sábado, 21 de fevereiro de 2015

Vento nos Buritizais


Houve um tempo,
antes do mato ser Cerrado...
Por todo lado
Se ouvia o vento,
Buritizais...

Um canto atento,
que deseja sempre mais...
Que foi Cerrado,
foi mata adentro,
com os animais...

Tanta vida,
nos Gerais...
E as Saíras,
guardam Pequizais...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Todas as cores




























A certeza assiste asustada,
ao que o desejo inexato,
forte, seja o estrondo lato,
se lambuze das madrugadas....

Se encante de lãs e lousas,
se encoste no mar, mastro
de barco que, ínfimo e vasto,
singre meus predicados e rosas...

E ancestral de latitudes,
o vento lambendo flores,
cantando amor e labores,

eu, sombrio e sonso de plenitude,
cantarei cangaços, frentes e sabores
interfaces e totalidades de todas as cores.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Miraculos seios


E quando o vau de tudo, rompeu-se,
e tudo se fez arrastante e fundo,
estes rompantes, d'onde me re-fundo,
me re-fiz-e-faço no que no escasso lavrou-se...

E do etéreo, me escoro no vário,
me re-espero, aturdido e desejável,
e arremetido contra o inevitável,
o mesmo em tudo, nosso aquário,

o véu do mundo se des-fará,
se acertará na beleza do passeio,
e eu e tudo, pelo canto e meio,

chegaremos todos ao mesmo lugar,
o canto avesso, inchado e sem veios,
sem rosto e cesto, miraculosos seios...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Cinzas da alegria

























Aquela festa rompeu a escuridão!
Pelas frestas, ouviram-se luminosidades,
das que se ouve nos postes das cidades,
todos buscando, via folia e sofreguidão.

O que fica no dia que se segue:
"quem não pula, perde oportunidade"
inocula antes de haver puberdade,
inaugura o que não sabe se consegue...

Mas a função continua, com seriedade.
Os que caminhamos, vamos juntos,
por algo que nos (des)faça defuntos,

ou nos permita sonhar eterna claridade,
e pensemos que festar, seja todo dia,
e enfim cheguemos à sem fim alegria...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A flor que me leu


Andar por este Cerrado,
a pé, sem tanta pressa,
pode ser que não se meça,
quantas flores, por todo lado...

Seguir uma trilha no mato,
pode dar a alguém que siga,
uma inesperada cantiga,
ou sentir um sentimento inexato,

como se o mundo, na Saíra,
mostrasse, além do prazer,
o que em cada planta se lê,

como se, a dor queimasse a Pira,
e os homens, na Terra que gira,
olhassem aquela flor, que nos lê...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Tisiu em meu caminho























Sigo com medo, sem modos...
O que vale é que o caminho clama,
e cada passo, quando me tira da cama,
e me faz caminhar pelos cômodos,

me mostra realidades novas,
nesta nossa casa planeta vagante
no espaço, massa de ar errante,
e acertante pelos sextantes das provas...

O que me vale, por fim,
é que sou estradista daqueles,
que se encanta com um Tisiu, reles,

passarim preto, e que pra mim,
supera colorismos na singeleza,
o caminho, a me ensinar a beleza.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Nos fartar


























O tempo mostra caminhos,
os espinhos, vão moldando,
o que deste peito se soltando,
o tempo, faz por si, sozinho,

e faz por mim, por tu, por quem
feito qualquer um de nós,
dos nós que parecem lobo feroz,
vem o tempo, os desata, e além...

Eu mesmo, manhãs de me encontrar,
tantas vezes ainda a esperança,
de achar a velha e inexata criança,

ou um novo, desabalado cantar,
pois o tempo que mostra os trilhos,
faz crescer o milho, a nos fartar.