sábado, 14 de novembro de 2015

Imensidão


Como quem renovado,
entre as flores
e além das dores
me via sentado,

e me via insuflado,
vagando aos sabores,
nas vagas de cores,
velas nos costados,

e se o caminho
segue a direção,
das palmas das mãos,

com todos e sozinho,
pr'onde aponta o coração
ainda veremos a imensidão...

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Só


Quem nasce só?
Quem estava acompanhado,
quando o chumbo trocado
quis te dizer que não dói?

Quem está com os demais?
Quem se parte por si,
ou espera, ali, aqui,
e chora quando se esvai?

Quem de nós, realmente sabe?
Quem nas horas se vale,
e nos ventos se repare,

até que um dia se acabe,
ou se complete e soe,
e só e junto todo ser voe...

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Só cantar


(VALSA)

Era um vaso, bem raso
e fundo feito o mar
e nele tudo tem seu lugar...

Eu o porto, de onde
minha nau se lançar
todo canto está no meu cantar...

E por todo horizonte,
e aqui neste versar
manifesta-se em mim
Rouxinol, Bem-te-vi,
só cantar, só cantar...

       
    (CAPOEIRA)

                   Tem nego que se sobe a ladeira,
                         engrena na Capoeira...

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Canto


Só cantar significa,
só o canto leva
o que, em cada pedra,
é a poeira que fica.

E de poeira feitos,
nos sentimos vastos
dos espaços infestos
de vazio rarefeito...

Nada, então, voará,
e nada no chão,
e tudo constará, então,
do que nadará

em águas de infinito,
em algum canto bonito.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Cantar ao sabor das horas


imagensdouniverso.blogspot.com
Cantei porque era,
e ainda é o que resta,
minha parte na festa:
Era o canto, ou a fera!

Que me ataca por dentro,
e nas horas de chuva,
calor e sabor Bocaiuva,
vou veloz como o vento,

me esconder na imensidão,
me largar aos sabores,
das cálidas e distintas cores,

que ao cantar, minha canção,
ganharei o vigor de Amoras,
e soarei o sabor das horas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A própria


Medo.
E o mar do mundo
batendo ondas
entre as pedras e o fundo,
tanto e tantas neste enredo.

Ainda bem que
ainda tem quem
cante cantigas...

Ainda bem que
infinda e além,
a própria vida.

Sonho e me sinto bem.

E se canto, é porque comigo vem.

domingo, 8 de novembro de 2015

Sigamos





















Cantiga do cotidiano,
leve, arguto e mordaz,
e na frente, por traz,
leva e traz leviano.

Mas, seguem-se os planos.
A rota, de sua essência,
verte-se em veemência,
e sapateia-se em panos,

e por mares de anos,
milênios de ventos,
em cada dia sedento,

se bebe de nossos manos,
re-feitos em novos nascimentos,
sigamos, sigamos, sigamos...