quarta-feira, 30 de setembro de 2026

De nossa integralidade

 As pessoas podem ser ao mesmo tempo

odiosas e amorosas, alegres e tristes...

Podem ver a beleza inexata dos campos,

e odiar a singeleza sem mais dos ciprestes...

 

Rosa, pela fala de Riobaldo, sábio, mostrava,

que um assassino cruel podia ser bom pai,

assim como o carro de madeira, cantante, ia e vai,

sem que se percebesse o quanto ao Boi maltratava...

 

Cada um de nós tem por dentro o "melhor",

criado na vida, pelas relações esculpido,

que no caráter e nas escolhas é produzido,

 

do mesmo material com que fazemos o "pior"!

Em tudo nossa essência é manifesta da, e na lida,

com que tratamos os desafios e presentes da vida... 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Da essência do que somos


 

 A luta se consagra na vitalidade da esperança

e se renova em momentos de festa e de dor,

se cria em arrelias, bizarrias, glória e pavor,

e nos aparece como constante, desde crianças...

 

A peleja é a própria essência magna que transita

nas veias, artérias, sonhos e visões do vivente,

e em tudo que fazemos e pensamos está presente,

desde o sono, até o ganhar cotidiano da vida...

 

Por isso trabalhamos, e a isso chamamos lutar!

Porque a riqueza é concentrada longe da lida,

longe de quem a pratica, e de todo mundo cuida,

 

e fica nas mãos dos que não sabem trabalhar:

Só sabem absorver as fortunas que produzidas, 

pelos trabalhadores, que só tem a luta como saída...

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Tecnologia de rede

 


 Um dia mais quente que o habitual

nestes tempos em que o tempo muda,

deitado na rede, na varanda, bermuda,

na sombra, onde o Pequizeiro esconde o Sol... 

 

O calor me aquieta, me desfaz os ímpetos,

me apresenta a minha face sensata,

de quem espera pela hora firme e exata,

e me faz parecer anormalmente discreto...

 

Nem sei como já pude produzir nas quenturas,

pois que já vivi em lugares mais quentes!

Antes, sei que sempre muda o jeito da gente...

 

Sei também que hoje, valorizo (muito) a frescura,

e por isso hoje me sento monasticamente  na rede,

olhando redemoinhos, bebendo o que a sede pede... 

domingo, 27 de setembro de 2026

De nossa irmandade com as Cigarras

 As Cigarras entoam seu canto/arremate,

que encerra seu ciclo de terra e árvore...

Assim, nos nossos caminhos há quem crave,

um canto testemunha desse nosso combate...

 

Eu sinto o tempo seguido como um vazio,

que quero encher de notas e compassos,

pra validar com música o amplo espaço,

e criar por dentro um universo menos frio...

 

As Cigarras são companheiras deste ofício,

e no vento tem soltado suas longas sinfonias,

cheias de linhas melódicas, esperas e harmonias,

 

parindo sons como um pedreiro, a um edifício...

Quero que seja esta, também minha entrega!

E que nossa música seja a cola que nos agrega... 

sábado, 26 de setembro de 2026

Da criação, e da ilusão

 Algumas antigas tradições acreditavam

que o mundo, e tudo que existe dentro

foi feito pela palavra, da borda ao centro,

num tempo em que as ideias, por si, falavam...

 

Nessas épocas se pensava que o pensamento

era o que gerava toda a substância material!

E que uma entidade não nominável, e fatal,

sobrevoava os nadas, antes da água, luz e vento...

 

Pra justificar estas histórias, se inventaram outras,

contadas entre gerações, pra se formalizarem

e como "verdades ancestrais" se intitularem...

 

Até que fossem grafadas e registradas em letras,

o que lhes dava papel de inquestionável documento,

e a palavra tornada, da ilusão, real instrumento... 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Do medo, e do grito

  As coisas que inventamos parecem naturais,

como fossem irmãs do movimento dos astros,

dos Ursos saindo da hibernação nos claustros,

das águas fazendo cachoeiras caindo dos beirais...

 

Nossa percepção limitada sobre a existência

pra nós parece ser a mais perfeita e acurada,

investida de um verniz de petulância descarada,

ao se achar definitiva, e onisciente ciência...

 

Mas  o fato é que nosso conhecimento é fábula,

que dá nome ao que sentimos, e mal vemos,

apalpamos, cheiramos e as vezes comemos...

 

E o absolutizamos por ser uma espécie de fórmula,

por nós usada pra afastar o medo do desconhecido,

e assustar o etéreo com alto e confiante bramido!

