terça-feira, 7 de janeiro de 2014

De todo criar




Eu quis grafar,
Como quem sonha:

Um universo,
Onde não havia nada no lugar,

E a maior beleza,
Nascida da imagem mais medonha.


Eu quis pisar,
Com quem voa.

Como quem entoa
Seu próprio canto de planar.


Meu querer sempre,
No fundo, foi chegar,

Ao veio fecundo
De todo criar.



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Dos Reis, o caminhar




Neste dia em que Reis, reconheceram,
Viajaram distâncias de encarnações,
Pra visitar e presentear pelas gerações,
Um Rei pequeno e pobre, tão rico quanto imaginaram...

Neste dia de Marianas felicidades,
Gentes de todas as épocas vieram,
E viram e veem o Rei que tanto quiseram,
José(s) carpinteiros de todas as cidades,

De todas as Vilas, Estados, Nações,
Gentes de fé(s) e forças de todo lugar,
Se fizeram presentes nos Reis, no olhar,

Nos olhos do menino tantas alumbrações,
Tanto a ser sofrido, e tanto viver contido no ar,
Neste dia, reconhecer dos Reis o caminhar.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Mistério




Qual a razão do Mistério permear nossas vidas?
Qual o sentido de nos juntarmos pra pensar,
Pra perguntarmos uns pros outros, inquerir, inspirar?
Ex-pirar, soltar o ar e voltar a permitir sua vinda?

Qual a razão de não sabermos a razão a nos arrazoar?
Qual o sentido de, mesmo com a certeza de perdido,
Nosso tempo aqui, com grande intensidade, vivido?
Nossa vida, Sagrados Mistérios, mister feito o ar?

Qual então, esta nossa razão, prazo, incensado cansaço,
Insensato e estranho anonimato que me assusta e impede,
Impele e auxilia, volta, canta, encanta, amacia e repete,

Pois que só o caminhar seguido, me permite, e faço,
E re-passo, cada passo, e outro passo, que à vida pede,
E me dá, e em cada re-caminhar meu destino me cede.

sábado, 4 de janeiro de 2014

O mais cortante aço




Eu canto, canto, e este meu peito,
Nem diz mesmo do que sinto tanto,
Do que espasmo, espaço, intento,
E no entanto, só deste canto enfeito,

Meu jeito, de inconstância e pranto,
De alegria e trejeitos, de caras e vastos,
Pastos, florestas, vãos, arestas onde castos,
Monges em busca de prazer nos cantos.

E em tudo em que corro e deito,
Coração, feito maldade de confeito
Nada vê sem seus olhos de defeitos,

Eu mesmo, meu inefasto espaço
Onde sou o que posso, e me faço,
Carne mole feito o mais cortante aço.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Fartura e jóias




Todos os passos, tortos, mortos ou espertos,
Que passeei nestes meus caminhos,
Custaram-me farpas, forças, espinhos,
Altas as escarpas que fiz, e subi ao certo.

E é justo que o passeio nos custe escolhas,
"Ai dos marulhos se não fossem os molhos"
Gritam nossos ancestrais de seus escolhos,
De seus restos funestos, novos em folha!

Mas o velho ex-perto, mais próximo,
Mas, esperto, pois que o chão a tudo apóia,
Ao pão que do chão, o chão na Glória,

Clama e acredita, e medita crendo ótimo,
O avanço que o balanço seguro na bóia,
Faz-nos ver a praia, com fartura e jóias...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Cerrado - Pé de Araçá




Fui lá fora escutar o silêncio,
E ver as andorinhas costurarem o azul,
Entre o algodão de nuvens ao sul,
E o ocaso da Luz, num céu de incêndio.

E no caminho, meu Pai, me presenteia,
E me entrega a candura de uma pequenina,
Esfera verde, coroada, singelinha,
Um pé de Araçá, uma planta me galanteia,

E eu seduzido me entrego perdido,
E achado no doce seu prometido,
No gentil sabor ardido, doce, ardido,

De suas frutinhas que o Cerrado, tão lindo,
Tão apaixonado e desprezado, e surpreendido,
Eu, sempre, pela imensidão de seus sentidos.

Fui hoje colorido pelo querido,
Pé de Araçá!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Tempo que se reinicia




O novo se projeta na partilha,
O inédito, na lembrança.

O inaudito se renova na vigília,
O canteiro bendito da esperança,

Onde o menino colhe pequis,
E se lambe de Maçarandubas,

Se esbalda de lamas e Tambaquis,
E verte alegrias e Piúvas.

Eu hoje, fui menino aqui.
Hoje, na cumeeira das Pindaúvas.




Hoje o tempo se projeta,
Ciclo novo, novas alegrias.

Como um tiziu que salta e faz festa,
Pro amor que de longe vê rebulias,

Pra passarinha, que de seu galho manifesta,
O meu amor passarinho de alforrias.

Viva!
Viva este tempo e este dia!

Viva!
Viva este velho tempo que sempre se reinicia!