terça-feira, 7 de março de 2017

Esta pergunta


Em que grau o Belo,
se articula com o Bom,
e se harmoniza com o Tom?...
Entre eles, há elo?

Em que tanto a lindeza
de um sorriso, um passarinho
um colo e mamar quentinhos,
são do Bem, realeza?

Eu canto procurando estes,
como quem navega
e suas velas desprega,

e nos Nortes, Suls e Lestes,
Oestes de imensidão,
esta pergunta, em todo chão...

segunda-feira, 6 de março de 2017

Perguntas inacabadas


Se busco em mim,
um feminino, 
onde seria, assim,
seu menino?

Se busco o solto,
na estrada,
em que parte ou ponto,
a tralha largada?

Se busco a vida
sonhada,
é pesada a lida?

Se eram mesmo cartas
marcadas,
pra que serem dadas?

domingo, 5 de março de 2017

À caminho


Uma insuspeitada Graça
se ergueu do jardim
na noite, no espaço
da Lua crescente e carmim...

Alegria era vasta,
como as areias
da praia, sempre cheia
e sempre casta.

E entre as areias, caminham
pessoas e bichos,
compreensões, e nichos,

bolhas que assim se pensam,
e entoam címbalos  e sinos,
d'Alegria, que está a caminho.

sábado, 4 de março de 2017

Hora


Os "Palmares" e os "Canudos",
os "Caldeirões" e as "Candelárias"
se habitam de tristezas lendárias,
mas, das sementes de mudar o mundo.

Mais uma criança morreu!
Era preta, e ameaçava vidros!
Então, pra salvar (o vidro) do perigo
o guarda do lugar, bateu, bateu...

Esse menino, era filho teu!
Era filho deste que escreve e chora,
não pelo que se diz agora,

mas pelo tempo que antecedeu,
a estas nossas sofridas demoras!
Que, de virar este jogo, já é hora!

sexta-feira, 3 de março de 2017

Convicções


As perfeições imperfeitas
da Cabacinha
de pele lisa e fininha,
a fazem mais que aceita...

A tornam essencial
ao que difere, agora,
(por dentro e fora)
o bem do mal...

As imperfeições calcárias,
de nossas convicções,
que matam feito as exceções,
são como estradas primárias:

Até chegam, onde precisamos,
só que ao invés de voar, andamos...

quinta-feira, 2 de março de 2017

Aparências


Novas estéticas se estiram
em vertiginosas vertentes
ou presunçosas patentes,
e a cada ser, dão e tiram

um jeito que a pessoa acredita
seja o dela, figura única...

"Cada um, uma cor de túnica",
estilos e tons encobrindo a dita.

A tal dita, da realidade dura,
que é a maior enganação:
Quem faz, não come o pão...

Pelas aparências, o absurdo perdura,
ensaboa-se e continua,
e só a Verdade não anda nua...

quarta-feira, 1 de março de 2017

Além

 

Vindo o Sol, junto
veio o canto Bem-te-vi,
uma saudade que nunca vi
e um quadro pronto.

 


Porque isto aqui, é estrada.
E cada coisa e gente
é (cada caso, diferente),
feito quem não sabe nada...

E então, caminhar
me resta e faz seguir,
em busca de me permitir


conhecer isto que buscar,
bem além do que vemos,
muito mais do que temos...