sábado, 14 de fevereiro de 2015

Mão amiga



Cantigas, o canto flui por dentro,
o espanto de estradas e tempos,
encantos que sopram no vento,
e cortam o intento, e mata adentro,

e campo afora, na escuridão,
no vasto espaço, que leve me leva,
cumpra eu o que basta e preza,
nem  fere ou lesa, a ínfima vastidão,

e em tudo vou desenhando,
o caminho, paço, espaço, espinho,
entre o que vem e vai, sozinho,

e do meu peito, segue brotando,
como a flor das cantigas,
antiga candura, mão amiga.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Branco caderno


 

Como se a festa, ela, por si,
não fosse só, um movimento,
une as pontas do que por dentro,
ampara as rotas que daqui, dali...

Como se o desejo precisasse,
de horas e balas, prenhas bolas,
prantos e doces e a mesma cola,
que nos uniu nos une, se cantasse...

E eu, e tu, sozinhos sempre,
não nos prenderíamos de cantar,
mas o canto nos mostrasse a frente,

que o tristonho só, por si, se aprende,
mas que o que é eterno ha que se plantar,
branco caderno, com tudo a se anotar.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Minusculo jardim



Um simples assistir,
assombro, assomada
corrida, tão minha amada,
feito mesquinha e cálida madrugada,
como este chão de existir,
que se deixar de ir e vir,
é nada!

E do alto d`onde presumo,
o que vejo,
meus olhos,
e os nervos
e os sumos,
que bebo nos Santos Óleos.

Sei, que o próprio,
é o mais ilusório.

O Único, por sua vez,
faz-se sempre múltiplo.

Sonho-me, assim
um complexo vario,
como um campo imaginário,
um minusculo jardim.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Viajantes da liberdade

 

Catimba, quem sabe,
como se vinga, se vaga,
se poda ou se esmaga,
a si mesmo, pois, quem sabe?

Mandinga, se a si se malediga,
quantas virão as que pra quem
se queiram como se queira bem,
se queira frutos feito cantigas,

e se siga em tudo por tudo,
eu cantor de inabstratos versos
cansaços curtidos e reversos

pra que não haja quem, mudo
não diga maldades, inverdades,
pois somos viajantes da liberdade

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Dia de festa


Quem se dispõe ao embate,
sabe, antes, que a labuta,
se vale dela, mas da luta
vai além, de quem bate,

de quem apanha, ou empata,
de quem pensa que manha,
que rança, arranca, arranha,
que ganha por que vive, mata?

Hoje se canta, porque aniversaria,
um ser de antes e agora,
e depois, que é toda hora,

eu, você, e todos os dias,
nesta alegria de lembrar
que entre nós, Ele a celebrar...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Salto




Nem a chuva molhava
nem a terra pendia,
ou a solidão colhia
o que de vento chegava

ao eterno, o sopro singelo,
o estorvo cálido do chamado
terno e sentido, proclamado,
e de tudo que entre nós, elo

a nos ligar, a nos cantar,
nossa melodia de querência
nossa galhardia e veemência,

com que veremos chegar
o tempo de toda  elegância,
salto, nos marcando a existência...

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Vento frio


E o vento frio,
meu irmão mais parelho,
fez-se uivante, de velho,
e me cobriu, e viu

e mostrou minhas armadilhas
e sobre tudo, cantou,
porque o domingo planteou
que inda chegaremos às ilhas,

com os filhos, por mares e rios
e caminhos tantos desta terra
que o vento que limpa e erra,

e na enormidade dos desafios,
me deu a manhã por presente,
e ao mundo, o que cada, sente...