, o que este bichinho diz sobre nossa lida,

cheia de guerras e mortes a todo instante?

 

Não há uma resposta, por mim conhecida,

e penso que nem por ele, inseto "insignificante",

mas sei, que viver, é permitir plenamente a vida... 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Da lindeza do escuro


    Uma sombra, pro Sol, mais que tapar

faz crer existir uma fonte de luz

que aponta os caminhos, e neles conduz

toda gente, e a nós permite descansar...

 

A árvore do caminho não nega a claridade,

antes refresca a necessária jornada,

pra quem precisa chegar ao fim da estrada,

e cumprir seus deveres de necessidade...

 

A vida, como a recebemos nesta terra,

é composta de iluminação e penumbra,

de tons diversos, que, em cada um descerra,

 

várias belezas únicas que o olho vislumbra!!

Pois a semente, antes de ir ao alto, se enterra,

pra criar-nos na planta que alimenta e deslumbra.... 

terça-feira, 14 de julho de 2026

"Panta rei"

 Tudo corre, disse Aristóteles...

Todas as coisas se transformam

e seguem sendo o que são:

o que comes, bebes, ouves, lês....

 

Cada passo dado soa na eternidade,

como a certeza da busca incessante,

pelo que muda e volta a todo instante,

ou a tristeza e a alegria, em sua singularidade...

 

Disso todo dia nasce a esperança,

como uma certeza na corda bamba,

no voo de um passarinho, sorriso de criança,

 

no ritmo, na harmonia, Choro ou Samba,

que aquece a vida e nos embala festanças,

e faz esperar que por fim, o Amor não sucumba...  

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Nosso melhor vinho

Caravela - World History Encyclopedia 

 Os navegantes que mais longe foram

em suas jornadas eivadas de improbabilidades,

no impensável, distante, somente chegaram

porque desprezavam qualquer "razoabilidade"...

 

Sonhavam muito mais que planejavam,

viam eternidades onde se dava o corte

dos ponderados em tudo temendo a morte,

e criavam pontes ondes os medos afundavam...

 

O novo nasce do desprezo pelo óbvio

A vida se cansa de repetir caminhos,

o galope se atrasa pelo apertar do estribo!

 

E por mais longe que formos, nunca sozinhos,

estaremos, pois o mundo é nossa tribo,

e descobrir o inédito é o (nosso) melhor vinho...  

 

domingo, 12 de julho de 2026

Deste mundo que criamos

 


 O planeta criou a humanidade,

entre árvores e montanhas, rios e vales...

E em cada planta e flor que colora e exale,

se fez o que o nosso caminhar invade,

 

e ocupa, buscando o lugar mais fecundo...

E assim, como fomos criados pela terra,

em nós se criou a tristeza, a beleza e a guerra,

a fartura e a fome, o amor e o ódio, e criamos o mundo...

 

Mundo que não é mais só o lugar onde vivemos!

É tudo mais que temos feito dele, nossas relações.

Assim além de uma bela vista, que vemos,

 

estão nossos desejos, malfeitos, possessões,

 pois não somos mais o animal que conhecemos,

mas deuses imperfeitos, vítimas de nossas criações...

sábado, 11 de julho de 2026

Do que fazemos hoje, e do que (disto) virá

 Num campo de encontros e batalhas,

vivemos instantes, sustos e partilhas

ladramos junto às nossas matilhas,

e nos perdemos em meio às nossas falhas...

 

E tudo que sobrar lançar-se-á ao ar,

e virará poeira entre sedimentos,

pedaços soltos de algum avulso pensar,

como as folhas que dançarão no vento!

 

Assim se poderá descrever este momento 

que vivemos sem saber se amanhã,

haverá vida, terra, risada e assento,

 

pois nossa atitude é a principal tecelã

que expõe fora o que nos está por dentro,

e do (nosso) futuro é a única guardiã... 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Hino de louvor aos mártires

 File:Ayatollah Sayyed Ali Khamenei In the twenty-eighth anniversary of the  demise of Imam Khomeini 02.jpg - Wikimedia Commons

A luta pela sobrevivência da humanidade

disporá de armas sensíveis, delicadas,

como a Poesia, a Música, a verdade falada,

além das pedras, as balas, a corajosa vontade,

 

que move combatentes com fome e frio

a avançar sobre os covardes armados,

que assassinam crianças e desavisados,

e enchem de sangue mártir os mares e rios!

 

A luta já não é mais pelas nações...

Antes, pelo direito universal à vida,

que segue atacado e cheio de feridas

 

e faz que sejam de combate todas as canções

em honra aos que enfrentam a perfídia

da morte que se alimenta de medo e cifrões...

quinta-feira, 9 de julho de 2026

De onde saímos

           A jornada de sermos humanos

começa no olharmos pra fora,

 pra tudo de que nos cercamos

rios, pedras, vento, fauna, flora...

 

E então fazê-los de novo por dentro

pra depois tirá-los novamente

e pintá-los, cantá-los, tocá-los no vento

ou nas paredes onde as vejam toda gente...

