quarta-feira, 7 de setembro de 2016

As cores da alegria


O que lembro
me lambe
e ilumina.

O que estendo,
me solta
e alivia?

Eu era vento,
e um dia
uma arrelia
me quis elemento...

Então, ventando,
fui fazendo folia,
brincando, pensando,
com as cores da alegria.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Insensatez


Com que alegria, sigo
a esperança que tarda,
falha nunca, atalha,
os trilheiros do perigo!

Sou como vã vassoura
a varrer de si a massa
do que em si amordaça
gritando como quem implora,

e de dentro da peneira
vive mais uma vez
uma vida inteira.

Pois na trilha que a vida fez,
salto lindos penhascos
em amor insólito pela insensatez!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Ia


A natureza se cria
e na sequencia se refaz
e o que é eterno se desfaz
e na aparência se copia.

Toda beleza que há, e havia,
e ventava altos e fundos,
se mostrava a todo mundo,
na Claridade que luz e luzia...

Sei que invento, todavia,
meus caminhos e sentidos,
e me encontro despedido,

mesmo quando inda nem ia,
já andava certo e perdido,
e chegava e nem sabia...

domingo, 4 de setembro de 2016

Sem senso ou cosseno



Nos amores que transitam
pelo mundo, mesma carne,
mesma terra, queima e arde,
os velames os rumos apontam...

Nestes, os dias de Sol convidam
a ver então lindos nasceres,
arrebóis de pão de só prazeres,
dos que por nós são, e nos orbitam...

E o Eterno, vigia de dentro,
enquanto penso pequeno,
sou anti-universal, mais terrreno...

Mas nenhum laço será prendendo,
e eu da vida, e da criação me enceno,
e me lanço, sem senso ou cosseno.

sábado, 3 de setembro de 2016

O que a gente faz


Se argumento,
seguro, inspiro,
aguento...

Se vem lá, de dentro,
a força
é sem medimento.

No leva e trás
que a vida venta,
ela me experimenta
e corro mais...

 No caminho de Paz,
que a gente tenta,
tormenta trás tormenta,
lutar é o que a gente faz...

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Da bagaceira de nossa elite esfomeada


Nestes dias, vago,
da dor da história
me escavando a memória,
drenando lagos,

fazendo rios correntes
de contaminantes,
dos que num instante
matam tudo e gente...

Uma Mariana enxurrada
passa pela vida brasileira!
E na janela, debruçada,

vejo nossa gente, assustada,
vendo se repetir a bagaceira
das mordidas da elite esfomeada...

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

É MEU!!!


Um homem gritou:
"É meu!!!"
E o pivete correu,
e a Polícia, bateu, e matou!

É verdade que o gritante,
nem suas propriedades,
tão reais majestades,
não encontrou com o meliante...

Mas o prazer extasiante,
de ver o pivete agonizante
já valeu!

Sem falar do fator economizante:
Menos delinquentes,
pra pegar o que "É meu!!!"