quinta-feira, 7 de junho de 2018

Esteira


Um ângulo se mostra
na esteira rubra e viva,
audaz, mordaz, ativa,
máquina que prende e solta...

Cada dente da engrenagem
moi cantigas e desencontros,
com a facilidade de voar dos Pombos,
com a certeza da vadiagem!

E no limiar de existir, percebo,
que o buscado não está no que vivo,
no que me liberto, ou cativo,

nem no que fumo ou bebo...
Mas antes e sempre no rolar
do movimento de avançar...

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Conjecturas


Eu nem bem sabia, sabe?
Nem bem voava, e sentia
o vento como fosse o dia,
e o chão, que por noite, cabe...

Eu nem bem virava
e tudo que em mim corria
feito um rio, dia-a-dia,
fazia-se ave que voava...

Tudo pra encontrar como dizer,
disto tudo que vou carregando,
e em cada vou enxergando,

o que é de meu parecer,
de minhas instância e candura,
cantarei em versos/conjecturas...

terça-feira, 5 de junho de 2018

Horas lentas


Quanto tempo isto segue?
Que tanto mais seguiremos
antes de vermos os termos,
ademais de sermos quem consegue?...

Pois quem sabe, que diga!
Diga pelo Amor de Deus!
Pela vida dos que são meus,
dos que não são, de quem me siga!

Eu só sei mesmo de Loas!
Das festas animadas e antigas,
onde fazemos filhos e cantigas,

onde existimos nas horas boas,
e morremos nas mortes lentas
que nos acumulam, e arrebentam...

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Passos



Eu nem bem crescia,
e já me iluminava da sombra,
me encantava da lombra
e em tudo me fazia

inventando meus passos,
meus pesos, podres e pisos,
patinando no granizo,
de que, esfuziante, me faço...

Sei que devo apenas seguir....
Sabe? Como uma onda,
que em sua rota redonda,

ao redor do mar, de que vier,
vai até se achar na areia
onde, nós, de vida, presenteia...

domingo, 3 de junho de 2018

Invertida

 
Como se o esquema
não mais funcionasse,
nunca mais se repetisse,
e só desce problemas,

e todos os poderosos caíssem,
e todas as pessoas soubessem
que o trabalho é que é riqueza,
e quem trabalha, faz a comida, e a mesa...

E então ninguém faria
o que desgosta e vence,
não traz resposta, prende,

e inventa a vida vazia,
desprendida de sentido,
do bem querer, invertida...

sábado, 2 de junho de 2018

Tão esperado...


Quem já viu, o raiar do Sol
antes dele mesmo raiar?
Quem já sentiu o marejar,
de tempestade no arrebol?


Sabe? Noite inteira acordado,
o velame todo arrematado
a árvore seca zunia veloz,
o pobre, no leme, não via um retrós...

E os rochedos, surgem no inesperado,
como surgem outras praias,
outras bordas, que descer, ver Faias...


Havemos de aprender com o inusitado,
ganhar prendas do comportamento interditado,
e viver do que nos for negado!

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Percebo

 
Um mês que começa, e lembra
dos começos de tantos de tudo,
de laços largos, vastos, profundos,
inexatos e insensatos, da Pemba...

Eu era só criança, e já sabia,
que tudo era mais e nada
se paralisasse, ou derivada,
toda dor, toda beleza que havia...

Nos junhos do mundo, me habito
disto tudo que há em mim
e nos tapetes carmim

e nas dias, que vindouros, exibo
o que nisto que percebo,
está o que fumo, cheiro, bebo...