quinta-feira, 7 de maio de 2015

Brasis


Súbito sente-se,
senta-se o escrivão
de patentes,
e registra-se.

Válida gente,
instável e subserviente,
e, ao mesmo tempo,
incessante.

Este país nascia,
numa bacia de sangue
seu povo na estrebaria...

Das costas de mangues,
ao altos cordiais,
nasceram-se Brasis...

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Flores em Maceió


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As flores por toda parte,
e no vento, um perfume
do velho mar de cardumes,
de praças e vistas e alardes,
 
e um azul de tantos azuis,
uma estrela que brilha de dia,
uma Paz que de longe irradia,
uma dor que caminha com a cruz,

esta mesma que nos mantém
e premia, e se lava e se expande,
e mostra o nunca visto antes,

nesta cidade, longe do meu bem,
no Maceió que a saudade canta e tem,
água, massa e pó, pra nós cantantes...

terça-feira, 5 de maio de 2015

Um lindo dia






















Nesta manhã de distâncias,
em que ao lado, mesmo longe,
o Amor se mostra e esconde,
e se entrega sem circustâncias,

e sonha caminhos e subidas,
e atrai certezas e esperanças,
e se ouve zoada de crianças,
e nos lava a alma de vida,

nesta manhã, eu me dou,
ao que vim fazer com fervor,
fervendo minh'alma com o calor,

que romperá tudo que passou,
e gerará um tempo de alegrias,
e hoje, se fará mais um lindo dia...

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Respirar caminhos


Enquanto eu caminhava, o vento,
e a água toda do mundo me limpava,
e seu perfume por tudo cantava,
e me fazia sentir lépido e desatento...

E de meus olhos escorriam olhares,
em cada pedaço de tudo, lado a lado,
em todo espaço fecundo plantado,
das florescências cantando sonhares,

e eu ali, caminhava sem querer,
chegar, mas antes e sempre andar,
e ver o novo em seu etéreo balançar,

que de cada lado do balanço, pender,
e ser o que em cada tempo se dará,
que o caminho é eterno ao se respirar...

domingo, 3 de maio de 2015

Imensidões


Justamente quando o Sol entre nuvens,
numa paisagem que se diz agreste,
secas as pastagens, o campo, a sebe,
a grama amarela se re-verdeja, e vem

e sobrevoa com seu cheiro bom de chuva,
que sobrepõe as verdes matas, e cidades,
e carrega a flor de pedir a Paz: "invade",
e saber que toda dor um dia se transmuta,

e se torna o gosto bom do mamão, 
a estrada sóbria e sólida da alegria,
que ventila mares e sonhos todo dia,

e toda noite nos permite a imaginação,
da estrada que nos deita o pó, e as lições,
e neste chuvoso agreste, planta imensidões...

sábado, 2 de maio de 2015

Vens




O efetivamente sólido
se funde,
fica, vai, se esconde,
convém,  se mantém,
num vai e vem bucólico!

O insofismavelmente duro,
quente ou frio,
valente ou sumido, se viu,
é quase totalmente vazio,
e com quantos esteja, puro!

Ao meu rodar, redor,
nuvens de água,
num mar de céu...
Ar mais cheio d'água, melhor,
lava éguas e mágoas,
nuvem veloz que pro azul se deu.

Quem se movimenta?
As nuvens ou eu?
Imaginária aeronave,
cândida e lenta,
lépidas no céu,
vós, nuvens,
vens!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Radicado vivente!


Me Ametisto,
Topázios cintilam,
sobre o manto e a mina,
e, eis que existo!

E em água mino,
Rei, Pião, cantante,
cavalgada em madrugada distante,
fluxo em que me determino!

E no chão me nasço,
radicado vivente, em planta,
seiva e água da vida que canta,
pra viajar pelo infinito do espaço...