 

Penso, e isto é uma abstração,

que sejamos humanos porque abstraímos

e recriamos tudo que somos em nossa criação,

 

e as figuras, sons e palavras que de nós extraímos,

não são mais os objetos, mas sua representação

a nos fazer o que somos, pra onde vamos, de onde saímos... 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

De seguir

          

 

 

 

   Todo dia uma verdade desconhecida

traz o que nem se percebia até então, 

e soa forte em canto de revelação

como a música tema desta nossa vida: 

  

   "Somos só nós nesta nossa construção"!!

 E onde parecia haver parceria, amizade,

se esconde a desmotivação da instabilidade,

e seguir adiante é o caminho de nossa ascensão...

 

Porque esta nossa jornada tem rumo,

tem sentimento, força, raiz e razão,

 e nossa música tem nos mostrado o prumo

 

e esticado as cordas pra garantir nossa afinação,

(que sermos afinados se faz nosso resumo),

como também é o sucesso nossa destinação... 

terça-feira, 7 de julho de 2026

De onde é meu lar

 

                                             Na manhã inesperada,

          e bendita,

salto da tristeza desesperada

à alegria infinita!

 

Canto, como um pássaro assustado,

me deito, como um cavalo cansado...

Não sei, ou cogito, só adivinho,

entre fomes, sedes, dores e vinhos...

 

Então um Poema pobre

               nasce do nada,

ou do ar que nos cobre,

ou da poeira da estrada...

 

E por isso mesmo, vou caminhar!

Que o vento traz pó, chuva e perfume,

e, nesta vida, em mim, tudo se resume

em entender que o caminho é meu lar!! 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

De nascermos como "Povo"

 Mais rápido ir, que voltar,

se a gente é esperto, e não se apega,

muito ligeiro salta, e chega,

enquanto quem volta nunca vai chegar...

 

 O Cometa, segue voando entorno,

e  se entorna na rota de existir

como nos parece que a pluma, está a subir,

ou que o Universo se expande sem retorno...

 

Assim o vento sopra (a gente) pro novo

como a Gazela que salta da visão

e da fome atenta e reta do Leão...

 

Vamos fazendo de tela a casca desse ovo,

alimentando com o nosso corpo/lenha este fogão,

porque, no inaudito, nasceremos como "Povo"!! 

 

domingo, 5 de julho de 2026

Argel e a redenção do mundo

  Numa noite fria, em Argel

os ventos cantavam junto aos cães, ladrando

em versos que sopravam meus instintos réus

e, nem sei porque, seguiam me acusando...  

 

Ardiam as memórias do fogo nos corpos

do horror da violência, da vil condenação

dos que nasceram sem ter da Europa a permissão

e nada mais podiam esperar, além de serem mortos...

 

Dentro do meu peito, claudicava o coração

sentindo a angústia do triste francês legado

que encheu a história de vergonha e estupefação...

 

Segui esperando certezas num mundo de inexatidão,

agora sendo naquele solo tão lindo, fecundado,

pelas sementes da redentora Argelina Revolução!!  

sábado, 4 de julho de 2026

Bizarria

 

O estrondo no tempo, rondante,

redondo, rompendo-se no vento

um rocambole desarabesco, sendo,

nos rompe e liga, neste, e em todo instante...

 

Hoje vivemos a vida aberta,

carta certeira, de uma carteira morta,

som, onde o mar ronca e liberta,

e a mais reta via, é a mais torta!

 

Nestes dias de glória e cantoria,

faremo-nos ser o que somos:

cantantes da dor e da alegria!

 

Que de tudo, e em tudo nos compomos,

feitos de versos anarquistas todo dia,

e a bizarria (de querermos) ser melhores todo dia...  

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Autodialogicidade

Numa sombra improvável

me encontrei com a luz...

 

No barulho agudo, impossível

houve silêncio dentro de mim...

 

No movimento mais insano,

apareceu a tranquilidade no meu espírito...

 

Por fim, quando tudo parecia perdido,

acabei por me achar...

 

Eu voo por onde caminho,

rastejo no vento!

Sou multidão, sozinho,

por fora menor que por dentro... 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Das faces

 
A vida é sede.
E as vezes, o que chega
é só fel que amarga e cega
quando puxas a rede...
 
A vida é fome.
E as vezes o que passa
é a dor que sangra e amassa
e faz do conhecido, um sem nome...
 
A vida urge.
Feito um Colibri feroz
que arranha e ruge...
 
A vida treme.
Feito um abraço amoroso
que esmaga e espreme...  

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Do "voo raiz", o voo da Floresta

Na Floresta as árvores voam 

com as asas das Aves e Passarinhos

e viajam por todo canto

desde os galhos que abrigam seus ninhos...

 

Desta mesma maneira

as raizes que as alimentam

as fazem crescer e as sustentam,

vem dos Pássaros (que vivem) em cada planta...

 

A vida voa em cada raiz no solo

em todo caule e flor

que se lança no vento e calor

 e que se senta, no vento, em seu colo...

 

A Floresta tem asas múltiplas, coloridas,

e alça voo nas pequeninas plantas do chão,

que na simplicidade de sua imensidão,

planam na singularidade de cada vida...