segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Vens?

 O sonho não se guarda: ou se vive

ou se esquece, se deixa, se "subterfugia"!

Feito um açude, que mar se pretendia,

mas seca, e sua boca não mais salive,

 

quando tu te lembrares do que te esperava,

do cheiro nas ruas que teu nariz sentia,

só de imaginar os sabores que tua boca queria... 

Tu sabes que o sonho era o que tudo te dava...

 

Mas, o deixaste pra depois: "sou muito jovem",

"sou muito velho", "sou pobre", "sou lento"...

Preferiste a cama proletária à liberdade do relento! 

 

E muito tarde descobriste que não se comovem,

os que diziam que tua renúncia era divino mandamento,

e só tu chorou ao lembrar, do sonho a perguntar: "vens"?

domingo, 30 de agosto de 2026

Revelação

  As Raposas elegem o Sabujo como amigo.

As galinhas, quem as faz ao molho pardo,

os jumentos a quem neles põe o pesado fardo,

e os trabalhadores, ao seu colega, de inimigo...

 

 A faca corta a carne que já foi abatida!

A trabalhadora limpa o chão de outra casa,

não a sua, onde suas crias são abandonadas,

e o pedreiro não mora na mansão por ele erguida...

 

O mundo não "pertence" a quem o constrói!

Não pertencem a quem as elabora, as riquezas!

Quem produz a comida nem sempre a tem na mesa,

 

e quem faz o remédio vê o filho chorar, porque dói,

e a fartura é um sonho distante, pra quem trabalha...

Mas nas casas dos patrões, nestas nunca falha...

sábado, 29 de agosto de 2026

Nosso legado criativo

  Este nosso velho planeta é bem grande,

retumbante, sólido, audaz, feroz e viçoso!

Cria muita vida nos ambientes, é generoso,

e as mais belas imagens por onde se expande...

 

Por outro lado é miúdo e frágil, um menino,

correndo assustado na roda do Universo,

onde a matéria é intensa, e o poder disperso,

mostrando que o nosso mundo é bem pequenino...

 

Assim nossa existência é a consciência do cosmos,

que num lapso do infinito movimento se permitiu

assistir a si, olhar pra dentro, saber que existiu,

 

e se manifesta neste apreender, que enfim, somos,

e que gera nossas todas sociedades, enredos, Poesias,

e brinda o incriado, como um legado, todos os dias... 

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Do direito de voar

  No centro da luta, na direção do vento,

sigo os passos dos que antes estiveram,

e a maior parte de suas vidas doaram,

ao sonho de clarear este mundo cinzento.

 

Acreditar que podemos viver sem angústias,

sem o peso de gente com fome e frio ao lado:

Que a riqueza da vida é o dom compartilhado,

e a fartura chegará a todos, por todas as vias...

 

Então, me levanto hoje, (e nem sempre consigo),

projetando a labuta, seguindo o meu plano maior,

 que é compartilhar a esperança, o pão, o calor,

 

da plenitude não dada como aquele gesto antigo,

da caridade que superioriza ao ser que doa,

mas o da mãe ave, feliz porque o filhote voa...

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Das pelejas comigo

  

A metáfora do mundo que sempre me visita,

é aquela onde a gente no fio, se equilibrando

está sobre raivas e medos , que andam em bando,

lembrando que passar sem cair, é a própria vida...

 

A tal "cabeça no lugar" custa uma capacidade,

que nem tem a ver com força, ou inteligência...

Apenas com o dom de manter a mesma cadência,

de olho no destino, sem se distrair com a vaidade...

 

Porque o que me faz perder o tino é a impressão,

de que eu sei de tudo, conheço caminhos e voltas,

e que só tem sentido e razão as minhas rotas...

 

Então perder o debate me permite a realização,

de aprender o inusitado, experimentar a sensação

de novas belezas, em humildade e leveza envoltas... 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Velhas novidades!

 O valor da certeza se perde no pensamento!

