sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Cantar e ser


Se canto, canto.
Há que se ouvir meu soar,
como repouso, e vibrar,
harpeando, sussurrando...

Mas em e antes,
de tudo é este cantar,
isto que ar e pulsar,
de mim se expande,

e chega a ser
com quem mais,
tios, avós, pais...

Luz que vem ter
entre nós, risos e ais,
Paz, e cantar e ser.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Bordado aéreo










Vento e folhas,
tarde baldia,
lenta, barulhenta, sombria,
quente por dentro das escolhas.

Quem escolhe o são,
verte em colhimentos,
calorosos acolhimentos,
cantigosa união.

Quem se entrega visa,
solidez neste etéreo,
sondar insondáveis mistérios,

e a beleza sempre avisa,
que o vindouro transborda,
flores e o cheiro que o ar, borda.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Canção

Amália Rodrigues

Luz se difusa,
numa manhã sóbria
sólida, sonora e fria,
que se pinta e usa.

Pinto esta manhã
com cores tantas,
que quando canto,
verto hortelãs.

Ventinho frio,
costas das mãos,
frutos do chão,

e a fé feito rio,
me ri dos "nãos",
em mim faz canção...

terça-feira, 4 de agosto de 2015

De vencer


Anti-herói, e Arlequim
e vaso sem se quebrar,
e meninos a meninar,
fora e nos vastos de mim...


Atenuante de pensar no fim
caminho que vê os pequenos,
projetando passos imensos
e cria horizontes sem fim,


eu persigo o vazio no que faço.
E sonho viagens além,
e me entrego ao que vem,

pois pelo eterno repasso,
passando de novo pra aprender,
até a alegria em tudo vencer.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Vinho de vento


"Vinho feito de vento!"
Era como entendia,
tudo isto que luzia,
instante do alumbramento.

E em toda rota corria,
em cada ponto visava
em toda estrada amansava
o bicho que em mim rugia.

Mas suas asas soltei.
E por sobre cidades,
vales, campos de enormidades,

motes e melodias criei,
e crio agora, que voo e escrevo
meu canto, de ar entoo e bebo.

domingo, 2 de agosto de 2015

Riqueza


Canções. Eis
como o mundo
em cada grão fecundo,
se solidifica, e se desfaz...

Caçoa-se e passo,
e sinto o léxico,
e o insensato fluxo,
é o que caço,

nas florestas dos sons,
nas beiradas,
nos centros do nada,

e nas alegrias dos tons,
e em suas tristezas,
encontrarei esta riqueza.

sábado, 1 de agosto de 2015

Quinhão


Um chilreia
e pode parecer
prum ouvido sem saber
que vagueia,

como não soubesse,
o que diz,
mas enquanto chispa feliz,
uma melodia se tece...

E no céu, um canto/grito,
passante Gavião,
mistério de arribação,

festejos do infinito,
compostura de canção
cada passarinho, quinhão...