quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Ladeira



O que se dá, é que, procuro suspiros
Procuro a emoção do amor
A emoção do amor, e seu sequente torpor
O que se dá é que sou feliz quando transpiro

Quando me sento rente ao transverso.
Ou me acomodo onde o inesperado se multiplica
Em felizes acertos, sonhos doces, canjicas
No que foi criado para, e se deu ao reverso,

Só então como uma lupa pra ver oceanos,
Serei de mim mesmo autor e pronúncia
Atavismos, recorrências, abstinências, renúncias

Mas em cada volta me darei aos planos,
E numa inexata bebida, feita de mares e anos
Eu vencerei esta ladeira da vida, os desenganos.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Cagada


Penso se este pensamento
que me iludo que formulo,
com "plissês" de refinamento,
não será o Universo, imaculado e puro
deixando cair fétida massa
sobre a minha vaidade, que pensa que arrasa?

É tanta gente, sonhos e esperanças
criações, criados, crueldades e crianças,
que a cabeça só ser ocupa em receber
a massa fermentada de cheiro espetacular,
com a certeza emoldurada de a tudo conhecer,
pela gentileza do Infinito, em mim, defecar

A linha do fio


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Lombo de dragão



O espaço não é como vemos!
O vazio é pleno, amplo,
O que se poderia imaginar brilhante
Gigante, é o mais diminuto, pequeno

O plano tem infinitos arcos
Pós, prés, ante e tantos mais
Senos, matrizes e vetoriais
Que se dirá dos sem fim de barcos

Que outras percepções podem nos dar
Que antes de conhecermos veremos
O infinito se desdobrar sereno
E oferecer seu lombo de dragão pra eu voar

domingo, 12 de outubro de 2014

Operário da alegria




E no caminho das horas,
os ponteiros apenas apontam,
quem caminhamos somos nós, oras,
independente das histórias que nos contam,

incrementadamente em cada história que canto,
imprecisamente vazia,
ou cheia como a mais linda Lua à Luz do dia,
eu quero meu cantar eternamente....

E nestes vastos de encanto, que a vida toma
eu e quem for se chegando,
e nos ouvindo, e juntos cantando,

seremos então este tanto que faz o eterno e reforma,
a mim, ao que sou todo dia,
o mais pequenininho dos operários da alegria.

sábado, 11 de outubro de 2014

Um caminho pelo ar




Hoje voamos!
E conosco, nossos passos
Nossos ventos alados rasos
Das asas que rufamos!

Hoje, tantos, tantos, vamos!
E tão poucos,
E em nossos sonhos roucos
Cantamos, cantamos, cantamos...

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ecos antepassados


Estava estes dias ouvindo vozes distantes, lumes,
de uma língua, havida no Chile ancestral
que se inventava à cada palavra
que na emoção que o botão de flor causava,
o dizente, com a Força, em ligação umbilical,
se contorcia nos sons de um magnimorial perfume...

Ou de uma hortelância sentida no gosto
do abacaxi em suco, mexericas de sumo
fazendo dos dedos escárdios cheirantes
ou Saíras fazendo eco-espetaculares rasantes,
só pra exibir suas cores de infinência e resumo,
e soprar as velas e se sentar aos pés do oposto.

As vozes de tantas delicadas vozes de nossas Américas.
Tão brutalmente caladas.
Como se nunca tivessem soado.

Que meu canto, pobre de mais pobre dos cantos,
possa de seu tosco modo entoar
um canto pelos que já sem canto,
e inventivas vidas embebidas do criativo encanto,
nestas Américas possamos de novo gerar.