Pensar dá asas às dúvidas, e por isso gera

o inédito onde antes só o conhecido houvera,

e os caminhos abrem-se do infinito pra dentro...

 

Claro que isto mata muito do sossegado conforto.

 Não se pode deitar e esperar pelo conhecido,

e confiar que tudo é porque já foi estabelecido,

e acreditar que o caminho nunca será torto...

 

E esta será a maior ilusão da nossa existência!

Nada nunca está dado, e a estabilidade é renúncia

à verdade da vida, e o conhecimento é a denúncia

 

de que "tudo corre", dito por Aristóteles, em essência:

 O eterno é o sempre novo, repetido e alterado,

o "velho/novo/velho", já tantas vezes cantado.... 

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Do medo de ver

  A ciência tem, de diversas formas revelado,

 que o que podemos enxergar é tão pouco,

e o que vemos é tão míope, estrábico, louco,

e que grande, é o pedantismo a que somos atados...

 

A experiência humana é muito surpreendente!

Saímos de uma realidade biológica crua e inocente,

passando por uma violência teológica indecente,

até chegar a consciência da insignificância da gente...

 

Ainda que, este despertar ainda seja só possibilidade!

Grande parte de nossa gente ainda vive na sombra,

de crenças que inventam o que o medo vislumbra,

 

pra nos salvar da liberdade mortal da dura realidade!

Mas este Poema quer lembrar que a pequenez é força,

quando não aceitarmos mais ao que ao real distorça!!

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

De novo

 Num vaso d'água qualquer plantei minhas dores,

pra que elas fossem lavadas todos os dias.

Cada dor, se era por dentro, não apenas ardia:

queimava! Mas por fora eu as cobria de flores...

 

 Numa estrada de terra, apontei meus caminhos! 

Entre as árvores do mundo cantei todas as glórias,

e entre os camponeses fiz adimirarem as histórias

que criei, ou que vivi, acompanhado ou sozinho...

 

Não sabia mais que hoje, nem sei ou saberei!

Caminhar me ensina as mais velhas lições,

e entorna os mesmos caldos de tantos senões...

 

Mas o novo renova tudo aquilo que já pensei!

E pensar novamente transforma o que foi deixado,

e cria estradas novas nos trilhos já (tão) caminhados...

domingo, 23 de agosto de 2026

Do que nos floresce

 

 No escuro da noite foi que vi estrelas.

No silêncio da solidão encontrei respostas,

e o caminho limpo entre pedras postas,

e as mais lindas imagens longe das telas...

 

O inusitado se veste da mais linda nudez.

O chão mais empoeirado é o mais rico de vida,

o trabalhador humilde melhor domina a lida,

e o ser mais soberbo é feito de pura rudez...

 

A verdade, é que nas pontas se encontra o meio,

em cada vela que se infla o caminho se abre,

e o facão da roça corta melhor que o sabre!

 

E como a criança quando nasce, já sabe do seio,

nossa intuição de candura, de alegria nos cobre,

e a beleza do chão fecundo, de fartura e floreio. 

sábado, 22 de agosto de 2026

Do caminho

  Este que sou tem todas as humanidades!

De cada mulher que veio antes de eu nascer,

de cada criança que morreu antes de crescer,

de cada ancião que lutou pela nossa liberdade!

 

 No rosto desta bandeira que comigo levo,

vive o vermelho do sangue de homens e mulheres,

o verde das florestas que viraram labaredas de dores,

e a tinta amarga, e festiva, destes versos que escrevo.

 

 "Quando nasci neste mundo, sei que não nasci sozinho",

escreveu Pancho Villa na cela fria que ocupou,

quando para o sonho do coletivo humano se entregou!

 

E assim, em cada celebração, o sabor do vinho,

terá o suor de quem o colheu nos campos, e o semeou,

e apontará o novo dia, do bem comum, nosso caminho! 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Do tempo criatura

 

 O tempo por si, não é aquele que cria...

Entre nós existe a ideia de que o caminhar

dos dias, das eras, erigiu tudo que há...

Nada mais falso! Nada do que existe haveria!

