sexta-feira, 8 de março de 2013

Confiar feito criança

E eu, que ontem, outro dia, nada sabia,
Hoje, sei mais que qualquer um de mim
Antes de estar agora neste sendo assim,
Antes de ocupar esta cabina que assobia!

Sim, porque minha cabina assobia forte,
Como fosse uma caçadora de aromas
Fosse um pescador de perfumes e bromas,
Minha cabina assobia pra eu cantar além da morte.

Cantar hoje pra aqueles que quiserem, primazia
A sentença da beleza entre as agruras da vida,
A esperança da leveza que a tudo consolida,

Canto pra aqueles que querem, neste dia,
Como quem sopra seguro de si o trilho da esperança,
Que no dia de hoje me faz confiar feito criança!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Pelo vindouro dia!

Não sei, as vezes, se sigo ou solto,
Se viro, ou volto, se fico, ou fico, ou
Como um cavalo que não se selou,
E foi montado como fosse outro...

Nem parecia que eu estava por aqui!
Parecia mesmo que o tempo dava voltas,
Sem sair do mesmo lugar em que sempre volta,
Sem passar da sentença que pedi...

Sei que um dia passará toda esta dor!
Sei que um dia será só dia de alegria,
Que os passarinhos cantarão velhas melodias

Que nos renovarão além de toda cor,
Que nos remeterão ao canto que floria,
Em toda boca ansiosa pelo vindouro dia!

terça-feira, 5 de março de 2013

Divina Realidade

Quanto é que eu devo assuntar, assumir?
Do que me é construído, levantado, erigido,
Quanto me é possível ter sido optado, querido?
Mas a pena, a paga, é por tudo que chegou a vir?

Eu sei que as vezes sei que estou errado,
Sei da dor que cada gesto pode nos dar,
Vi já tantas vezes, nas voltas, o manche soltar,
Mas ele vai pro lado que está acostumado...

Eu sou um navio, um catamarã colorido
Dois cascos, peso e conforto, velocidade
Alegria e leveza, mas qual o rumo de verdade?

Olho pro céu, que de estrelado, parece florido
Ali, no balanço das águas, meu casco de qualidade,
Há de me fazer avançar e ver a Divina Realidade

segunda-feira, 4 de março de 2013

De solto, a caminhar

Naquela praia distante, o mar respingava,
Mesmo mais longe, onde o mato se subia,
E a borda da mata a praia, lasciva, lambia,
E das veredas da serra a água doce chegava.

Ali, naquela praia, onde a mata esconde,
Canindés e maritacas, jandaias e jacús,
Pés-virados, manacás, borrachudos e jaús,
Senti o respingo do mar que me tirou de onde...

No cheiro doce e amargo da floresta fresca,
No dia quente, no Sol das terras sem roupas,
Do povo amigo que não leva vergonha á testa,

Lá, onde o inverno revela dificuldades poucas,
E o verão, hão de ver, anúncios da fartura da festa,
Ali, minha caminhada nestas terras era solta!

domingo, 3 de março de 2013

Ciência de verdade

E as incongruências, e as belezas encachoeiradas,
Ventanias das essências, lagoas de delícias,
Vilanias cercadas da gentileza original dos inícios,
Arremates das certezas dispersas pelo meio do nada...

E tudo junto, anexado, justo, impreciso e aturdido,
Em meio aos tantos pés de vento por nós voando,
Alegrias da noite e do dia, da vida em nós passando
Feito o orvalho que molha quando tudo está dormido,

E mata a sede de quem está precisando, no deserto,
De uma gota que seja, um pouquinho de umidade,
Entre o que não se publica e um pouco da saudade,

Que todos os que amamos, temos, de certo,
Independente da qualidade de cada amizade,
De cada amigo, incomum ciência a de verdade...

sábado, 2 de março de 2013

Tango da dúvida

E tudo que passei, tinha que ter acontecido, por fim?
É o que parece afirmar a realidade, soberana!
Nada seria diferente desta dor agúda e insana,
Simplesmente por que já fomos feitos assim?

Por vezes, nesta viagem, sinto como sempre fosse,
A paisagem não mudasse nunca, e meu barco seguisse,
Como quem não segue, amarrado ainda insistisse,
E pela frente só o mar, sem cheiro de fruta doce...

E dentro da redoma da vida que pulsa no espírito,
Que segue além das expressões da corporalidade
Que nada em meio à tudo com Divina naturalidade,

Eu, peixe do aquário que se formou na redoma, insisto,
Re-existo, rastejo e salto na busca da Paz pela eternidade:
Como explico a mim mesmo tanta dor que dói de verdade?

sexta-feira, 1 de março de 2013

É

É,
É este tempo um tempo de gente que quer,
Que brinca, que samba,
Replica, espanta,
Aceita e implica,
Mas mantém na guarida,
Amor!

É,
É este um ciclo amarrado ao infinito,
E é uma corda bamba,
Em que tudo se firma,
Banana, açucar de manga,
Vento e vida se anima,
E flor!

É,
É esta a alegria caminhada, empoeirada, linda,
Que o mel dos latões me lambam,
Como já os lambi,
Onde apenas um quer, todos sambam,
Muito lá além daqui,
Calor!

É,
É que o samba tem um fogo que arde sem parar,
Vem vindo lá do eita a Senhora Semba,
Do jongo dos quilombos, da Sussa e Lundú,
Mãos dadas em Cirandas
Cacuriás, Congos, Maracatús
Um valor!