sábado, 7 de março de 2015

Se ensina?


O que eu me pergunto,
é se há o que se possa ensinar.
Se há algum mar que atravessar,
ou algum outro lugar, mais profundo,
ou alguma praia, porto que aportar...

A mãe ensina sua filha a lavar,
a cozinhar, a acalentar, varrer,
ensina a observar o que está pra acontecer,
ensina a ler, ver o que não se pode enxergar...
Não seria isto tudo, só um re-lembrar?

O pai ensina ao seu filho a corrida,
o labor da peleja, o sabor da Cereja,
a ter alegria nas belezas que se veja,
e não desistir se acontece a dor sentida...
Mas não será isto tudo, só a própria vida?

Eu sigo esta labuta de pernas pro ar.
Em cada dia, uma invenção que valha,
uma incerteza que leve palha se espalha,
e se venta nos ventos do que está por ventar,
costurando um futuro... Será isto aprender, ou ensinar?

sexta-feira, 6 de março de 2015

Errar, e ir em frente




















Eu era acerto e paixão,
uma sobra, um erro, e estrada,
e o escarro do que o caminho mascava,
e caminhada, caminhada, chão...

Eu era e sou, pra mim, incógnita.
Um verbo na clareira que aumenta,
um servo que caminhando arrebenta
suas correntes, pra cair na corrente insólita,

e ser de novo criador de si,
cantador de arrebaldes e ventres,
e seios e dentes e sorrisos contundentes,

e esbanjos de alegria só por estar aqui,
e arranjos de arrelia, e ver toda gente,
cantar os arroubos de errar, e ir em frente...

quinta-feira, 5 de março de 2015

Melhorar na vida

leandromd.blogspot.com




Na alegria, eu corria cachorrinho,
que nasceu a pouco e só sente,
avalanche de fogo, neve ardente,
mundo todo por encontrar caminhos...

Na tristeza eu visitava lodaçais,
que no lodo a vida brota,
como as pétalas flor, inda rota,
que primeiro viu o Sol nos meus quintais...

Então, busco a alegria como tino,
porque o que me habita
a cadência do ritmo que me palpita,

é a velha sensação, desde menino,
que a incompletude arde e dá guarida,
ao desejo, alegre, de melhorar, na vida...

quarta-feira, 4 de março de 2015

Cantares da alegria


De longe, de onde não
se esperava veio o complemento:
Cantar desfaz meus desalentos,
re-faz o corpo, e o deixa são...

Cantar re-põe as mesas,
as horas perdidas e encontradas,
as beiras de pastos e estradas
e desfaz enganos e surpresas...

E se, as vezes, o vazio se sobra,
maior será cada cantoria,
infinitas possibilidades de harmonia,

e silêncios que cantam sua obra,
que é a de nos mostrar a alforria,
que habita os cantares da alegria...

terça-feira, 3 de março de 2015

Pomares de dentro


Uma cantiga sempre
me sufoca e sai
pela güela, ai, ai,
pela orelha ou ventre...

Uma cantiga moça,
velha, mulher, menina,
Consuelo, Dodô, Clementina,
Fridas, lindeza que se esboça...

E me espaça nos eternais
como canteiros do Tempo,
como cantis, água vertendo,

na escuridão dos ais,
esta amada cantiga nascendo,
dos meus pomares de dentro.


segunda-feira, 2 de março de 2015

D'onde?


O que, afinal, nos conecta?
Qual a base, o topo que arde,
a água que flui (d'onde vem a arte),
o arco que nos lançou feito setas?

E na direção que aquele tiro tinha,
como nos ligamos entre nós,
o que somos, o que foram avós,
e tios, e antepassados de toda linha?

De onde vieram os questionamentos,
nossas bandeiras de luta,
nossas composições da labuta?

O que devaneio nos pensamentos,
é que nossa origem há de estar,
onde toque harmonia em todo lugar.

domingo, 1 de março de 2015

Cores e histórias



Este Universo,
que é o mesmo pra tudo
que existe,
em mim insiste,
em cada verso se revela e dispersa,
e, incrédulos olhos, me mostra o mundo.

Nas medidas contidas,
num acordo de tempos
impensáveis, antigos,
se faz aceso, fogo no vento,
arde em tudo, até comigo,
o fogo a que chamamos vida...



E em medidas não sabidas,
por nós (que não sabemos),
as nossas, de cada ser,
em todos que somos este parecer,
se extingue e liquida,
pra se repousar no mar de onde viemos.

E chamamos à isto morte,
por não sabermos que nome,
como é que se consome,
ou de onde volta e sorve,
as todas realezas do vivido,
as eternas miudezas,
grandezas do em nós, medido

Se sei, é que vou aprendendo,
em cada morte, a vida nadando,
a vida, sua palheta, vertendo
cores e histórias, pintando...