segunda-feira, 14 de maio de 2018

Do Tao



Então me pus a criar,
como um mar que chegasse,
numa praia, e se apresentasse,
e não (simplesmente) tomasse seu lugar...

Com uma bagagem de viagens e sonhos,
um aqui de pesares tristonhos,
um aquém de vida, muito além,

dos encontros, seja com quem...
Seja muito feliz ou tristonho,
vermelho, ou ilusório sonho,

como se dançasse tão bem...

Como se o velame, e o leme, sozinhos,
fizessem o que fosse a nau!
Eu, e meus andaimes compomos o Tao!

domingo, 13 de maio de 2018

Arvoredos...


O dia nasceu, como um arvoredo
um ciclo ou outro do Minuano,
ou (o que) cada dia há de mostrar, leviano,
o de todo sempre há de ensinar, desde cedo...

E o medo segue em frente,
desde este, de o fumo,
 desde que, adiante, aprumo,
o que me há de pelo chegante...

Sei que hei de seguir adiante...
Como um dia sem mar,
como um mar sem avante,

como um adiante sem lugar...
Mas em mim, há de brotar, valente,
como a esperança que rebrota na gente...

sábado, 12 de maio de 2018

Vindouro


Quanto mais houver por vir,
tanto mais produzirei,
muitos mares altos cruzarei,
tantas gentes no gentil porvir...

Porque o vindouro é inusitado,
e cria arbustos no caminho,
e entre seus galhos, espinhos,
e é muito melhor, que o melhor esperado...

Quero as trilhas que virão,
seus altos e baixos, ladeiras,
poços profundos e ribanceiras,

pequenezas, larguezas, imensidão...
Cada dia mostrado em tom de bebedeira,
cada pedaço com sua intensidade inteira...

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Meninos



Eu era o mesmo e outros,
e vários, indigestos e ordinários,
incensados ou libertários,
onde nunca haveremos poucos...

Andávamos sozinhos, ou em bandos
etários, signatários, vertidos,
da falsa paz em que estamos metidos,
e vez outra, espalhamos nosso canto...

Como se verá, da Música entoada,
em cada beira de caminho, 
nas flores e em seus espinhos,

há sempre gente engajada
com as mudanças que pede o destino,
com a eternidade, em cada menino...

quinta-feira, 10 de maio de 2018

O encontro com a Alegria


Aí, soprei com força,
como quisesse espantar,
e trazer pra dentro o ar,
e correr como corre a Corça...

Não há o que se fazer,
nem o que se deixar
de cotidianamente praticar,
cantar, tocar, lamber...

Vou sentindo os ventos,
suas direção e energia,
como esperasse pelo dia

no fim da madrugada lenta,
da estrada caminhada em romaria,
na busca do encontro com a Alegria..

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Da revolta



Como fora eu, talvez,
límpido e errático,
errante e sorumbático,
também fora, e serei feliz!

(Quem sabe desta vez), como ir ao céu,
provar das delicias das ambrosias,
sussurrar, e ser ouvido pelas cercanias,
pensar, e fazer conforme eu!!

Investigo em mim as maravilhas,
do mundo onde vivo, onde ajo,
e de vergonha, as vezes me encorajo,

a mim mesmo, a me fingir de ilha,
e fantasiar, que em tudo, à volta,
existe algo mais que a revolta...



À quatro mãos com o Espírito Benjamin

terça-feira, 8 de maio de 2018

Amor na vida


O que é que eu acho melhor,
ou o que menos, ou mais, me apraz,
e sopra delícias, ou angústias,
molhadas de surpresa e suor?

O que é que eu penso que deve,
ser feito do mundo e das coisas,
das cercas, das cadeias, das coifas,
com que respiramos, cobertos de neve?

(Porque o egoísmo que conhecemos,
é frio e mortal como o gelo),
e não é privilégio de qualquer povo tê-lo,

mas uma condição dos que humanos, nascemos,
e que pede pra ser superada, vencida,
e criarmos amor, e mais amor na vida!