quarta-feira, 13 de junho de 2012

A hora é chegada!

Extenuação estrutural,
Viro-me em cursivos, cândidos,
Vôos vândalos contra vitrais virados,
Em que me espalho...

A vida vira-se pra mim,
Num sopro de frescura, que a beleza,
Mais pura,
Jamais vacilou
Porque sabia,
E esperou.

E assim os marcos da estrada,
Vão mostrando luzes e sinos
Vão por capinzais peregrinos,
E ensinar que a hora é chegada!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Nossos brinquedos antigos

Vi meninos correndo, não de medo,
Mas da força que pode ter a alegria
Traduzida em esperança todos os dias,
Na séria brincadeira que não tem enredo,

Mas que se re-cria cada vez, e sempre,
Em Divino improviso, em nada aleatório,
Que traduz o improvável em adjutório
Pra minha caminhada desde o ventre.

Pois que só por este brincar eu sigo,
Só pelos meninos posso entender os ais
Que vertem mesmo agora enquanto digo

Estes pobres versos que já não são mais
Do que a sombra dos brinquedos antigos
Que brincamos eu, meus filhos, meus pais...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Como cheguei nesta festa?

Neblina densa, sem chuva...
Raios passam rápidos
Ratos pelos rasgos
Rogos e togas por guarda-chuvas...

A música faz lembrar
O que fiz tanta força
Corri feito assustada corsa
Pra conseguir olvidar

O riso é tenso,
E toca tétrico as tampas
Das patéticas,
Palavras,
Com que te encanas...

E aí,
Só o que me resta,
É procurar a salvadora fresta,
Onde pra meus sentidos, festa:
poderei derramar meu xixi...

E,
Pra não mais voltar,
Vou-me embora daqui...

domingo, 10 de junho de 2012

Distante praia...

O vento me assanhou os cabelos,
Naquela praia, naquele dia distante
E o que vi não posso, não obstante,
Deixar de arrepiar-me os pelos,

Deixar de arremessar-me contra os muros,
Que das pedras da costa eu mesmo construí,
Que das costas de areia onde então me vi
Sentei-me pra chorar os meus escuros.

Pra ver que do Sol me encontrava com claros,
Com as delícias que sonhei pra esta experiência
Que chamo pelos nomes que me são caros,

Pelos nomes que vi nos manuais de ciência
Pra me trazer à memória pensamentos raros
Pras águas daquela distante praia me lavar a consciência...

sábado, 9 de junho de 2012

Tantos que choraram

Nas veredas desta imensa correria,
Nas tristezas que meu amor faz sentir
Meu coração leviano que faz sorrir
Da angustia que nem pensei que sentiria...

Neste tempo que vivo,
Mais que um pesar,
Um ombro amigo,
Me fez acreditar
Que nada é de fato
Tão antigo,
Como o relato
Disso que digo...

Tantos já passaram,
Tantos nos mesmos sentimentos
Tantos que choraram...

Hoje celebramos a poesia

Neste dia celebramos,
Cantamos, contamos,  nos rimos,
Nos vimos,
Nestes lugares de que tanto gostamos,
E cada vez mais juntos, seguimos.

Na beleza sem par deste dia,
Unidos recebemos a graça
Da mais pura graça da poesia!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Quando subiremos pro ninho

Os vapores da terra subiram rumo às estrelas,
Como os calores que os sumos da vida extraem
E novos sumos surgiram, em andares que saem
Dos prédios da consciência viva, que nos cabe tê-la!

Que nos cabe senti-las sobre nós em noite aberta,
Em noite límpida onde as claridades sugerem o dia
Que chegará nas matinas encantadas das alegrias
Que aquecerá com uma ternura que supera as cobertas

Que nos aquecem nas noites da caminhada santa,
De que fundamentalmente se consiste este caminho,
Que caminhar é porque estamos nesta peleja tanta,

Nesta lida que nos levanta e mostra onde está o espinho,
Que nos fere os pés, e nos atravessa na garganta,
Até chegar o tempo, em que feito os vapores, subiremos pro ninho