quarta-feira, 14 de maio de 2014

Mão e coração


Cantilena de ser, meu passarinho sido
Meu canto encardido do dourado,
Do Sol, seu lençol de Luz abençoado,
Sobre mim florido, cantado, querido,

E na cor de sabor amarelo encarnado,
Em pétalas, abelhas e néctar antes de mel,
Que nesta terra aporta um sabor de céu,
A flor que voa, zumbe e floresce por todo lado,

Como se todo pecado fosse termos pés,
Termos abandonado as asas leves,
Que nos céus de tudo, o eterno breve,

Seja perpetuo como ânimo que dá a fé,
Seja infinito como a flor do Margaridão,
Que da vida da terra é mão e coração.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Tempo de mar

Construir com madeira de fibra.
(Como esta frase me soa?)
Como saber de onde vem a lôa?
Um perguntar que me equilibra.

E desequilibra, e sobe tanto que voa,
E nas beiradas das colinas vê esfinges,
E se vacila é o porquê as vertigens,
Que em nossas origens de nós destoa,

Pois que é sabido que é coisa boa ventar,
É de cada conhecido por muito sabido,
Que as miragens tem existência e sentido,

Tanto quanto o que tem sentido, pulsar,
E em, e de todo lugar se lança no infinito,
Por um canto parido em tempo de mar.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Além dos sentidos

Claro e oportuno, o caminho faz-se dar,
Aparência e método. Flor de Cabiúna,
Sangria em Sucupira, resina de Piúna,
Passeio de montaria é rio acima remar...

Pra poder rio abaixo descer quando a força
Estiver pedindo lugar na corrente que segue,
Seu caminho de água que o infinito recebe,
E canta, como um canário no lombo da corça,

Como um hinário que a maldade distorça.
Cantiga de malungos que se encontram,
E nas águas de um mesmo rio relembram,

Que o sentido dos sensos, o caminhar reforça,
Mastiga o sabre e solta Gerânios floridos,
O caminho é Paz para além dos sentidos...

domingo, 11 de maio de 2014

A maré, a maré...



Porque de muitas formas
Nunca me acostumei.

Tem quem ache que agora nas bigornas,
O ferro bate o ferro quente por permissão do rei,
Que acha que faz armas, pelas mãos dos armeiros,
Que pensa que faz pontes, pelas mãos dos pedreiros,
Que é tão pobre que mede a vida pelo dinheiro,
Que ele mesmo é quem fabrica em seus celeiros.

Eu acredito em outras formas,
Porque o novo é a Lei.

Eu já vi a dor dos povos nas derrotas,
Eu já vi a sordidez do júbilo da dor,
Mas já cantei e canto toda a esperança e glória,
Que habita meu peito cantador,
Que soluça de amor nas noites da história,
E se lava de lágrimas, de suor, calor e memória.

Eu sei que o tempo reinventa as formas,
Do sempre novo que se(rei)

Avante! Que só a chegada é!

E o dia segue o dia, a maré, a maré...

sábado, 10 de maio de 2014

Matéria e relato




Então,
Olhando aquele monte de estrelas,
Lato.
Inexato senso, abstrato senão,
Sabendo-me inventor de sê-las!

E desse sentir eu me lacto.
O invário sextante,
Aponta o quadrante:
E de sentir estrelas me farto,
Me sinto eterno neste caminho estelar lactante.

E súbito,
Ensombrio-me do fato,
De que tudo mais,
Nada será como antes...
Maior, melhor, mais, menos distante...
Deste sonho sou primeiro súdito!
E do meu caminho, matéria e relato.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Meus desvalhos



O quanto do que faço, neste espaço
De tempo que vivendo, afinal, gasto,
Boi sem carne e berro, só pasto?
Em tempo, quando valerá este "que faço"?

Quanto vele este "que penso", que atravesso,
Meus caçôos e pantanos, de mim mesmo,
Eu me vaiando e me agredindo a esmo?
Devaneio de me condenar por travesso?

E meu chão, meu peito, meu cansaço?
Quanto valerá o pejo de meus feitos,
Quanto, algum senso meu ser de defeitos?

Eu então sem saber de quanto, que faço?
Canto! Magico encanto a me despir destes jeitos,
E a me despedir de meus vastos, nesta vida, mal feitos.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Canto de bonança



Um vento que vai e vem,
Um alento, carinho, sonho,
Um espesso manto fininho,
Um exato descaso de além,

Onde o infinito se banha,
Em praias de verga e lida,
Em beiradas no meio da estrada corrida,
Paradas seguidas em que se apanha

E se solta, pra doer-se a ferida,
A dor famigerada, peleja sentida,
Pelo sentinte que se santifica,

E se santo fica, mais que nada será vertida,
A fartura, a que se sucederá inadvertida
A beleza sem par de apenas estar na vida