Pacificamente chego a uma fase final,
Uma angústia que se firma na raiz,
Da palavra latina que perfura e diz,
Angústa, agulha que me fura pra tirar o mal...
E sopra sobre minha fronte o mal que vira,
Nos ventos quentes vindos de todo o canto,
Em todo instinto que sugere se cesse o pranto,
Enquanto o pensamento mais parece má gira...
Geradora de insandices sérias e compenetradas,
Onde o condutor já sabe todos os buracos que tem,
O caminho, ladeado de espinhos que tanto doem,
Que a tristeza só vê saída na leveza das risadas,
A fé, tão pacificamente quanto puder, me guia,
Na espera do claro que sucede a noite, todo dia!
Violeiro, Cantor e compositor do Grupo Accordi. Esposo de Elení Fagundes mambembrincantes@gmail.com (61) 98288-3113
quinta-feira, 28 de março de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
O novo
E o que o caminho agora me reserva?
De hoje a mesma lida se aproxima lépida,
Feito a que de ontem, ainda que tépida
Se mostrasse encantadora e sem reservas?
Mais desta caminhada, onde além da estrada,
Me encontro com o paradeiro metro a metro,
Como fosse um desfiladeiro feito de concreto,
Só pra dificultar o seguimento de qualquer jornada?
É isto? É esta a condição dos movimentos que posso?
É? É este o re-valoramento das sentenças de gestão,
Onde o prisioneiro é feito um amado embrião?
Eu necessito desta gestação: antes me mato que me nasço,
Plantação onde o novo tenha qualidade e boa formação,
Onde colherei minhas Violas e nascerá todo dia a tradição.
De hoje a mesma lida se aproxima lépida,
Feito a que de ontem, ainda que tépida
Se mostrasse encantadora e sem reservas?
Mais desta caminhada, onde além da estrada,
Me encontro com o paradeiro metro a metro,
Como fosse um desfiladeiro feito de concreto,
Só pra dificultar o seguimento de qualquer jornada?
É isto? É esta a condição dos movimentos que posso?
É? É este o re-valoramento das sentenças de gestão,
Onde o prisioneiro é feito um amado embrião?
Eu necessito desta gestação: antes me mato que me nasço,
Plantação onde o novo tenha qualidade e boa formação,
Onde colherei minhas Violas e nascerá todo dia a tradição.
terça-feira, 26 de março de 2013
No que me fio
Como concluo um caminho?
Como chego ao fim de tudo?
Como me calo, se já sou mudo?
Como arrancá-lo, a este velho espinho?
Como se dará a forma final da árvore,
Da planta em que me produzo, me nasço,
Me apresento vencendo a todo cansaço,
E mostra-me ao mundo, com minhas barbáries,
Minhas calosas apelações e tristezas,
Minhas ruidosas aventuras no vazio,
Onde até o absoluto sente um grande frio,
Tudo pra poder merecer me sentar à mesa,
Papagaio que só não tem liberdade por um fio
Obnubilado da incongruência extasiante em que me fio...
Como chego ao fim de tudo?
Como me calo, se já sou mudo?
Como arrancá-lo, a este velho espinho?
Como se dará a forma final da árvore,
Da planta em que me produzo, me nasço,
Me apresento vencendo a todo cansaço,
E mostra-me ao mundo, com minhas barbáries,
Minhas calosas apelações e tristezas,
Minhas ruidosas aventuras no vazio,
Onde até o absoluto sente um grande frio,
Tudo pra poder merecer me sentar à mesa,
Papagaio que só não tem liberdade por um fio
Obnubilado da incongruência extasiante em que me fio...
segunda-feira, 25 de março de 2013
Guardo a pessoa que espero...
Enquanto aguardo, ardo,
Como uma vela velha,
Pequena,
Como um lenhador levando o fardo,
A viga sustentando a telha,
Se empena.
Vela já tantas vezes queimada,
E com o calor a pleno pano,
Ainda.
Iluminando o vazio do nada,
Ano trás ano,
Ainda.
E eu aqui nesta mesa de café,
Aguardo e ardo, como convém,
A mim.
Porque a justa hora exige fé,
Pra este, algum, alguém,
Assim.