 

O tempo é ele mesmo uma criação da labuta!

O sempre repetido agir, cotidianamente repensado:

A dialética lida de fazer, e do refletir acompanhado,

 foi que criou este mundo, que a gente disputa.

 

 A aparência de "rio", que damos à ele, mostra,

que mais que servi-lo, o criamos em movimento 

pra ser motor da vida, que levamos velas ao vento...

 

Ele aponta as contradições, de que a gente nem gosta,

mas que nos permitem refazer-nos, e criar momentos,

 e recriar formas novas, melhores que as a nós impostas... 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Novidade ancestral

 Nossos ancestrais já andavam por aqui

bem antes de imaginarmos viver assim...

São como rios vitais que deságuam em mim 

 e se mostram em como já vivemos, vivi...

 

Porque hoje lutamos forte contra a vida,

negando o conhecimento, a história, a ciência,

dizendo que os seres humanos em sua essência,

da solidariedade, do amor, tem a "chave" perdida...

 

Dizendo que alguns tem mais direitos que outros!

Que o alimento, as casas, as riquezas pertencem

 aos nascidos dos que roubaram, e por isso "vencem",

 

 e por isso desprezam os antigos, e atropelam soltos,

 um modo de vida igualitário, que a nós pertence,

desde os tempos imemoriais, hoje nas brumas envolto... 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Nomadia

 Pelas estradas mais cheias de lama

toquei este corpo/carroça pesado,

entre espinhos e dores por todo lado

e alegrias e belezas, momentos de fama...

 

Tudo construiu e constrói o que sou!

Cada acorde da minha Viola vibra

com a leveza e o peso destas fibras 

que amarram meu barco que se lançou...

 

E do convés, refaço e repenso contas,

 como fosse a lâmpada amarrada á frente,

 iluminando águas, trilhas, ventos e gentes,

 

porque o que trago leva adiante as pontas,

 e toda marcha é sempre novamente:

Pois a mim, o caminhar não amedronta!

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Sensores

 O imenso, o novo, as vezes espera

atrás da curva, da árvore, do muro,

surge de surpresa no momento escuro,

e inunda de luz, quando menos se espera...

 

 Ainda que a "não espera" seja relativa:

a cabeça que pensa não tem dados,

mas o corpo que sente já está ligado,

e sabe, e vibra, numa emoção viva...

 

O mundo, os fenômenos são maiores

que os nossos instrumentos para sabê-los,

e o que não vemos sabem nossos cabelos,

 

quando se arrepiam como fossem sensores,

ou os olhos veem um texto, sem poder lê-lo,

quando o existir se dá entre o amor, e os temores... 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Trotamundo

 Na saída de uma dada vida, achei a entrada.

Pra viver o que sempre sonhei certeiro,

(como o Colibri que só sabe voar ligeiro,

ou a Garça, um peixe em cada abaixada),

 

 eu pude me encontrar comigo, certamente,

apenas seguindo o que sempre fui, e sou,

vago latente, preciso errante, que voou

e rastejou em muitos céus mais perto e distantes...

 

E agora, com os pés firmes nestas ondas,

vou chegar ao céu, no meu próprio quintal!

Porque o que é mais definitivo, afinal,

 

são os rumos, escritos com esquadrias redondas, 

marcados pelo desejo de que não seja o mal

que prevaleça, quer ele apareça, ou se esconda...

domingo, 16 de agosto de 2026

Do tamanho do mundo

  "O mundo tem o tamanho de seus sonhos."

 Parece "coach" soprando prosa cabeluda,

ou frase de contracapa de livro de auto-ajuda,

pra aliviar o peso de nossos dias medonhos...

 

Mas o fato mesmo, é que a vida pede coragem,

como Rosa diria pela boca de seu Riobaldo,

pra vencer a lida, suas dores e rescaldos,

e chegar mais longe pra aproveitar a viagem...

