terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Anjo



O Anjo, ou Arcanjo,
Dá canja de ser um anjo bom,
Não importando se ele toca banjo,
Cítara, Harpa ou Violão...

Nada se equipara a um bom coração!
Que se dirá, se se diz de um anjo,
Como a mãe zelosa com ares de esbanjo:
"Que anjo meu filhinho", seu canto bom...

E nem sempre, eu, guri, fiz por onde,
Em meu peito aflito, suspeito, palpita,
O sonho de ser refeito, me habita,

E o meu "re-anjear", alar que esconde,
O desejo de voar ao redor da infinita
Presença da Luz sem fim Bendita

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A canção do mundo




Cantigo-me, ao invés de me castigar,
Pois canto comigo, e até sem, por pena,
Por culpa, medo, abstrata cantiga serena
Que cantigo, a mim só cabendo escutar,


Ou quem mais! Ou quem nunca apenas,
Pra dizer daqueles em quem depositamos
Nossos sentimentos pra esperar dizer que amamos,
Pra criar em nós firmeza que não empena

Procurando esta firmeza é que eu canto!
Também porque sou passarinho na madrugada
Que já canta antes de desposar a Luz amada

Ou porque a boca se abre de espasmo e espanto
E os ouvidos irreverentes, sem saber de nada,
Se ligam na Canção do Mundo, Abençoada

domingo, 12 de janeiro de 2014

Estrada


Eu já nem sei se o vento soprava,
Ou se a água seguia,
Só me lembro que a gente caminhava,
E as vezes corria,
Tanta água passava, em nossa vida,
Todo dia.


Eu já nem sei se era eu que sonhava,
Ou se o sonho é que tinha,
Tantas vidas nesta mesma estrada,
Mesmo em tantas estradas,
Tantas estradas, que em nossa vida,
A gente corria...

Era a estrada.

Santa estrada.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Ao encontro do braço




E, se o dia passa, e me escapa,
É verdade que muita felicidade
Se fez e se faz pela naturalidade,
E o cotidiano nos enfia e tira farpas.

E o singelo nos habita de exterioridade,
Pois que o profundo se dará desde cima
E a pele, que se pela e sempre me ensina
O conhecimento sem ser dono da verdade

E nem mais e mais nada interessa,
Só entender como se dá o passo,
Me vencer pra enfim vencer o laço

Deste jogo de infelicidades sem pressa,
Que nem quero jogar, tamanho cansaço,
Dia de oportunidades ao encontro do braço

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

De não ser meu próprio astro

Diário da Tata

Eu era como a antevéspera do vespeiro,
Um berro, um erro, eterno malungo bezerro,
Que nas rampas das estruturas, fura,
E atura sua própria amargura em desterro.

A dor é o calor que irrompe de nossos passos,
Que vem da coragem de andar, ainda que não,
Ainda que parecesse que nada mais viesse, ao chão,
Ao céu, pra além da dor a alegria é sequente passo...

E nisso creio, e nisso me deito, deleito, me faço,
Pois o caminho é mesmo estreito e vasto,
E longo, ensolarado e íngreme, até casto,

Poucos esconderijos, apenas o encantamento fácil,
Apenas o encanto dócil que sempre emana do laço,
Eu, catimbado guardião de não ser meu próprio astro.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Eu e a Poesia na sombra deste instante

Sofia Laranjo


A Poesia por vezes me toma a alma,
E nela geme a força e a frieza do destino,
E eu assustado, incauto e levado menino,
Assisto como quem nunca tivesse tido calma.

E me pergunto como ter calma, preso a fios?
Como ter alma na medula, nos pés, nas mãos,
Quando o cutilar dos aços aponta longe do chão
E os cães e os bargaços se agarram aos navios?

Como respirar normalmente quando o novo venta,
Nas ventas do povo que nos construímos errantes?
Pois que o inaudito nunca dura mais que instantes,

E nunca se acaba, voa pra aquém das abas lentas,
Deste meu chapéu de céu, eu e a Poesia, Sol escaldante,
Ambos na sombra, onde lambemos a lombra deste instante.

O velho novo que pinto




Então se dá que o inesperado
Sempre, por tudo e por si se dá
Em cada pedaço de chão na pá
Que cava pra se encontrar com o passado

E então, se fez que o inventado
Me cumpre penas, me alteia menos parco
Me afasta do chiqueiro, me faz ao largo
Onde o fuçar corriqueiro, abandonado

E de porco, me farei astronauta
Ave arribadeira de infinitos
Confrontos confessos tão bonitos

Como a Paz, sôfrega e incauta
E assim fez e faz o inesperado bendito
Pra me ensinar o velho novo que pinto