sábado, 5 de dezembro de 2015

Anuns


Anuns são seus sons,
ventam e voam,
cores entoam,
entre pretos e dourados tons...

Sua gravidade expressa
essências perdidas,
na turbulência da lida,
e graciosamente cessa,

e voa, daqui pra ali,
extrai de si sentidos,
e se canta em estampidos,

sons repercutidos, em si,
voando em graciosos alaridos,
ventados dos Anuns coloridos

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Ignorância


A partir de quando,
a luta pela vida
a guerra e suas feridas,
seja o justo passando?

Se nos levantamos,
indignados, em luta,
a indústria mais corrupta,
(às fábricas de armas),
                         alimentamos...

Se nos calamos,
à gente burra e bruta
a porta ininterrupta

se abre e morrem Álamos,
na estrada da intolerância...
Deixaremos vencer, a igonrância?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Do Templo, o terreno



Uma Viola voa,
entre meus dedos...
E eu penso, atoa,
que ao fazer-lhe cócegas,
me contará, às cegas,
seus segredos...

Nem me lembrava,
que em mim
mesmo esta Viola dava
festas tão boas,
nas quais tantas loas,
já se compunham assim...

E logo um Canarinho,
chega cantando,
de preto e amarelinho,
e ver de perto
e ouvir desperto,
será trilho se pintando.

O frio tece a manhã
de calor ameno,
de orvalho e maçãs,
e neste peito, a Viola,
tece, desfaz e consola,
eu, do Templo, o terreno.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Nosso comportamento


Nosso comportamento,
atávico legado repetido,
em tudo e cada sentido,
em mim, semi-formigamento,

no mais, quase sempre violentos,
deixamos as crianças nas ruas,
porque o dinheiro diz a lei nua,
que quem o tem, terá alimento...

Não tendo, nem bem gente,
se pode dizer que a criatura,
fedida a suor e cana pura,

e é grande, acerca do vivente,
nossa certeza de superioridade,
e a violência sendo a única gratuidade...

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Do caminho


Eu sinto o peso,
o dia tenso
ar mais propenso
a pesar seu peso...

E eu só cantar.
Que mais sobraria,
se se pesasse por bizarria,
um de meu arcar?

Quem poderia,
desta dor que irradia,
me perdoar?

Se nem eu de arrelia,
além de cantar todo dia,
por qualquer, respirar?

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Ato criativo


Quem busca
o ato criativo
pensa em síntese?

Quando é 
que a criação 
se enxuga?

Um canto,
pode plantar
nas almas, delírio?

Ou o prazer,

se infiltra sutil,
e desvia o pensar?

A quem,
quem cria,
deve se reportar?

Tantas são as perguntas por perguntar.
Tantos são os pecados, marcados em cada um que apontar.
Então, quem a criar se preza, arranja imensa empresa pra trabalhar.
Canção, e soberba beleza em cada desdobramento que chegar.

domingo, 29 de novembro de 2015

Instante


Como escorresse
caldo grosso
          e delirante...


Um Universo raso, que
se ampliasse, rápido e incessante
          desta insensata sensação
de que o tempo é rio,
                            e vai,
de fio à pavio
   numa direção
                       constante....

Pois que conste
que é esta 
uma particular
      e rara forma de imaginar
                             o
                                     instante.