 

Então, sonho mesmo sem limites, sem bordas,

porque acredito que o caminho é que vale,

e a montanha é menos o topo, mais que se a escale,

 

e construir o novo é como conquistar as hordas,

numa guerra sem armas, mas de cantos e bailes,

e o mundo terá o som da Viola ao trocar as cordas...

sábado, 15 de agosto de 2026

Do despertar

 

 À sombra do inusitado, pensei haver mistérios!

Não entendia os processos, e via transcendência!

Então pensei que o além, suplantava a decência,

e que os mediadores não tinham que ser sérios...

 

Um certo velho Karl comparava ao ópio

a prática impalpável de manejar o inefável,

como se a irracionalidade fosse inevitável

e o pensamento um aleatório caleidoscópio...

 

Mas o dia raia, em mim, e creio, na humanidade!

E muito pra lá do que "apenas pode ser sentido",

a luz de nossa vontade fará que o amor real, vivido,

 

que nos une povos e línguas em fraternidade,

 seja a concreta ação, não mais o "etéreo crido",

 mas o chão em que teremos Paz, Pão e Igualdade!

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Do acordo não acordado

Homem subindo morro Foto stock gratuita - Public Domain Pictures 

 Alguém me disse numa certa conversa

que a nossa vida é como uma montanha:

 "Até certa idade é "de subir" a campanha,

e na velhice, a existência "pede que se desça"...

 

E isto dito como uma verdade irrefutável!

Daquelas, que se contestada, assombra!

Da qual não se espera da dúvida, nem sombra,

e quem concorda recebe olhar de "louvável"...

 

Pois este senhor aqui, e sua senhora, não se alinham!

Nossos planos ainda são de querer ver lá em cima!

E buscar perfeito sabor, cor, prazer, nota, rima...

 

Pois pra nós é na cabeça que os planos definham,

e no passo seguinte é que se firma a caminhada,

e enquanto a gente puder caminhar, haverá estrada! 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Fidel

Imagem vetorial de Che Guevara e Fidel Castro | Public domain vectors 

O Sol é Luz e calor, e está em tudo

em cada fresta, em qualquer canto...

E até no escuro da noite de espantos,

o fogo, seu filho, é nosso escudo...

 

No claro do dia, a coragem cresce:

enfrentamos pelejas, abrimos caminhos,

viajamos distâncias a pé, sozinhos,

porque na claridade o que é, aparece...

 

Existem aqui na terra "pessoas sóis".

Gente cuja palavra nos alumia, dirige,

acalenta, impulsiona e afasta o que aflige...

 

 Alguns ainda estão, outros já não, entre nós.

Mas cada vez maior e mais importante seu papel!

 Neste dia de hoje bradamos: "Hasta siempre Fidel"!!

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Do perigo destes dias...

 Caneca Veneno ou Remédio (100% Preta) - Caneca Personalizada para Todas as Ocasiões!

 Um caminho sofrido, de pontas e asperezas,

moldado pela nossa humana experiência,

 nos ensina que aqueles que negam a Ciência

se valem de seus avanços pra firmar cruezas...

 

Pra fazer o mal, inventar as mais vis falsidades,

e garantir seus lucros, seu imoral poder,

mesmo que isso faça a humanidade perecer,

e ponha em risco os povos, a Cultura, as comunidades...

 

Essa gente, tão próximos de nós, nossos irmãos,

nascidos do mesmo jeito, de cotidiano igual,

com a diferença de "acharem a injúria normal",

 

 é tão vítima quanto somos, e não ficarão sãos,

quando o inferno do Fascismo cobrir a água de sal,

e tornar o alimento veneno, e o amor, maldição... 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Faróis do futuro

Banco de imagens : farol, céu, noite, Estrela, atmosfera, crepúsculo, torre, Casa clara 2900x4334 - - 11858 - Imagens Gratuitas - PxHere 

A humanidade caminha "caranguejamente":  

de lado, pra trás, bem pouco pra diante, 

que é, como a noite ter medo do dia brilhante,

ou o náufrago temer chegar na praia em frente...

