quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Velha nova festança


Ontem chegou ao fim uma viagem.
Ela tinha começado a muito tempo,
na forma de intuição vinda com vento,
se mostrou nos astros, nas aragens,

se deixou ver na vida que mudava,
no sabor das frutas, maciez dos panos
e no novo, que de novo abriu planos
e velas infladas neste mar em que nadava,

me fez horizontes de grandes alegrias.
E meu barquinho-corpo me fez ao mar,
ganhou asas, e nestas águas viu voar,

o velho sonho, razão eterna das alforrias,
num dia de Reis, revelada esperança,
quando se recomeça, sempre, a festança.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Novo













Minha cantoria é um vento,
e bate no rosto, no corpo,
na alma do espelho absorto,
da Rabeca que sigo ouvindo...

E entre os passos da dança,
cada sozinho, ou acompanhado,
pode, se olhar com cuidado,
ver pra onde se volta a lança,

a arma de existir, e dar alegria, 
sem peso, nossa existência
máquina de nos mostrar essência,

movida a sopro, perfeita alforria,
vazio entre o novo e o inusitado,
espaço nunca antes visitado.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Antes do fim













Toda manhã, cada minuto, se inicia,
de novo, sempre, este movimento
contínuo, assim como o é o vento,
que limpa a terra, hoje e todo dia...

E só por isso, acho em meu coração,
a forma como seguir, nos apesares,
de me virar em meus calcanhares,
e encontrar em meu peito a razão...

Que esta natureza, do meu caminho,
se divulga nas trilhas de um seguir,
que se dá por si, sem nada pedir,

e conta com a fé de não estar sozinho,
e a certeza de que, além de mim
tantos seguiremos antes do fim.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Chegar


Busco a mim, neste tombo,
de barco, temor que assumo,
largo que sonho e presumo,
nesta volta do mar. tempo longo,,,

E em cada onda que lava,
o costado do navio que me leva,
antecipo as eras, linhas. feras,
que pela vida me ansiava,

e ainda anseia, mas, resoluto sigo,
porque percebi que parar
está além do que posso enxergar,

pois sonho que, pelejando, consigo,
e já vejo gaivotas neste ar,
velejando o vento,  pra enfim, chegar!

sábado, 3 de janeiro de 2015

Voo da Sereia


Quando penso no que me é alento,
me encontro no lago urbano,
a menina d'água voa longos planos,
e se penteia numa rajada de vento...

E o espanto do que sinto
lembra a cadência leve da marcha
com que caminhamos pra casa,
enquanto bebemos este vinho distinto!

E sigo, e seguimos, todos e cada,
pois que a vida é asa da moça,
que, mar de ar, os cabelos esvoaça,

nas rajadas, coloridas e perfumadas,
e porque vamos, tudo se clareia,
que por amor tudo voa, até Sereia!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Mar de chegar
















Na lida de entender o sem fim
do azul, meu teto, casa, chão,
(origem do ouro de aluvião),
é que velejo neste mar de mim.

Na esperança definitiva, enfim,
tenho replantado campos e passagens,
que verterão novas e velhas paisagens,
porque velejo neste mar de mim.

E cada dia, antes do Sol apontar,
caço horizontes e palavras que dizer,
e alegria e tanta coisa por fazer,

pois que o que importa é se entregar,
e ser nova estrela, entre as velhas,
pra nos lembrar de porque e como chegar... 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Desta história


Que ano é este, que começa,
na quinta, num dia de Sol forte,
e de manhã tão linda, os recortes
da Luz, Lua se enchendo destas?

E na passarada, o gosto do dia,

novo, nova, cada caminhada,
dos cachorros, da meninada,
cada vento e gota d'água de alforria...

Hoje começamos a contagem,

do que viveremos, um por um,
todas e todos num tempo comum,

pra apontar pr'este rumo de viagem

que há de ser, mais e mais de vitória,
onde contamos e vibramos nossa história.