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Reflexões sobre a eternidade

 

O que se vai, e o que fica desta jornada, 

deste transitar (consciente?) no Universo,

em que, cada um, segue solto submerso,

olhando pra dentro, janelas fechadas?

 

Acreditamos fortemente que o tempo,

de um lado, de nenhuma forma perdoa, 

e de outro, que nunca vazará nossa canoa...

Mas o que, de nós, sobrará, passado o vento? 

 

 Existe um dizer, de que a pessoa sobrevive

no criado, pelos seus feitos, ditos ou cantados,

e que remanesce cada vez que um destes é citado...

 

Mas a verdade é que a obra transborda, livre,

e é um composto de tudo que se é, misturado,

e o criador será sempre maior que seu legado...

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Retrocriação

 Este planeta que nos criou, espécie animal,

 feito de partículas e ânions, cátions, ventos,

 de minerais, e depois de alguns momentos

 da vida dada em toda extensão cardinal,

 

nós o reinventamos com um nome vagabundo,

como se o tivéssemos criado, desde seu começo,

pelas mãos de deusas e deuses, e seus tropeços,

pra que virasse o que gostamos chamar: "Mundo"!

 

Desde então, a trajetória deste globo espacial

se encheu de cores, sabores, odores e narrativas,

criadas para combater essa "sensação cativa",

 

que fabrica este lugar, tendo nós como referencial,

e gera explicações para o que ainda nem sabemos,

criando tudo que há, pelo que pensamos que somos... 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

De nossa pequena e grande importância

 A razão tantas vezes se mostra falha,

que simplesmente ter certeza, é erro,

porque o que ficou, só não foi ao desterro,

e o que foi, só não ficou aqui pra esta batalha...

 

O que vemos e sabemos de tudo o que existe

é tão pouco, que muito mal permite saber,

sobre o que nos cerca, e tendemos a entender

que ao por nós sabido, nada há que o obste.

 

Mas a dura verdade é que somos cegos tateando

no meio de um universo virtualmente infinito,

escuro, claro, colorido e absurdamente bonito,

 

quente e frio demais, e que vai nos mostrando,

nosso papel de sermos seu despertar consciente,

ínfimos e incapazes, mas loquazes seres sapientes...

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Autodeterminação

 A Paz e a Soberania de cada povo do mundo,

são a base pra existência de cada ser humano

livre, e em tudo de beleza e sabedoria, pleno

criando, mãos dadas com todos, futuro fecundo...

 

O direito, inalienável, de ser o que se é, existe,

se não afetar o direito de todos, e cada um,

que a liberdade não excetua ninguém, nenhum,

e será conquistada por cada alforro que resiste!

 

 E resistir é se rebelar contra a fartura ter preço,

se medir numa riqueza que é expressão do roubo,

 e ser embasada na vil capacidade de ser lobo,

 

e dizer: "Sou mais próspero e livre porque mereço"!

A autodeterminação não é dádiva dada por alguém,

ou alguma organização! Vem antes de tudo, vai além...

domingo, 20 de setembro de 2026

Da labuta, e seus prêmios

 A labuta de sempre, em nós, nos cria

porque nos permite gestar o inaudito,

fecundar por dentro tantos infinitos,

que no eterno se farão luzeiros guias!

 

 O trabalho de compor o que não se viu,

gera alegrias onde prosperariam tristezas,

e no céu mais cinzento, cores de belezas,

e acordes e melodias como nunca se ouviu...

 

Mas, como qualquer trabalho, fica uma parte

de quem o pari, numa labuta longa e forte,

que estabelece a vida, mas bordeja a morte...

 

 Pois não haverão delícias sem fogo que arde,

não existirá saciedade sem a força da chuva,

que enxurra a vida, mas nos dá o vinho das uvas... 

sábado, 19 de setembro de 2026

A ação mais humana

  O caminho fala sobre nossa humanidade,

mais que estarmos presos a um só lugar!

É que nossa história foi feita mais de andar,

do que da ilusória e venenosa estabilidade...

 

Os imigrantes somos os verdadeiros humanos,

pois o lugar onde nascemos não nos comporta,

e praqueles que nos viram pequenos não importa

quem de fato somos, ou no tempo nos tornamos...

 

O vagar nos permite ver a vida mais ampla,

estar aqui e ali nos permite melhor entender,

que o ser humano existe apenas no "se mover",

 

e pra quem espera conhecer além da tampa,

e se banhar no conhecimento mais profundo,

a única recomendação é perambular pelo mundo... 

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Da Felicidade

 

Este chão, de andar e firmarmos as pernas,

as rodas, os alicerces, plantarmos a comida,

erguermos as casas e praticarmos nossa lida,

não é pra ser proveito de uns, de outros pena...