 

 Assim, nos apegamos à ideias e medos,

nos grudamos nos hábitos, rumos, costumes,

como se todo o alimento sempre fosse estrume,

e o prazer fizesse a vida escapar pelos dedos...

 

Pois eu sonho hoje com um outro roteiro:

Quero profetizar um mundo de liberdade,

de sonhos realizáveis, de Paz, de verdade,

 

 de alegria sem culpa, de seres inteiros,

plenos de nossas todas potencialidades

pra sermos nós, do futuro, orientador luzeiro... 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Do desprezo pela nossa Cultura

 Violeiro na Janela (Study) - Almeida Junior, Painting, São… — PICRYL - Public Domain Media Search EngineA dureza da terra, onde labutamos o batente,

este, que vivemos todos os dias arrancando

do chão, nosso suor na labuta, pingando,

vem do coração endurecido de nossa gente.

 

Nosso povo que paga fortunas pros estrangeiros,

que cantam as belezas da sua terra, nas canções,

choram sentidos se quem canta, somos os peões,

e contam as moedas, com pena, de pagar aos Violeiros...

 

 Nossa gente, até a mais próxima, normalmente acha

normal que "o que é bom, vem de longe, de fora"...

Quem aqui nasce, ou imita o gringo, ou implora,

 

alguma migalha que, desprezível, suja de graxa,

não "faça falta" pra pagar a arte de quem nos explora,

 e não incomode o refinamento, que ao fim, nos rebaixa...

domingo, 9 de agosto de 2026

Das voltas do rio



A vida se descobre em atrapalhos...

As vezes um encontro inusitado, um erro

uma alegria surgindo no meio do desterro,

uma palavra dita torta, um ato falho...


Quem poderia imaginar que um "acidente",

pudesse organizar o caos solto, aleatório,

grudado em nossa vida como um acessório,

e nos tornasse sólidos e fortes, fogo ardente?


E assim nos encontramos além do razoável,

quando ninguém esperava mais reviravoltas

e a vida parecia sólida, fria, quase mesmo morta,


e reacendeu-se em tufões de força admirável!

E retomamos rumos, como um rio que se entorta,

e encontra seu caminho, rumo a um mar improvável...

sábado, 8 de agosto de 2026

Do tempo

Ilustração de ampulheta vintage Foto stock gratuita - Public Domain Pictures   

O tempo se passa solto, sem rédeas,

como, morro abaixo, um trem no trilho,

sem freios, como bala depois do gatilho,

seguindo o rumo, feito correnteza na cheia…


O tempo não tem mesmo leveza ou perdão!

Vai seguindo como se nada mais houvesse,

um eixo onde não se anda, apenas aparece,

e nos leva pra incerteza segura da solidão…


A imagem que nos assombra é a de um rio!

Onde devemos seguir, sem direito ao remo,

sem leme, poita, o “sem direito” extremo,


apenas deixar-nos levar, e tentar manter o brio...

Porque somos jogados num jogo gigante e pequeno,

onde a vida (deverá) sucumbir no vazio...

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Da natureza da sombra

Banco de imagens : árvore, natureza, floresta, grama, plantar, luz solar, manhã, folha, flor, andar, verde, outono, parque, sombra, botânica, estação, Árvores, Sombrio, Arvoredo, Floresta, habitat, humor, longe, área rural, Avenida arborizada, 

  A sombra as vezes se adensa, em sua essência

feita de interromper um caminho, da ação

do poste, do muro, da cerca, da obstrução

de fazer da luz que alumia, uma ausência...

 

Entretanto, ainda que com sua diáfana natureza,

ela é um alento primordial pro caminhante,

que usa o Sol pra buscá-la a todo instante,

e a tem na mais alta conta de utilidade e beleza...

 

A artesania de palavras que aqui emano,

tem esta "sômbrical" origem e genoma:

Não nasceu no Palácio, não tem diploma,

 

e pode até alguém considerar um engano...

Mas ela só nasce, nem sei cor, ou forma,

de um desejo insaciável de ser mais humano... 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Da história

 A vida cotidiana é feita por cada um

enquanto a história se verte coletiva...

