sábado, 14 de março de 2015

Cantoria


Sabor forte, de uma cantoria,
dum jeito que não se sonhava,
intensidade que transbordava,
extenso calor de toda arrelia...

E nasceu onde o som
por si, pelo tempo, voa,
eternidade que de mim ecoa,
canteiros da voz, reverberação,

na cantiga que de instrumentos,
corta voltas na direção do vento,
astuto aspirante ao pensamento

arguto e cortante rol de paramentos
com que celebrou-se a glória
linha que costura a nossa história.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Coragem


 


O medo me assiste.
De lá, de seu confortável
gabinete, emprego estável,
sente que meu peito palpite,

pois a vida se afunila,
em cada momento
ou infinito rebento,
ou perfeitamente me asila.

O medo vê tudo
de dentro dele
no centro da pele,

ele, que é o rabudo,
me segura e joga,
só quando se empolga...

quinta-feira, 12 de março de 2015

Fractais




O Universo, ele mesmo, União,
bate e volta em tudo em volta,
se prende, se arrepende, solta,
e rodopia, parado e inquieto pião...

O inverso, embora haja outra opinião,
se desvincula e sobrepõe a rota,
canta cantigas como quem namora,
a, desde as antigas, mais nova compreensão...

E o tudo e o nada, olhados de perto,
nem se olha, porque o olhar é inexato,
e está dentro do que esta sendo olhado,

e diz, porque o dizer é de certo,
o que nos distrai, desfaz o acabado,
e sobre tudo, o pequeno, fragmentado...

quarta-feira, 11 de março de 2015

O novo


Todo dia, e agora, verto,
de mim a espera do novo,
inspiração com que movo
a vida, própria pelo incerto...

Pois o que vem, antes, sempre,
não se sabe direito como,
e se apresso o passo, o retomo,
tal qual antes, pra re-sair do ventre.

Que cada dia pinta re-nasceres,
alimenta re-criares, inusitâncias,
re-habilita inéditas instâncias,

e faz de mim canteiro dos seres,
vespeiro de mel, vespas sem ferrão,
onde o novo nascerá em cada coração...

terça-feira, 10 de março de 2015

Belezas



E então, quando tudo sobra,
é o medo, a assustadora vibração,
que toma do corpo e do coração,
e impregna cada ação desta obra?

Só tenho feito, levantar os olhos,
e procurar na direção do clarão
e ver que se há peleja, há conclusão,
tempo da máquina se por seus oleos...

E assim, seguirá e eu seguirei,
os rumos que nos independam,
máquina e homem, livres se vendam

ao vento, que máquina, e eu escolherei
buscando belezas que dos veres pendam
e delícias que, todas as horas, choram.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Eterno abraço


A música de nossa terra,
cantou suas notas de voo
alçou asas como as entoo,
passarim que no céu se encerra...

E chega lá de tanto cantar,
como o soar da lira no peito,
o enlace que inspira respeito
respira e se vai, vocação de voar,

e seus cantos, flores e cores,
mostrou tanto à nossa gente,
que no coração, um estrondo se sente,

de uma saudade que, pra lá das dores
salta da vida, pra cantar no espaço,
pra Inezita cantante, eterno abraço

domingo, 8 de março de 2015

Canto que me vem


Na cantoria, minha alma
se lava, pobre e liberta escrava,
rica e prisioneira liberdade ignava,
ignóbil e assustada calma.

E no coração da eternidade,
os instantes da passarada, gorjeios,
nas porteiras do que cantos e meios,
estouros e maneios da saudade...

E soluços de onde vingaria,
a beleza sem esmero, de graça,
nas praças, Camélias nas vidraças,

Pixorolês na beleza toda que ardia,
e pras mulheres, seres de meu querer bem,
um canto de gratidão, me vem...