sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Do novo que rompe


 Num ataque de mim
contra o que sou
o melhor vazou
e, do que era ruim
eu disse por fim
de tudo que se passou...

E este tal tudo
era mato baldio
nascido vadio
em terreno vagabundo...

Eu voo no mundo
com asas de canto
com penas de pranto,
escamas de mergulhar fundo...

Mas o que me dá arrelia
neste, e qualquer instante
é ser cantigueiro viajante
e ver o novo, radiante,
em todo romper do dia...

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Caminhos


Que caminho tomaremos,
eu e você
meu amor?

Mais des-mesquinho do que
(este que) temos,
que o nada a perder
nos mostrou?

Ou então,
num "por si", 
um sozinho fazer,
nos perdermos
de perceber...

Pois que,
 numa instância,
(eterna)
de carinho,
o caminho,
ele mesmo
nos tomou...


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Amor Fraternal


O Sol se via, entre,
nuvens e brumas, fiapos,
Luz que irradia-se no espaço,
e vem no vento que vente,

no meio da gente,
cercados de verdes,
marrons e amarelos ocres,
água fria e quente...

E a crueza da vida
nem mostra o que é real,
nem acha nada normal,

mas, presenteia e convida
a ver que a agressão e o mal,
não podem com o Amor Fraternal...

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Verter


Num tempo, e outro
neste agora, e em todo
lugar onde, eu, tolo,
estou preso e solto,

eu hei de ser além
deste aqui, em mim,
de amarelos e carmins,
que me faço este quem,

pra ser eu mesmo, total,
com tudo que reverbera,
e do plano, me fará esfera,

bem pra além do bem e mal,
bem pra dentro do que, ser,
me fará eterno verter...

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Custar a crer


Nem bem sei,
nem bem via
a grande via
em que viajo, e viajei...

Apenas pensei,
que mais dia
ou outra bizarria,
e tudo seria outra lei!

Tudo seria mais forte,
como a leveza do vento
ou colo de dar alento,

e nem mesmo a morte,
e nem a dor, lá de dentro,
pudesse vencer a gente...

domingo, 9 de outubro de 2016

Espécie cantante


Uma melodia,
ancestral, visceral,
anímica e umbilical,
soprou-se ventania,

através de flautas,
e tempos, como quem voa,
e Maracatus e suas Loas,
e se fez nossa pauta,

e soou em nossos Tambores,
e verteu de nossas fontes,
e lambeu-se como nunca antes,

e cantou nossos amores,
chorou propriamente as dores,
e criou-nos espécie cantante...

sábado, 8 de outubro de 2016

Do tempo das mães


O elevado
só se vê!
Não tem, nem lê
nem lado...

Quem está acima
só ensina,
nunca sente,
nunca aprende...

Na escola antiga
na era das matriarcas,
o incentivo,

era, no colo, a cantiga,
o colo letivo,
da vida amorosa farta...