sábado, 7 de fevereiro de 2015

Respirar


Era um dia de chuva,
um nublado dia alongado,
lindo, curvo e plantado,
nas linhas do novo que uiva,

na estrada, como Lobo,
estranho vértice da figura,
que volta, e, se perdura,
é porque, nada mais é novo,

nada mais é eterno, 
a não ser a morte,
a não ser o corte,

como um infinito inverno,
como um declinante espirar,
síntese/dia, respirar.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Gigante/Pequenino















Então a cantiga nasce,
vinda de grotões miúdos,
de baús feios e fundos,
de onde não se esperasse...

Também, a canção vem,
da picada mais escondida,
da varagem até atrevida,
que este caminhador tem...

Um Poema, esta entidade,
em diversas voltas vem da prosa,
as vezes do chão, da Rosa,

ou de ver estrelas, e claridade,
ou surge, de um grito de menino,
e se mostra: Gigante/Pequenino.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Esprimido




Um Poema esprimido,
entre compromissos,
fracos ou cheios de viço 
pesquisando os sentidos...

Almas em seu caminho,
de achar, se achar no rumo,
como na horta se planta fumo,
pra afastar inseto daninho,

este caridoso Poema,
vem acalentar esta alma
que na tormenta busca calma,

cachorro que late e teima,
e na sequencia da estrada,
vence insonias na madrugada!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Sonho atravessado


























Era que nem um sonho atravessado,
um fundo inventado no Universo...
Sem fim, sem capa, começo ou reverso,
(o sonho, tão pertinho, me encontrar cansado?)

Quase que nem dormia, só pensando,
no que vira, em toda gira desta volta,
em toda pira que me queima e solta,
e em meu pensamento, o mundo se criando,

e se fazendo com farturas e alegrias,
com a belezura das crianças correndo,
ao redor do fogo/lar, aqui ardendo,

neste peito em que as Galaxias vertem
as vidas das esfíngicas hostes, nas estrelas,
a vida do meu sonho atravessado: quero tê-la...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Menino do Cerrado


Há seis anos, um menino:
aquele evento nos unia,
um nascimento nos nascia,
avós, pais, tios, tias, destinos.

Dia quente, Sol e nuvens,
e chuva de toda cor e vento,
testemunhando aquele rebento,
da Cidade/Luz, dizem que vem,

e eu, que se andei por lá,
a tanto tempo aqui caminho,
nesta alegria que despreza espinhos,

que hoje celebra, que por cá,
corra e faça canteiros de mar,
este menino do Cerrado, de todo lugar.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Dia de festa no mar...


Mesmo longe, o mar rescende,
seu cheiro, força, alegria, graça,
o que somos, que qualquer faça,
sonho que em tudo se transcende..

Mesmo aqui, dentro, o mar se sente,
como o vasto do céu, nossa casa,
que no mar se reflete e nos embasa,
e nos cantos de mim é sempre presente...

Falo de um mar que é mãe, candura,
alegria em estado ancestral
energia que dá origem ao que é vital,

e que uma nova pureza inaugura,
e transmite, nestes cheiros da beleza,
dia da Mãe do Mar, e sua realeza!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Cores na vida


Céu e mato, manhã de Sol, menina,
vento frio faz daqui, aqui, este lugar
em que o Cerrado se  faz ventar
e brinca onde se encanta a retina.

E Saíras, Joões e Joanas e seu dueto,
se soltam no grande azul, colorido véu
teto de toda cabeça, manto/céu,
passarinhos de todo canto, longe e perto...

E este menino no meio da claridade,
ilumina seus escuros, brinca onde vai,
se molha das essências, grita seus ais,

nesta estrada cheirando eternidades,
com vestes da alegre certeza sentida,
destes dias em que se colore a vida