sábado, 7 de julho de 2018

Pestanejar


A voz do dia ganhou cores
que a ausência sobra
e a verdade incuba, e cobra,
com o cotidiano, e suas dores...

A vez dos passos, a centelha
do fogo que em tudo vibra,
de cada parte, em cada fibra,
em todas as artes velhas...

Eu mesmo só sabia sonhar.
Em cada listada minha lissergia
me assombrei dos poderes do dia,

pra encontrarei meu pestanejar...
Como um Carneiro e seus pastos,
ou tudo, dos ínfimos, aos vastos...

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Da gente que pensa com a bunda...


A distância une, ou separa?
Quantos de nós conhecemos
tudo de que dependemos
nesta nossa vida rara?

Quem sabe quanta radiação
nosso corpo aguenta sentir?...
Pelo calor, ou frio, se pode medir
a fragilidade de nossa condição!

Olhar o material, tridimensional,
e não considerá-lo parte,
é a burrice que nos encarde,

e nos limita ao que é "normal"
mas é jaula de porcos, imunda,
e cria a gente que pensa com a bunda

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Fitas


Incauto, distante e vazado,
fiz de meus sonhos
caldos de sabor bisonho,
pelo incessante prazer dado,

e recebido das coisas da vida.
Como fosse enérgico e tristonho,
invisto tudo a que me proponho
na missão de labutar a lida...

E pra que nada fique
sem acerto como deve
ser, como se pede,

serei casa de pau-a-pique:
rápida, forte e bonita
lugar de Violas de fita...
 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Dizer


Busco um por onde,
por nada e tudo que venho,
fazendo me franzir o cenho,
andando no que esconde,

e encontra o caminho.
Apontado em seta ligeira,
em metades mais que inteiras,
em flores e espinhos...

Eu só sei que sigo
antenado e vertente,
encantado e renitente...

Pois que antes de tudo, digo,
sensações em palavras,
imensas, brilhantes e parvas,,,

terça-feira, 3 de julho de 2018

Passageiros


Neste jogo, um fala,
quando o outro chama
e pela palavra clama,
que aqui ninguém cala...

A certeza nos engana
mais que a dúvida séria,
mais que estudar nas férias,
ou se achar o mais bacana...

A Poesia ganha pastos,
cruza cercas e fronteiras,
salta de todas as beiras,

sem ser nenhum de nós, casto,
somos todos mensageiros:
da "Gaya Poyesis Mãe", passageiros...

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Velha canção



Eu, e meu barco
numa esteira de sonhos,
ficamos mais pequeninos,
na medida em que nos afastamos,

pra dentro do mar, 
pra mais navegar...

Neste meu arco,
de onde nos atiramos,
pais, e meninos,
tristes ou risonhos,

nas ondas do ar,
nas velas de amar...

Aprendi a velejar,
vento e onda a me carregar...

domingo, 1 de julho de 2018

Vindouro


Em tantas línguas
se pode dizer a verdade,
ou vil falsidade,
de honorabilidade exígua...

Em tantos tons
se pintam céus e rios,
amores e mares bravios,
em cores, sabores, sons...

No entanto, a fogueira acesa,
esquenta e ilumina tudo,
e por perto, o medo do mundo,

teme pela escassez à mesa,
mas sonha o tempo vindouro,
onde gente valha mais que ouro.