quinta-feira, 7 de abril de 2016

Infinita


A pele pulsa,
o prazo, o preço,
o destino aceso
cada caminhada avulsa.

O pranto cruza
a vida e a certeza,
que mexe e reza
com tudo que se usa.

E com tudo que se preza,
me prendo e predomino,
nas ondas do destino

na maldade que despreza,
na eternidade que reabilita,
leveza etereamente infinita

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Planeta e riachos


Eu era som,
era vento frio
ribeirão vadio,
gelado, quente e bom.

Eu era canto,
da terra e seus gelos,
e mares e espelhos,
insuspeitado espanto.

E era cansaço
tanta pedra e cachoeira,
tanta estrada na ladeira

que mesmo sendo de aço.
Se no espaço a poeira,
é estrela, planeta e riachos.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Nóis se festar


Nenhum passo,
a mais aqui pra dentro,
senhor sem vento,
e olhar esparso...

Não há quem queira aqui
mais seus mandos
doídos comandos,
de se cumprir!

Nenhum de nós,
quer mais sua tristeza,
que enfeia a beleza
com esta voz,

que grita e manda,
e acha que manda,
ninguém nos manda,
deixa esta banda,

que somos nos ventar,
em terras de alegria,
nos bailes da alforria,
de novo, "nóis se festar"!

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Nada


Toda uma nação,
é ninguém, afinal?
Quem nos é lateral,
e quem virando o timão?

Quantos de nós
somos ventre e mãos,
serviço e exaustão,
vítima, juiz e algoz?

A invenção do poder,
é dizer que não tem,
brincar de ser sem,

de fingir não comer,
brutalidade disfarçada,
até chegar à nada, nada...

domingo, 3 de abril de 2016

Histórias


Cada Poema é uma sombra
do que me compõe, e sinto,
gole no inabstrato Absinto, 
que pulsa no ar, e me cobra,

por este meu sentir
tempo de dor e ternura
em que a vida, ela pura,
se faça ressoar e vir...

Cada Poema contém pedaços
disto que em tudo constrói,
e na vida nos alenta e dói,

e vindo o tempo dos abraços,
ver o que ainda há por vir,
e montar as histórias do existir.

sábado, 2 de abril de 2016

Minha matéria


Sopro esta Flauta d'eu
como quem quer ouvir
a Luz que nos há de luzir,
cantada no que se verteu.

E esta melodia feita
inexata, sensata, superior,
perfume e vagalume na flor
não deixa a menor suspeita:

sou Flauta nascida
pra ser soprada
antes e sempre tocada,

músico-me em minha vida,
sons correndo em artérias etéreas,
em que flutua minha matéria.
 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Encher o mundo de cor


O mato cresce,
e ao invés de atrapalhar,
de ser feio e incomodar,
é a vida que floresce.

O dia é quente,
e ao contrário de estorvar,
a roupa vai se secar,
e as plantas crescem plenamente...

O vento frio incomoda
mas o pólen multiplicador,
conta histórias de flor,

no ar que rompe e roda,
e distribui vital calor,
pra encher o mundo de cor!