segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Do que vem de mim

Quem realmente sou, este que escrevo estas linhas?
Quem habita este corpo, quem está aqui a versar?
Do que é feito meu sangue, de onde são estas vinhas,
Onde eu vinha todas as noites o vinho da lua provar?

Porque meu espírito é o portador desta maldição
Onde o resumo da ação que posso neste caminho viver
É o laço do cão que em tudo em mim faz porção
O bagaço do pão que na linha desta lida posso ter?

E, se sendo assim, sou este que em nada valho nada
E na margem do caminho sou a placa que indica o fim
Se sou o fim do atalho, a parte sem sentido da estrada,

Então porque devo ainda dar continuidade ao caminho carmim?
Porque, digo, devo ainda pagar meus erros de jornada
Sem mais mal influenciar o que é puro, com o que vem de mim!

domingo, 13 de novembro de 2011

Manter os passos da caminhada sem perder o rumo, ou a fé

A peleja de todo dia se dá sempre em duas dimensões
Nenhuma mais simples que a outra, nem mais fácil
A dimensão de fora, em que convivemos com a solidão
A dimensão de dentro em que a solidão é o mais difícil

Nas duas dimensões a meta e o inimigo a serem vencidos
São os mesmos, nos dois casos, a mesma luta e lida
Na primeira ocasião a contenda pede que se honre o assumido
Na segunda o honramento há de ser nosso caminho de ida

Tudo isto, no meio dos turbilhões que assolam nosso meio ambiente
No meio de furacões, tornados, torpedos e busca-pés
Entre inundações e alagamentos, rios de lama das enchentes

Ninguém pode ficar parado que o caminho exige pés
Que o caminho exige sempre que se siga, de qualquer forma, em frente
E é necessário manter os passos da caminhada, sem perder o rumo, ou a fé!

sábado, 12 de novembro de 2011

Sagrada alegria de um dia de bodas

No decorrer de hoje se instalou em minha vida a alegria
Que pode se dar pelos amigos que conheço da beleza
Da vida que carregam e se enredam pelas cores do dia
Pelas cores da gentil vivência que é levada com leveza

E a certeza de que Deus há de dar as condições pra se chegar
Aonde é devido, e faz sentido a nós, seres da estrada, do caminho
Que o dolorido alarido que o cantar nos dá a beleza de caminhar
Nos dará com a mão a forma mais alçada de nos livrarmos dos espinhos

E chegará o tempo do alento que dará a nós a graça
E dará a nós o tempo em que seremos não mais as rotas
E poucas lidas em que seremos flores nas praças

Flores nas ruas, calçadas, vielas e sábias rotas
Mas o próprio jardim, em que enfim nuvens esparsas
Manifestos da Sagrada alegria de um dia de bodas!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O Sol brilhou nesta manhã de sonhos

A manhã no dia hoje antes floresceu
Em galhos de palmas, em asas de bem-te-vis
Em cores eólicas o dia hoje se deu
E nos deu revoadas de araras e colibris

A pintura deste dia foi feita com espátulas
Nas mãos hábeis do celestial pintor
Que entre os quadros de árvores sem máculas
Bordou flores e folhas de tanta cor....

Que os olhos do coração encheu de gratidão
Que os ouvidos da tristeza deixou risonho
Legado de leveza que me fez pegar com a mão

O mal que, sem saber, me deixava até ali tristonho
E colocar em seu lugar o bem da imensidão
Pois que o Sol brilhou nesta manhã de sonhos!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Neste dia, a alguns dias, aqui chegaram flores

Neste dia de hoje celebro a alegria da chegada
De pessoas que são manifestações dos sublimes primores
Que muito mais se parecem com a essência encantada
E que em meu coração plantam canteiros de amores!

Neste dia de nuvens e frio e ventos que polinizam
Sinto as rajadas do calor que acalenta e conforta
Que nenhum desconforto traz, e que me tranquilizam
Enquanto sinto o Amor que escancara suas portas

Pois que hoje nasceram, a alguns dias, espatuladas
Pinturas de tons que transcendem as simples cores
Transcendem as formas que já foram um dia sonhadas

Transpassam as compreensões dos mais sublimes sabores
Pois que hoje celebraremos as tão importantes chegadas
Que neste dia, a alguns dias, aqui chegaram flores!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A cidade e suas faces de medo

Da janela escuto o som impiedoso das sirenes
Que anunciam que o carro de polícia vai passar
Que apontam o desespero de quem se treme
Só de pensar, na truculência, só de pensar...

Que o pobre vivente assustado só se assusta
Com a violência do mais forte que amedronta
Quem não conhece sua condição que sempre busca
A solução pro seu caminho que desaponta

Aos seus, sua família que espera fartura
Que espera riqueza, semelhante ao do enredo
Da novela, em que vida é sempre menos escura

E tudo e todos se fartam em farto arremedo
Da mentira que a ganância cria da usura
Pra esconder a cidade e suas faces de medo!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Neste dia frio, aquecido pelo calor da esperança

Eu que sinto alegria quando os dias se nublam
Pela ligação que tenho com o tépido, e a água
Me encanto quando sinto que os céus se turvam
E fazem clarear o mundo pelo lavar das mágoas

Que a beleza do nublado céu se traduz em gotas
Que cantam a música encantada da vida abundante
E solfejam o encanto que desfaz as vidas rotas
Em vida farta que se satisfaz com o que é bastante

Pois que a fartura é a delícia que nos liberta
E gera o tempo novo em que sopra o vento da bonança
E nos permite optar pela conduta altiva e certa

Que nos agrada, e nos conduz à grande liderança
De nossas vidas ajustadas à lida incerta
Neste dia frio, aquecido pelo calor da esperança!