quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Ante a Paz


O duro metal
sucumbe ante
o peso elefante
e verga tal,

uma haste de capim
no vento matutino,
ou no xixi do menino,
ou se lhe pousa Tiziuzim...

Carros são armaduras,
feito as medievais,
(já vem com tudo mais):

lanças, espadas, queimaduras,
tão seguras e mortais,
mas sucumbirão ante a Paz

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Guerreiros sem armas



O futuro
se projeta,
e bebe nas tetas,
leite do furo,

do sangue da mãe,
guerreiros sem armas,
de montes e ramas,
Txucarramães.

O homem não é puro,
traiu, matou,
fingiu e desmatou,

e o único aprendizado duro,
é de a que, a única arma
não mata, vivifica e desarma.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

De todas as Marias


Fé, ventura,
alegria e cor,
alento ao labor
que gastura.


Leveza e brilho,
candura paciente
aqui, entre a gente
e além dos trilhos,


no Universo inteiro,
no quintal, no Colibri,
na vida que cria a si,


no eterno passageiro,
vive a pátria da alegria,
no dia de todas as Marias.


domingo, 11 de outubro de 2015

Meus panos


Nada,
me disse o anjo,
que se o mar brada,
n'Ele me esbanjo.


Onde n'Ele acaba,
tudo se começa,
a presa, a pressa,
o que nos desata,


e nas palavras
que cantou o Querubim
(penso) seguirei até o fim


de onde o anjo estava,
e meu barco, nadando no oceano,
até onde me levarem meus panos...

sábado, 10 de outubro de 2015

Encantes


Um canto rompia
e juntava pedaços
e entre os percalços,
eu e outros re-unia...

Um silêncio se fazia,
então onde criava o ar,
braços de céu e mar,
de tudo que existia.



Foi aí que todo canto
pôde se dar.
E por cada lugar

Violas encantes soando,
como bem-te-vis voar,
como o cheiro de respirar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Das Eras


A Música 
de tudo,
Canário único,
tempo fecundo.

Pousou nas galhas,
amarelo, grande,
calado neste instante,
deste Sol de que me valho,

pra ouvir o caminho.
Quase quanticamente,
ou muito além da mente,

ou só o que imagino,
Harmonia das Esferas,
e sua Música de Eras.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Longe da Gamboa


Como se um sonho me
des(se)povo (ah)-se.

Como se intrépido,
me deitasse
e esperasse...

Que o fim é certo.
E o passo incerto
a todos esperasse,

e espera.

Vejo a luz
daqui desta canoa.
No meio do mar,
longe da Gamboa.