sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ventania




Ventania...

Ventava o ar,
Lá do alto,
Feito um arauto,
De estrelas,
Aqui entre nós....

Cantava velhas canções,
Sábios, serpentes, senões,
Da vida plena....

Ventania...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Meus mares



As vezes, a cantiga é como um laço,
Pega.
As vezes, entre meus dedos,
Escorrega.

As vezes a canção se canta sozinha,
Transborda.
As vezes, cada nota parece infinita,
Transborda.

As vezes eu paro e escuto como vai,
A canção...
As vezes suas notas me fazem mais claro,
E são.

As vezes num cantinho minha cantiga,
Se faz,
As vezes pra acabar com toda intriga,
Trazer Paz.

As vezes o canto, é o canto da guerra,
Mata.
As vezes pela Paz o Amor se entrega,
O Amor ata.

As vezes se estende demais uma canção,
Chata.
As vezes chato é quem canta o pobre canto,
E o mata.

As vezes, meu canto é veleiro nas vagas,
Singrando,
As vezes meus mares, que alimento,
Sangrando.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O rosto do Amor Constante

Foto de Ana Oliveira Nogueira


Um certo vento esfriava o belo rosto,
Como fizesse o oposto da candura,
Numa sua atitude de tocar, tão pura,
Como a mãe toca sua parida criatura,
E o dá à Luz destino, pelo parto exposto.


Tal vento, afortunado pelo tocar,
O rosto formoso e generoso, anguloso,
E fortes queixos de olhar dadivoso,
E pretas pelagens, pelo belo radioso,
Pode aquele vento sentir, e esfriar...


Aquele vento passou em remolde as formas,
Numa tentativa de desvendar o rosto em si,
Como guardasse um caminho qualquer por aí,
Como levasse vinho aos carteiros e garis,
Para sentir mensagens da beleza que adorna.


Mas a natureza fugidia do vento passante,
Era nada, ante a leveza do rosto que passa,
Delicadeza de quem pedala, exala e disfarça,
Só dá a quem passa a dádiva de presenciar a graça,
E a beleza sem fim do rosto do Amor Constante.


Assim, o vento de mim se teimosa em medir,
E medir, e medir o rosto deste amor enquanto,
Eu ventania de amor procurando por todo canto,
O rosto deste amor que sempre amei, amo tanto,
Ventarei seu belo rosto, até meu sopro se extinguir...


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Pleno mesmo neste mundo virado




Como conviver com o que mais indigna?
Como aceitar que a pena escreva leve,
E cause tanta pena em quem sentença teve,
Ou nem sentença, apenas indiferença indigna?

Como aceitar que um argumento técnico,
Desconstrua a beleza de algum destino?
Como deixar que a fome e meu medo de menino,
Não permitam que eu esteja à serviço do eterno?

Como engolir a mágoa e fazer que frutifique a ação,
De produzir o novo, o insólito inesperado,
Um chão de céu onde este se deitava relaxado?

E com todo o trabalho perdido, vencer a frustração,
E ser um com a força estonteante que nasce em todo lado,
E estar na sintonia que é plena, mesmo neste mundo virado.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Clarão

Caçoo de mim, enquanto afago,
O grão do pescoço que trago com esforço,
Herança de uma história de Adão torto,
Não meu pai, valoroso Adão que em meu ser eu trago.

Cacoetes, variedades, entoar de aturdida saudade.

Uma canção que enfim canto sem valia, sem medida unidade

Eu não sou mais que uma noite a que se seguirá um dia,

Não sou mais que o açoite que me dei porque não sabia.

E no vale sem fim da sem fim verdade,
Que nos vales de sombras e mortes, e beijos,
Da sorte, as vezes desgastados eixos,
Sobre os quais se sustentam os pilares da eternidade,
E que tem o peso e a imensidão do ovo do percevejo,
E que espantam feito um inusitado clarão nos meios da cidade.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Triste ser



E meu canto hoje, se enche de reticências,
E medo: será que alguém acredita,
Que eu peça algo da bondade infinita?

Será que alguma vez cheguei a dizer, por inconsciência,
Que seja eu menos que um mal que inda habita,
Esta terra de dor e desdita,

Este chão que, maldade que pisem,
Meus pés, maldosos artefatos que me levam,
Daqui, pra dentro de qualquer lugar, se me levam,
Meus pés, mas sou este que vem,

Este estrago em forma de nem ser,
Uma tristeza existir, os escuros me prezam,
Os nadas me assustam pelo que me expressam,

Eu antes de tudo, só nada sei ser

sábado, 1 de fevereiro de 2014

De flores e beijus



Aqui um canto de encantos e flores,
Capinadas, terra fofada, plantada,
Regadas, adubadas, cuidadas,
E quando somos recebidos, suas cores,

Nos dão a sensação de um chegar querido,
Um senso de estar em Paz, que só o trabalho faz,
O trabalho que liberta e aprimora, torna capaz,
E cada coração sente-se, pelas flores, recebido,

Como se o infinito, o soluçante antídoto eterno,
Fizesse de mim dois olhos que cantam,
Um par de braços que toca, pernas que dançam

Orelhas que escutam o ancestral canto tão terno,
Aqui neste chão de flores, pátria nesta terra, da Luz,
Continuar o canto-cultivo, e receber com flores e beijus...