 

A terra é parte da humanidade, e esta dela,

como árvore e galhos, água e plantas e animais,

ventos e velas, bebê e leitinho, caminhos e portais,

tinta, pincel, a inspiração e o que aparece na tela...

 

 A ilusão da propriedade privada nos destrói:

Cria-nos seres famintos, exércitos de sofrimento,

e nos faz passar pela vida como fosse um tormento...

 

Quando é na verdade uma dádiva que se constrói,

e na partilha se emancipa, e ganha enormidades,

pra gerar pra toda gente fartura e felicidades!! 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Tempos tenebrosos

 Um som que respinga do passado insepulto,

como fosse um eco de canção não terminada,

uma imagem que se repete em outra estrada,

uma escuridão no meio do dia pedindo indulto...

 

 Assim seguimos neste nosso tempo tão perigoso,

em que reaparecem das sombras vis vampiros,

a roubar nosso sangue pra alimentar seus giros,

suas festas, seus luxos e seu orgulho asqueroso! 

 

Mesmo com tristeza e cansaço só nos resta levantar,

e enfrentar com força e fé a desfaçatez deste tempo,

 sabendo que a vilania da ganância há também dentro!

 

Então, a luta nunca é só por fora, bravamente lutar,

mas entender o que nos habita desta odiosa luxúria,

que nos destrói, e a tudo, por sua natureza espúria... 

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Da lição da Flor de Pequi

 

O Pequi nos floresce em meio à secura,

não só porque busca a água no fundo,

ou porque o solo do Cerrado é fecundo,

mas antes por sua esperança, forte e pura!

 

Assim há de ser esta santa e cotidiana luta:

quando enfrentamos acres incompreensões,

(mesmo dadas as nossas harmonias e corações),

ainda veremos nascer o tempo novo desta labuta!

 

Pois as trilhas sempre se fizeram pelo caminhar,

e as pontes nasceram de árvores derrubadas

sobre os rios pra quem buscava alargar estradas,

 

e em outros lugares, perto ou longe, chegar!

E flores e frutos ensinam pra gente todo dia,

que a vida é o Pequi, que em sua beleza nos fia... 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Pra dizer das flores

 

O que realmente está em disputa no mundo?

Em que parte de tudo está a verdadeira questão?

Quem terá pra estes questionamentos a disposição,

de perguntar, pensar, e ir mesmo até o fundo?

 

Quando as certezas parecem feitas de vapor,

e as distâncias grandes de repente  se encurtam,

ou as pessoas mais sóbrias, do nada  surtam,

 o que pode gerar equilíbrio é observar uma flor!

 

Elas, inabaláveis, cumprem seu papel no planeta!

E justamente por serem frágeis, leves e coloridas,

é que carregam em si a base de toda a nossa vida!

 

E quando a areia do nosso tempo findar na ampulheta,

seguirão como corpo múltiplo, diáfano, essencial,

alegrando e fecundando a natureza, até o final...

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Surpresas libertadoras

 A novidade que rompe, que retumba,

que atravessa o tempo com balbúrdia,

inunda o coração de sensação estapafúrdia,

feito um "cristão com medo de Macumba"...

 

A realidade assusta ao parecer inédita,

encanta aos incautos, exagera os sentidos,

se espanta com o barulho intenso dos latidos,

ao jogar luz sobre o que estava preso na cripta...

 

Mas tudo se revelará em razão do movimento,

porque a água do riacho leva a lama, a areia,

que cobre tesouros ao acender "luz de candeia",

 

que iluminará quem somos, e através do tempo,

nos comoverá nas horas insuspeitas da surpresa,

mas que possibilitará achar a verdade sobre a mesa... 

domingo, 13 de setembro de 2026

Dos verdadeiros donos

  Enquanto alguém estiver com fome

ninguém será livre neste mundo!

Enquanto alguém dormir ao relento,

ninguém saberá da paz mais que o nome...

 

Não haverá entre os que comemos, segurança,

enquanto não houver hospitais pra toda gente,

e a polícia for violenta só com os mais carentes,

atacando periféricos, ameaçando até as crianças...

 

A fartura é dádiva apenas se compartilhada!

A alegria não pode conviver com a privação,

de uma parte do nosso povo sem a permissão

 

de ter direito ao que faz, em sua diária jornada!

Pois somos trabalhadoras e trabalhadores os donos,

e não os vagabundos reais, empoleirados nos tronos...

sábado, 12 de setembro de 2026

Do incerto

 O vento parou, ao longe um Sabiá canta.

