quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Velho Fado

Homenagem à Amália Rodrigues, e ao Fado

O silêncio
cantou-se mudo
e, seu canto de tudo,
silencia...

E grita
sua Paz ativa,
em cada coisa viva,
agita...

Eu, calado,
canto canções,
crio bordões,

deste velho Fado,
que em tantas encarnações
tenho cantado.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Planta


Se ainda canto,
é porque meus tudos
incluindo o choro mudo,
inda me vertem do pranto...

Este, que pranteio,
que pranteias
que pelas coisas feias,
nos correndo nos veios,

e pelas coisas lindas,
que tua boca canta
(e são alegrias tantas)

desde nossa vinda,
pra esta peleja santa,
indo pro céu, feito planta



segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Meus passos


Me elevei em altos
             destinos,
       como
sentir o ar lambendo,
um galo na Rosa dos Ventos,
pipa solta de meninos....


Me joguei fundo 
   em meus poços,
ser em mim tanta dor
              deste mundo,
o mais fecundo algodão
                  tem caroços...

Boiei num mar 
         de Sargaços,
  sal e frio,
               vida tanta,
que toda dor se espanta,
enquanto viver,
      segue em meus passos...

domingo, 4 de outubro de 2015

Grito de filho



Procuro onde
me segurar
pra continuar
neste bonde,

nesta condução
que leva longe,
p'ronde se esconde
alguma direção,

algum trilho
ou vertigem vasta,
que a vida arrasta,

ou grito de filho,
que nos chama
e tira da cama.

sábado, 3 de outubro de 2015

Vital e terna


Era cantiga,
era embalo e passo,
e pra lá do embaraço,
dançava moda antiga,

daquelas modas
de alento e sonho,
e, ninguém tristonho,
que a alegria se retoca,

pra ser da vibração
a construir tempo
novo, vasto, vento,

tudo numa só canção,
música ancestral e moderna,
que quer ser vital e terna...

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

À unhas


Palavra parada pira,
feito Piracema
alma, lama e Poema,

a Palavra precisa rio,
precisa onda e rota,
e canta e estronda Pororoca...

Em uma Palavra,
me expiro, são tantas,
as vertentes nem tão santas,
as mansas, as bravas,

e das Petúnias,
a cor que pulsa além
do que me vai e vem
enquanto escavo à unhas...

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Mundo novo



Era e é tempo de lida.
Cada dia,
            no pasto,
além do vento,
e do suor que da corrida,
                vertia,
quando corríamos pelo vasto,
atrás
     de reses fugidias,
tinha,
           naquela jovialidade,
uma insuspeita
                          alegria...


E foi que este correr,
    se fez a vida,
em todo passo.
Em cada dor sentida,
e ter que a dizer,
e o cansaço.


E hoje inda corro
em busca do sagrado
fartura do povo, o gado,
no pastoreio do mundo novo.