Como uma vela velha,
Pequena,
Como um lenhador levando o fardo,
A viga sustentando a telha,
Se empena.
Vela já tantas vezes queimada,
E com o calor a pleno pano,
Ainda.
Iluminando o vazio do nada,
Ano trás ano,
Ainda.
E eu aqui nesta mesa de café,
Aguardo e ardo, como convém,
A mim.
Porque a justa hora exige fé,
Pra este, algum, alguém,
Assim.
domingo, 24 de março de 2013
Das cores
O cinza sucede o verde, e este o anterior,
Como o fazem vida e morte, em seu jogo,
De nos apresentar o velho em seu hábito novo,
Como não estivesse manchado de sangue e dor...
O inaudito das horas se incumbe do exato,
Se incandesce das incongruências, frente à beleza,
Se contorce e expande, e a fere com sutileza,
E a transforma, e a lambe até acabar o prato!
O tempo é um pintor que nunca se satisfaz,
Nunca termina a tela institucional da vida,
Que sempre determina a indeterminada lida,
E alternando verde e cinza, todas as cores faz...
Faz o começo e fim das dores, pelas almas sentidas,
Canteiros de vivas flores, Amores-Perfeitos, Margaridas...
Como o fazem vida e morte, em seu jogo,
De nos apresentar o velho em seu hábito novo,
Como não estivesse manchado de sangue e dor...
O inaudito das horas se incumbe do exato,
Se incandesce das incongruências, frente à beleza,
Se contorce e expande, e a fere com sutileza,
E a transforma, e a lambe até acabar o prato!
O tempo é um pintor que nunca se satisfaz,
Nunca termina a tela institucional da vida,
Que sempre determina a indeterminada lida,
E alternando verde e cinza, todas as cores faz...
Faz o começo e fim das dores, pelas almas sentidas,
Canteiros de vivas flores, Amores-Perfeitos, Margaridas...
sábado, 23 de março de 2013
A verdade consigo
Nesta vastidão onde espero o arremate,
Feito um cavalo perdido no deserto,
Abandonado de seus freios, sem saber ao certo,
Pra onde ir, sem a guia do chicote que lhe bate!
Aqui onde o infinito joga seu jogo, aflito,
Eu, em minhas considerações exasperadas teço,
Um pano de vertigens, se obedeço, se não obedeço,
Que me cobrem, se penso ou não, este conflito.
E nas voltas resolutas que o destino prepara,
Entre vilanias e valores absolutos eu sigo,
Pardal na ventania, buscando fazer o que digo,
Pois que a honra surpreende com alegria rara,
Que rompe as amarras indo além de prêmio e castigo,
Dando ao movimento, de cada um, a verdade consigo.
Feito um cavalo perdido no deserto,
Abandonado de seus freios, sem saber ao certo,
Pra onde ir, sem a guia do chicote que lhe bate!
Aqui onde o infinito joga seu jogo, aflito,
Eu, em minhas considerações exasperadas teço,
Um pano de vertigens, se obedeço, se não obedeço,
Que me cobrem, se penso ou não, este conflito.
E nas voltas resolutas que o destino prepara,
Entre vilanias e valores absolutos eu sigo,
Pardal na ventania, buscando fazer o que digo,
Pois que a honra surpreende com alegria rara,
Que rompe as amarras indo além de prêmio e castigo,
Dando ao movimento, de cada um, a verdade consigo.
sexta-feira, 22 de março de 2013
O novo tempo do Amor
Inventosa coluna, que dos céus sobe,
Como um mastro de fumaça desde o chão
Sustentando o céu de pedra e alcatrão,
Do amargo gosto, segundo meu senso pode...
Nesta passagem entre aqui e nada, nada,
Como fosse uma baleia nadando no fogo,
Virada em gritos em direção a ouvidos moucos,
Cantada em versos e prosas e serenatas..
Assim ela sobe, a coluna, e me assobe, e roda,
Deixando rastos de brasa, luta rasa, dor,
Num caminho que lembra desagrado e calor,
Mas que conduz a um Paraíso além da moda,
Que estará aqui quando tudo de ruim se for,
E verá o tempo do novo tempo do Amor.
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