quinta-feira, 28 de março de 2013

Todo dia!

Pacificamente chego a uma fase final,
Uma angústia que se firma na raiz,
Da palavra latina que perfura e diz,
Angústa, agulha que me fura pra tirar o mal...

E sopra sobre minha fronte o mal que vira,
Nos ventos quentes vindos de todo o canto,
Em todo instinto que sugere se cesse o pranto,
Enquanto o pensamento mais parece má gira...

Geradora de insandices sérias e compenetradas,
Onde o condutor já sabe todos os buracos que tem,
O caminho, ladeado de espinhos que tanto doem,

Que a tristeza só vê saída na leveza das risadas,
A fé, tão pacificamente quanto puder, me guia,
Na espera do claro que sucede a noite, todo dia!

quarta-feira, 27 de março de 2013

O novo

E o que o caminho agora me reserva?
De hoje a mesma lida se aproxima lépida,
Feito a que de ontem, ainda que tépida
Se mostrasse encantadora e sem reservas?

Mais desta caminhada, onde além da estrada,
Me encontro com o paradeiro metro a metro,
Como fosse um desfiladeiro feito de concreto,
Só pra dificultar o seguimento de qualquer jornada?

É isto? É esta a condição dos movimentos que posso?
É? É este o re-valoramento das sentenças de gestão,
Onde o prisioneiro é feito um amado embrião?

Eu necessito desta gestação: antes me mato que me nasço,
Plantação onde o novo tenha qualidade e boa formação,
Onde colherei minhas Violas e nascerá todo dia a tradição.

terça-feira, 26 de março de 2013

No que me fio

Como concluo um caminho?
Como chego ao fim de tudo?
Como me calo, se já sou mudo?
Como arrancá-lo, a este velho espinho?

Como se dará a forma final da árvore,
Da planta em que me produzo, me nasço,
Me apresento vencendo a todo cansaço,
E mostra-me ao mundo, com minhas barbáries,

Minhas calosas apelações e tristezas,
Minhas ruidosas aventuras no vazio,
Onde até o absoluto sente um grande frio,

Tudo pra poder merecer me sentar à mesa,
Papagaio que só não tem liberdade por um fio
Obnubilado da incongruência extasiante em que me fio...

segunda-feira, 25 de março de 2013

Guardo a pessoa que espero...

Enquanto aguardo, ardo,
Como uma vela velha,
Pequena,
Como um lenhador levando o fardo,
A viga sustentando a telha,
Se empena.

Vela já tantas vezes queimada,
E com o calor a pleno pano,
Ainda.
Iluminando o vazio do nada,
Ano trás ano,
Ainda.

E eu aqui nesta mesa de café,
Aguardo e ardo, como convém,
A mim.
Porque a justa hora exige fé,
Pra este, algum, alguém,
Assim.

domingo, 24 de março de 2013

Das cores

O cinza sucede o verde, e este o anterior,
Como o fazem vida e morte, em seu jogo,
De nos apresentar o velho em seu hábito novo,
Como não estivesse manchado de sangue e dor...

O inaudito das horas se incumbe do exato,
Se incandesce das incongruências, frente à beleza,
Se contorce e expande, e a fere com sutileza,
E a transforma, e a lambe até acabar o prato!

O tempo é um pintor que nunca se satisfaz,
Nunca termina a tela institucional da vida,
Que sempre determina a indeterminada lida,

E alternando verde e cinza, todas as cores faz...
Faz o começo e fim das dores, pelas almas sentidas,
Canteiros de vivas flores, Amores-Perfeitos, Margaridas...

sábado, 23 de março de 2013

A verdade consigo

Nesta vastidão onde espero o arremate,
Feito um cavalo perdido no deserto,
Abandonado de seus freios, sem saber ao certo,
Pra onde ir, sem a guia do chicote que lhe bate!

Aqui onde o infinito joga seu jogo, aflito,
Eu, em minhas considerações exasperadas teço,
Um pano de vertigens, se obedeço, se não obedeço,
Que me cobrem, se penso ou não, este conflito.

E nas voltas resolutas que o destino prepara,
Entre vilanias e valores absolutos eu sigo,
Pardal na ventania, buscando fazer o que digo,

Pois que a honra surpreende com alegria rara,
Que rompe as amarras indo além de prêmio e castigo,
Dando ao movimento, de cada um, a verdade consigo.

sexta-feira, 22 de março de 2013

O novo tempo do Amor


Inventosa coluna, que dos céus sobe,
Como um mastro de fumaça desde o chão
Sustentando o céu de pedra e alcatrão,
Do amargo gosto, segundo meu senso pode...

Nesta passagem entre aqui e nada, nada,
Como fosse uma baleia nadando no fogo,
Virada em gritos em direção a ouvidos moucos,
Cantada em versos e prosas e serenatas..

Assim ela sobe, a coluna, e me assobe, e roda,
Deixando rastos de brasa, luta rasa, dor,
Num caminho que lembra desagrado e calor,

Mas que conduz a um Paraíso além da moda,
Que estará aqui quando tudo de ruim se for,
E verá o tempo do novo tempo do Amor.