domingo, 7 de agosto de 2016

Nihil


A vontade de nada
me avança, dá ganas
de nem ser essa pequena,
porção desastrosa e vestida,

que vem me sendo a vida,
este sequencia desordenada,
pois atrapalho as madrugadas,
com esta existência/ferida,

e então,
esperar
pelo vão,

que há de brotar.
 

sábado, 6 de agosto de 2016

Singularidades


Assunção é o que acontece
quando a pessoa se assume!
Nada mais de queixume,
quando o ser em beleza se tece

quando a moça se aceita,
com seu cabelo lindo
pixaim, ou na testa caindo,
cada corpo por si se ajeita,

e torna viver, possível,
do modo particular/infinito,
em que cada ser é bonito,

e qualquer padrão é risível,
porque perde as particularidades
das nossas incríveis singularidades.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Tudo que existe


Tudo que existe
neste mundo,
que não foi Deus,
ou a Natureza quem criou,
foi, é e será,
minhas senhoras meus senhores,
feito pelos Trabalhadores!

O mundo é
de quem nele habita!

O prédio é muito mais mortal

que a palafita!

E os homens e as mulheres
em marcha contra o mal!


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

De mim, em tudo


O Poema me chama,
como uma gata no cio,
como a um peixe, o rio,
como a quentura da cama...

Este Poemar falante,
umas vezes tem sal do mar,
ou a doçura dum afagar,
e ainda outras, é distante...

No entanto, me traduz miúdo.
Como fosse radiografia,
feita de caligrafia,

ou de dígitos mudos,
de imagens de todo dia,
em que me falo, em tudo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Do que intui o coração.


O Eterno sempre
pergunta, porque,
anseia "praquês",
e nos refaz nos ventres.

Vis alvitres apontam
pra voos voláteis.
Vãos, latem cães, e contam
das gatas as garras retráteis.

Eu, nesse caminho
sigo, nem sei se são
ou se digo alguma direção,

que o meu precioso carinho,
é a Viola, em minhas mãos,
que canta o que intui o coração

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Tempo ventre


Por quantas vezes fui
investigador de mim
nestes infinitos carmins
terracotas, e frios azuis?

Procuro ver e entender
os movimentos e sacudidas
das grandes subidas,
das descidas pra valer...

Tudo está sempre 
no lugar de estar
sem nada pra arrumar,

e o Tempo, ventre,
em seu curso nos mostrar
a vida em todo lugar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Bota fé!


Mundo é,
veloz como o som
que atalha caminhos...

Indo a pé,
ou de carro, ou de trem
mais ninguém, vai sozinho...

Quem caminha
e olha em frente,
olhar valente,
bota fé!

Caminha minha gente!
Bota fé!