E no encontro entre elas, uma narrativa

estabelece um procedimento comum,

 

ainda que estranho, mesmo surpreendente,

como se fossemos o que somos, e o que fomos,

mesmo quando não eramos nós que andávamos,

por este chão, na noite escura, no Sol ardente...

 

Assim, o estudo nos revela de nós o desconhecido,

o ainda não feito, mas feito pelos nossos, que antes

andaram nossos passos, incertos, tristes, vacilantes

 

 nestes "vales de sombra da morte", de novo lido,

novamente caminhado, passos eternos divagantes

que seguem rumo, ou ao velho, ou ao por nós preferido... 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Pra além da sensatez

 Todo dia construímos uma casa

dentro e fora, pedaço por pedaço,

tijolo, cimento, areia, água e aço,

e suor pra levantar o que pesa....

 

 Cada jornada diária aponta os rumos,

as diz pra onde apontamos as ventas,

e miramos forte, e enfrentamos demandas,

pra no fim da estrada avaliar o resumo,

 

de saber se tudo que se podia, se fez...

Ou se a gente não entregou o que havia

e não demos a necessária energia

 

pra elevar o prédio da nossa altivez,

e rebocar o luto com nossa alegria,

e fazer o impossível, pra além da sensatez... 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Revolução

 

A luta pela igualdade ocorre dentro e fora,

nas esferas da vida cotidiana e material,

e no íntimo de cada um, na alma individual,

que ao comportamento coletivo escora...

 

Porque o mundo é assim porque acreditamos,

que é como é pra ser, que "sempre foi assim,

que a injustiça é natural, e tudo que há, no fim

se repete porque esta é a forma como somos....

 

Desta forma, quando haviam reis, era certo,

quando pessoas eram escravizadas, era normal,

e mulheres apanharem, numa dominação mortal,

 

e as crianças abusadas por religiosos, no incerto

jogo da culpa, do medo, do silêncio habitual...

Mudar dentro e no mundo é nossa meta final...


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Andar

 

Contam os caminhantes que os vales

fazem sombra, cada hora de um lado

do rio que milenarmente ali tem passado,

e quem neles caminha, dela se vale...

 

O caminho ensina a si mesmo, e a vida

é nada mais que ele em si, um espelho

da jornada, um auto construído conselho

que cada um se dá, e aprende na própria lida.

 

Assim cada passo ensina o próximo,

e só foi dado porque foi apreendido,

de vários passos já dados e sentidos,

 

onde se organiza o movimento caótico

que no silêncio propaga um bramido,

de que nossa espécie, no andar tem existido... 

domingo, 2 de agosto de 2026

Do mês de agosto

 

 Sobre a terra seca do mês de agosto,

o vento espalha folhas caídas pelo chão,

como fossem do solo farinha de fazer pão

pra refazer a vida, num ciclo recomposto,

 

de nascimentos e quedas, de securas

e chuvas que no tempo certo virão,

como se fossem alternada respiração

 do corpo exposto desse solo que se cura...

 

Assim, pra quem sabe ver, existe beleza,

mesmo em uma paisagem bem áspera,

porque é um lindo ser vivo esta terra,

 

que nos encanta com momentos de leveza,

e nos assusta com força que mata e enterra,

onde o eterno há, em toda pequenez e grandeza...  

sábado, 1 de agosto de 2026

Da Lua cheia


 

Pode até não parecer, mas um gesto

pequeno, como pegar na sua mão,

num momento delicado, num senão,

fez nossa história ser maior que o resto...

 

As vezes o infinito se mostra no miúdo,

no ínfimo, no que costuma ser desprezado,

e que tantas vezes nós deixamos de lado,

mas que, no momento certo, conserta tudo...



 

Assim foi o começo do amor que vivo:

Um "pegar na mão, num momento leve,

e não planejado, autêntico e breve

 

em que minha mão se encontrou contigo,

e me encontrou no que, por dentro, me inscreve:

Lua cheia do nosso amor onde me abrigo!