sexta-feira, 14 de junho de 2013

Criar aragens


Candidato sempre a ser novo,
Procurando um espectro das cores,
Que ainda não tinha visto, em flores,
E nas infâncias bem-vindas de meu povo!

No canto saltitante do bem-te-vi,
Nas candeias se acendendo da beleza,
Tomando a noite de alegria e ligeireza,
Beijando a Diva, desejando devocional servir.

Plantando as labaredas da chama que se presta,
A queimar tudo que for necessário pra obra,
Que em obras e obras e obras se redobra,

Eu sou a trilha de que apenas o novo me resta,
De que as penas que pago são a madeira da imagem
Constrói-se pelo corte, pela queima, até só a aragem.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Pra chegar ao Bem


O frio que sobe das pontas do corpo,
Cavando e escalando alturas em mim,
Como a dor que passeia sua túnica carmim,
Pelas ruas, achando lindo seu passo torto,

Assim o frio me vem, pedindo o carinho do pano,
Pedindo o sentido do cano que se aponta
Pra ponta do que somos quando nada mais conta,
E tudo que conta é o que nos tira do insano,

E a nós, a mim leva na direção do calor,
Conforto que vem de tudo que é sentir-me bem
Que venta no sopro agradável que se mantém,

Mesmo quando o dia ainda tão longe do Amor,
Que a esperança não é sempre mais que sombra além...
É acreditar que, no mar, me superar pra chegar ao Bem!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O melhor da vida


Antigos convivas se postam carícias,
Distantes e próximas, perfumadas,
Penteiam-se memórias e ventosas lufadas,
Salteando pássaros onde delícias,

Cantaram os salmos do sal na vida,
Da alegria, da cor, de dar a cor ao dia,
De contar aos muitos os miúdos da arrelia,
Da urdidura fria, das pedras da lida,

Mas, antes e sempre, a fé no porvir,
A fé de que o melhor sempre há de chegar,
E o inaudito habita o infinito lugar,

Que habita nossos peitos, querendo sentir,
De novo o alento do Amor, Sagrado altar,
Onde se deposita o melhor da vida, amar.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Tupis de Tupã


Eu nem sei, 
Se quando eu gritei,
Era de um sonho que delirei acordado,

Ou era meu fardo,
Doendo, arranhando os machucados,
Por onde andei.

Eu sei que o Trovão,
É a voz forte de Tupã!
Tem a suavidade das manhãs
E uma força capaz da criação.

E que este canto me re-compõe,
Todo dia, como quem se pari,
Olhando firme de frente a arma, antes que dispare,
Porque Tupã nos quer de pé, todos Tupis.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Do Pirata ao Luzeiro

Contam que o pirata,
Ia com sede ao pote de rum.
Enquanto toda gente, assustada,
Sumia das vistas do bandido bebum.

E hoje, nas histórias encantadas,
As mesmas pessoas, dor, medo,
Nas filas dos cinemas onde enredos,
Enredam de alegrias as almas antes castigadas.

Eu digo que não sei de nada!
Não sei se eu mesmo não fui bucaneiro,
Quando era piloto de um outro veleiro,

Mas que me cabe saber desta prumada,
De mastro, de guia, de rumo altaneiro,
Ramos de Santa Maria nos conduzam rumo ao Luzeiro!

Tela  "Farol"  de Chico Ferreira

domingo, 9 de junho de 2013

A Idade do Espírito Santo

Quando a felicidade poderá ser plena?
Quando não for minha.

E quando a visão tudo verá?
Quando não procurar.

E quando a certeza poderá existir, e acalentar?
Quando vier do coração.,

E quando a justiça existirá?
Quando o Amor nos fizer esquecê-la.

E quando homens e mulheres caminharão lado a lado?
Quando olharmos tão atentamente uns pros outros que as identidades perderão sentido.

E quando o Amor nos farturará tanto,
E cada cordialidade dará ao Eterno alimento fecundo,
E quando as crianças governarão o mundo?
Na idade do Espírito Santo.

sábado, 8 de junho de 2013

O alento que chega no vento


Antes, e sempre,
Só me lembro da água,
Morna e fria, fincando infinitos
Nas bolhas subindo pelo ventre,
Nas cócegas fazendo fraca
A resistência aos tombos e gritos.

Éramos nós, era eu um
Capitão de lugar nenhum.

E de todas, uma experiência
De voo n'água, nesta vastidão que se sente,
Calor ante o frio, carinhosa vivência,
Um berço quente e voante.

Na praia onde ainda brinco,
Água, areia, Bernardos, peixinhos,
Mãe da Estrela e mariscos, sinto,
Alimento e brinquedo deste menino.

O cheiro que ainda chega no vento,
Traz Paz,
Dor voraz,
Alento.