quinta-feira, 21 de março de 2013

Sempre fui dali...

No vão raso da copa da casa velha,
Morava uma senhora desde sendo moça,
Menina ainda, entre rendas e louças,
Quando já eram velhas as velhas telhas...

Ali, entre brocados e brasões,
Numa vida que não tinha que contar tostões,

Eu,
Um dia nasci!

E da senhora velha, do vão raso da copa,
Em sua casa velha de onde sempre foi senhora,
Ela me olhou por dentro os olhos uma hora,
E não foi mais que instantes, que não se nota...

E entre viçosas estampas e alfinetes,
Entre camurças e brocados, viés, sinetes....

Eu,
Dali parti!

Mas a velha senhora inda mora em mim,
Nos sonhos que me buscam onde moro,
Nos medos e defeitos que não ignoro,
São o que tem me mantido assim...

E agora, nas diversas casas que há no mundo,
Uma delas se achegou do desejo profundo,

Eu,
Sempre fui dali!

quarta-feira, 20 de março de 2013

Novo ser

Me pareço com o que não quero,
Quando me encontro com o parecer,
Desfaço o pranto por um querer querer,
E tudo sai sempre como espero...

Me entardeço, em pleno anoitecer
Quando me afasto de ser sincero,
E me afasto do Amor que venero,
Por não me permitir perceber,

Que pra encontrar o Amor espero,
Desde o dia em que vi tudo nascer,
Desde o tempo de todo tambor bater,

Me encontrar com o que em mim gero,
Que é flor que brota onde nada a haver,
Me transformando em ser um novo ser

terça-feira, 19 de março de 2013

Estradas existidas


Espuma no lombo,
do meu cavalo,
Pulei dois valo,
varei três tombo,
O mundo o raso,
Arrasa quilombos!

Eu não era mais,
Que raso ajudante,
Não vinha atrás,
Sem estar distante,
Mas quem sonha a Paz,
É caminhante!!

Passo forçado,
Na noite inteira,
Por todo o lado,
A gemedeira,
Além de cansados,
Guerra ceifadeira...

O caminho é longo,
Muitos pararam
E a dor nos ombros,
É que nunca souberam,
Se se daria o estrondo,
Eles pararam...

A paz da estrada
É alma colorida,
Lavada, bem alvejada,
Enxaguada e torcida,
Na poeira das jornadas
Nas estradas existidas...

VEM VÊ O MAR, MENINO!!!
VEM VÊ MENINO,
OH!, MAR!!!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Valor!

Depois de todo o caminho, das pedras pontudas,
Que carregamos, eu e meus companheiros de ir
Seguindo feito um arreio, prata linda depois de polir,
Sobre o lombo suado desta cavalgada aguda,

Em que voo pra além das beiradas do visível,
Feito uma muralha que cercasse o gás mais leve,
Como consigo a mãe, seu filho sempre leve,
Assim comigo é um eterno lançar-me no indizível,

Pois que aqui, nesta morada onde as ventanias,
Sopram as velas de meu barco ligeiro, desbravador,
Onde ninguém esperava mais que cansaço e calor,

Aqui, nas paragens deste meu peito residem alegrias,
Que se soprarão onde a beleza levar pra atracar meu barco/flor
Onde, na certeza da eternidade, me atraque por meu valor!

domingo, 17 de março de 2013

Celebrantes

A Luz que banha a cidade nas horas do fim
Do dia, coloridas variações de tantos amarelos,
E o verde dos Ipês, das Mangueiras, dos Marmelos,
Dos jambos e cajás, e a delicadeza dos alecrins...

Esta Luz que nos banha, se considerada, cura,
Se prestarmos atenção aos nuances da palheta,
Da pintura que se forma, por onde vai a caneta,
Do que a toda esta beleza cria infinita e pura...

Nos canteiros do Cerrado, seus mistérios,
Suas águas que aliviam e alimentam viajantes,
E banham quilombolas e caboclos resistentes,

Tudo se encontra conectado, é imenso e sério,
Como um colibri que tira o doce da flor num instante,
Como a beleza deste fim do dia, pra nós, celebrantes...

sábado, 16 de março de 2013

O que parecia lento

E quando a vontade que há, que se tem,
É nenhuma, nada, apenas um impulso
Involuntário movido como atoa avulso,
De tudo que é, está, foi, ou ainda vem?

E quando, a energia necessária, pra que a Luz,
Agradesça ao chão, por onde cada um caminha,
Enriqueça o pão que nossa vida encaminha,
Como, no escuro deserto, lembrar do que conduz?

E quando a velocidade da corrida que corremos,
Rumo aos remos da barca que nos levará no vento,
Rápido em direção ao leme que mostrará onde no tempo,

É quando  me desapegarei dos pesados que vivemos!
Antes, visitando os campos verdes de bons momentos,
Acontecerá a mudança, e será eterno o que parecia lento...

sexta-feira, 15 de março de 2013

Bebendo da chuva

BEBENDO DA CHUVA,
NOS GROTÕES DA FARTURA,
ÁGUA EM PEDRA DURA,
SABOR MELHOR QUE UVA,

Sim, no meu caminho busco os sonhos que queremos e merecemos vivê-los,
Feito passarinhos cujos ninhos fossem estrelas...

DANÇANDO NO VENTO,
ÁGIL FEITO CARCARÁ,
LEVE COMO UM MANACÁ,
CHEIRO MATA ADENTRO,

O voo da Andorinha, sinhorinha, que é casada com os segredos do vento,
Perfuma o céu inteiro, brinca com meus pensamentos...

MENINO CORRA MENOS,
JÁ QUE TU JÁ QUER CHEGAR,
O LASTRO QUE ACEITA O MAR,
É O QUE É IRMÃO DO REMO.

Minha canoinha feita das madeiras que tirei das  beiras da floresta,
Farturas pescarias, alegria das nossas festas...

NAS VAZANTES DO PENAR
DA DOR FORTE E SINGELA,
NELA PLANTEI A FLOR MAIS BELA
MULHER QUE VELA MEU AMAR...

Pra lá dos meus espinhos só me importa ser merecedor do grande amor,
Que pulsa nos caminhos onde anda minha flor...