Um barulho de avião distante, um zumbido,

os cachorros calados, as vezes um latido,

e o mundo parecendo que não mais se espanta...

 

A vida é um mistério, todo dia, cada minuto.

Se tem a impressão de que cessou o movimento,

de que as águas enfim se tornaram fundo barrento

do poço, da poça, e o fluir parou ante ao zero absoluto...

 

Mas eis que aparece o inusitado lambendo a cria,

e a certeza se mostra não mais que uma impressão,

e a rocha sólida se desfaz em terra na sua mão.

 

Então o canto do Sabiá que longe se ouvia,

se faz fundo da peça teatral que se mostra essa vida

que varre a praia com uma imensa onda de dúvida! 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Do que somos, e seremos

 O que nos vai no coração é mutável

em parte, no que não nos identifica...

No que define o nosso jeito de ser, se aplica,

 mudar, é de fato sempre inaceitável...

 

 Assim, troca-se o que se costumava comer,

 anda-se por novos caminhos a cada dia,

se esquece as tradicionais pequenas rebeldias

e se busca menos ditar, e cada vez mais ceder...

 

 O que não cambia, não sai da perspectiva,

é tentar mudar como o mundo pra nós se apresenta,

e a forma como a distribuição das riquezas se assenta!

 

Porque nestas coisas, da maneira mais objetiva,

se percebe o que somos, e o que queremos,

e dirá como vivemos, o que fomos, e seremos... 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

ESPERANÇAR

 File:Nascer do Sol Santos-SP 01.jpg - Wikimedia Commons

 Os dias sombrios recebem este nome

porque não se pode enxergar claramente,

na penumbra das nuvens, o Sol ausente,

até que o esplendor da luz, o dia retome...

 

Assim serão nossas jornadas na experiência

humana de sonhar um mundo novo, fraterno,

lutando a mais sagrada luta no ambiente externo,

e a peleja de dentro, que se usa deixar na dormência!

 

Sei que enxergar ao mundo e a si, no mais dói,

e a certeza mais antiga, é quase sempre armadilha,

e que a crença enraizada, no escuro da noite brilha...

 

Mas não há outro rumo pra quem a esperança constrói,

que se desfazer, e refazer, olhar o mundo de outro lugar,

e se nutrir da beleza que re-existe no verbo ESPERANÇAR!

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Do plantio

  

Na véspera de toda luminosa emancipação,

o ínfimo desprezível faz de tudo pra contaminar,

assorear com areia onde deveria haver o mar,

e preencher de trevas a mais natural claridão...

 

E segue sendo assim a muito, muito tempo,

quando, o frio mais intenso antecede a aurora,

ou nos instantes finais se sente maior a demora!

A grande construção parece só poeira e vento!

 

Este é o momento que vivemos nesta terra!

As forças mais nefastas tem se manifestado

justo porque temos, pra realidade, despertado,

 

e percebido que a tal liberdade não se encerra

na ilusão de olhar pro mundo como "fato dado",

mas que ela é fruto, pelo nosso suor plantado!

terça-feira, 8 de setembro de 2026

De como será

 

Nos cumpre acreditar que venceremos,

que a partilha estará acima dos ganhos,

 e criará um mundo fraterno do tamanho

de cada ser e comunidade, e saberemos,

 

que toda a luta, e vidas para ela cedidas,

farão um jardim de delícias para as crianças!

E cada instante em que nos fraqueja esperança,

alimentarão o Pomar onde as frutas serão colhidas...

 

Nossa peleja degusta sonhos, e constrói cidades!

E em todo rumo em que olha imagina o novo,

que será feito da festa encantada do nosso povo,

 

onde as mãos dadas embasarão toda a verdade,

e as assembleias terminarão em lindas Cirandas,

e as decisões serão validadas com café nas varandas... 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Dia de nossa autonomia

 

Num dia como esse, em que se celebra

a liberdade, a grande alegria de sermos povo,

quero cantar um canto com sabor de novo,

enquanto de prazer semicerro as pálpebras....

 

Mas que eu lembre que cantar não é dormir!

No nosso caso, é mais uma forma de guerra,

de apontar no rumo que só a igualdade encerra,

em que este "ser livre" toda gente possa sentir! 

 

Nosso canto se veste toda manhã do compromisso,

de dizer a cada irmã, ou irmão do seu direito,

que foi roubado pela ganância dos poucos eleitos,

 

e berrar: "acorda!" aos que ainda se deixam submissos

ao poder que nos furta, mas tem profunda dependência,

deste nosso povo, que hoje celebra sua independência... 

domingo, 6 de setembro de 2026

Trotamundo

  O mundo tem o tamanho dos nossos passos!

