sábado, 7 de setembro de 2013

Acordar




Cada manhã,
Toda manhã,
Vem perguntar,
Qual é a cor,
Que cada um
De nós quer dar,

Cada Manhã,
Toda Manhã....





sexta-feira, 6 de setembro de 2013

(Minha) Ode à alegria



O que será, onde se esconderá a alegria
Que plantou pontes onde nada antes,
Quando ondas de palavras criogenavam instantes,
Mantendo-os no prassempre da própria rebeldia?

Onda andará aquela formosa mãe, filha, sobrinha, tia,
Aquela encantante Diva que mantém viva
A sede de estar vivo pra provar-lhe a saliva,
E de quem a chama lépida aquece toda arrelia?

Volta e fica sempre, minha parceira de todo dia,
Que me dá cor de ver com olhos, tantos, tantos,
São os pontos que vazamos construindo-nos encantos,

Onde o pranto fez passada sua vida atrapalhada, fugidia,
Sem mais fugir, e dormir leve ao som de um alegre acalanto,
Pra acantoar quinas, e acastoar gemas finas, ao meu canto.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Onde o melhor se tece...





Sei que o caminho é árduo.
Já tinham me dito, mesmo antes de eu começar a andar.
Sei que quando já há o medo, vem o fogo fátuo,
No meio do escuro da floresta, de nenhum lugar.

Sei que na noite fria, onde a Luz da Lua não chega,
Canta maravilhosamente o misterioso Bacurau,
Que sempre está, mas quase nunca se vê o tal,
Assim é a vida, suas surpresas de pega-pegas...

Sempre sei, soube, eu caminhando saberia,
Que o melhor se esconde onde não parece,
Estando às nossas vistas, entre as nossas preces,

Precisamente quando as fazemos todo dia,
Ou as esquecemos, parecendo que não carece,
Ali mesmo o melhor, nascido da dureza, se tece...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Veredas lá dentro






Ah!
Se aprende tanto do certo e do errado
Quando se olha com atenção
Pra cada pedacinho de cada planta que nasce sobre o chão,
Deste nosso Cerrado!

Se se olha em ação o Serra-Toco,
Cortando sólidos cipós,
Perfeitos cortes feitos sem dó,
Mas com a ciência que sabe achar o oco...

O canto onde o inusitado vem nos assaltar!
Ah!
Este Cerrado que tanto me encanta, e tem,
E por isso mesmo, se conhecendo tão bem,
Um chão que transcende o Certo e o Errado.
Muito além,
Este meu Cerrado....

Numa manhã de chuva fina e céu nublado,
Uma vagem de sedas se abriu menina,
E iluminou feito a mais Candiosa lamparina,
Minha vida e tudo que já foi cantado...


terça-feira, 3 de setembro de 2013

De que lado da estrada?



Eu, que a tanto tempo caminho comigo,
Hoje quero das asas deste voo voar,
Na direção de a mais ninguém machucar,
E nunca mais magoar um amigo.

Só aos amigos podemos magoar.
Quem nunca me apreciou nunca espera,
Menos que a dor da dentada da fera,
Que em tudo que não é amigo há...

Mas quando do amigo vem o duro golpear,
Nada que se diga diminui a dor da pancada,
Quando se pensa em quantos degraus de escada,

Pra na sequencia esquecer, e se lembrar,
Que nas espirais de todas as vidas e cada,
Sempre estivemos deste mesmo lado da estrada?



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Prussiguimento.





E o tempo passa como um bólido,
Nós de nós que nos cozemos na vida,
Vivendo os dias como se algo fosse sólido,
Insensatezas, ideias perdidas, nos prova a lida...

Fazer sempre, agora, viver a alegria de criar,
E deixar a maré do tempo, sua onda lamber,
A praia onde a linda poesia se deixou escrever,
Só pra desaparecer, e totalmente renovada voltar...

Uma lambida do tempo molha toda a existência,
Da água sagrada da criação. A água que gera,
Em mim, em nós a certeza de que prolifera,

Este acordo de sermos, tendo no tempo mediância,
Meio de caminho, esteira que caminha nesta esfera,
Como se uma colcha de finitos, que o infinito costura...

domingo, 1 de setembro de 2013

A árvore deste mundo




No meio dos trigais,
Outros matos, outras tantas,
Compunham um composto de plantas,
Que ao pão dava forças e sais,
Que nos permitiam rampas,
Por onde transitávamos com os vegetais...

Agora não mais.

Agora, nossas plantações só tem uma planta.
Uma só cor, uma só forma, um só ser.
Multiplicado muitas vezes, só pra parecer,
Tudo uma coisa só, desinfetada, que cansa....
Que faz a alegria da múltipla arrelia desaparecer....
Que faz parecer nunca ter havido do vento a dança...

O novo é a árvore deste mundo!
Haverá de chegar de novo a Primavera,
Um tempo do fim da espera,
Da felicidade de um mundo fecundo.