Esta é uma afirmação de quem tem a sorte,

é claro, de possuir corpo e mente sãos e fortes,

mas também a percepção do nosso tempo escasso...

 

A brevidade da vida, com a infinidade de tudo,

tendem a colocar no coração o senso de urgência,

que nos faz desejar multiplicar todas as experiências,

e conhecer o mais que pudermos deste mundo...

 

Assim, seguir andando independente das pernas,

do jeito que for possível, em cada canto do chão,

da água, do ar, nesta terra ou na distante imensidão,

 

nas pradarias, nas montanhas, mares, cavernas,

todos os lugares e vivências, juntos ou na solidão,

viver minutos por horas, nossa singularidade eterna... 

sábado, 5 de setembro de 2026

Rio escuro

 De dentro e sobre mim corre um antigo rio

de águas frias das dores que me passaram,

que ferem, ardem da frieza com que mataram

os sonhos que me fundaram, da bomba, o pavio...

 

Sinto tudo, cada simples coisa, como fosse eterna,

porque assim me dobram as costas ante o peso,

de parecer que o (meu) esforço merece desprezo,

 e a ferida fixa-se na cabeça, braços, tronco, pernas...

 

Sou todo uma força capaz de fortemente resistir,

mas também uma fragilidade que não brinca

com medo de acabar vendo em si uma trinca...

 

Sei que o eterno dará voltas além do meu existir 

e o tanto que é pequena, esta dor que sinto agora!

Por isso quero voltar a ver a luz sem mais demora! 

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Perguntas sobre o caminho

 Pra que, afinal, serve esta estrada que trilhamos?

Seu sentido estará na chegada, no ponto final,

na conclusão dos passos que damos, bem ou mal?

Ou o caminho só se justifica porque andamos?

 

Assim, o sentido do alimento habita no repouso,

que se pratica após a refeição em nossa cultura?

Ou o prazer maior se encontra na diária feitura,

como a alegria do amor estaria na busca do gozo?

 

O que este Poema busca, é antes de tudo o buscar!

O meio do processo é na verdade o que o justifica,

pelo escolher das palavras: a que sai, a que fica...

 

Porque a gente entra na água mais pra se molhar,

e sentir a leveza do corpo, que o boiar implica,

do que pela sensação de fim, de, do outro lado chegar... 

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Pra onde vamos

 

O mundo ainda nos cabe, e acho, ainda,

por muito tempo nos caberá os sonhos,

as vontades, as lidas, os desejos medonhos,

e a resiliência com que a esperança nos brinda!

 

Nossa existência se segura nas certezas

de que a luta levará ao que já vislumbramos:

Uma convivência onde, as mãos, nos damos,

 pra andarmos juntos, com igualdade e leveza!

 

E assim, quando nos entendermos coletivo,

e que a terra é generosa, e pede a partilha,

e que ninguém deve ser dono das trilhas, 

 

mas antes, os rumos e rotas não são cativos,

e servem à nós, pra sairmos destas ilhas,

na direção certa do nosso futuro altivo! 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Do que nos mostra a Poesia

 

 Dizer o que é necessário, de forma clara,

é uma ilusão que cabe em todas as partes:

O que e necessário? Quem define, reparte?

E o que é claro, se cada coisa tem muitas caras?

 

A ciência briga com a linguagem pela dubiedade!

É justo, mas nem sempre lembra que é da natureza

humana a diversidade das cartas, sobre as mesas,

que são tantas umas e outras, em busca da verdade...

 

Assim, vamos tateando na escuridão, sem esquecer,

de que existe a mentira, que se manifesta na intenção

de quem passa uma mensagem, do olhar sua expressão,

 

mas que mesmo entre os que a luz queremos merecer,

a imprecisão nos torna humanos, em busca da redenção,

de sermos honestos, no que pela Poesia conseguimos ver... 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Pra onde aponto

 Quantas guerras travadas foram vencidas,

mesmo com todas as batalhas perdidas,

por quem venceu, quantas dadas vidas?

 

Quanto esforço imenso, em apenas um dia, 

não chegou a lugar nenhum, nenhuma flor

ou fruto colhidos, apesar de tanto suor,

se não era perene e intensa a chama que ardia? 

 

Esse canto busca a pergunta sem resposta,

a solução que se sente se não se vira as costas,

e apenas pelas incessantes dúvidas postas... 

 

Esse caminho não tem chance de estar pronto,

apesar das multidões que já o caminharam...

Mesmo que exércitos neles, de dor pereceram,

todo prazer está nele, e pra ele é que aponto...