terça-feira, 7 de agosto de 2018

Tece


O caminho sempre abre
duas (no mínimo) pontas
que no final das contas
são as mesmas, que se sabe....

Com carinho, e algumas ondas,
um surfista sobe e desce,
e na ondulação se reconhece,
no subir e descer fecundo...

E "arrebentar" é se entregar
pro mundo, pras ideias
que a gente vê nascer das teias,

e que em tudo pode encontrar,
o que em mim antes padece,
tornado neste pano, que a gente tece.... 

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

História em travessias


Travessias atravessam a gente
nas histórias, nas cantigas,
nas revelações presentes e antigas,
nas dores escondidas e aparentes...

Cada passo que a humanidade deu
fala mais de nós que as palavras!
Mais que livros, que buracos de lavras,
as montanhas que se subiu e desceu...

Por este tanto, sigo o caminho,
como quem busca a si mesmo,
com uma alegria doida, à esmo,

por saber que não vou sozinho.
De tanta estrada que já vi,
percebi os passos de antes de mim...

domingo, 5 de agosto de 2018

Insano


Como ser de fé e candura,
quando o que sinto é pouco,
o que meço soa rouco,
e me reconhecem em loucura?

Como andar a pé, e criar,
se em tudo me veem afoito,
como é peculiar aos doidos,
o que me restará? Gritar?

Um céu de enormidades canta 
os contos da vileza perfeição,
tesouro de poucas mãos,

onde o que pertinente se levanta,
e encontra-se na perfeita direção,
mas "tu é só insano, meu irmão..."

sábado, 4 de agosto de 2018

Enormidades


Um suspenso porto
me recolhe, absorto,
em minha nau de fantasia...

Um pretenso estorvo,
se me tira da alegria,
nem me sou mais nem um dia...

Imagino lonjuras e proximidades,
rasgando o tecido
que pelo (pouco) que temos vivido,
nos limita as possibilidades...

Mas, se rasgado, abre enormidades,
distâncias de sem escala,
pulando universos feito valas,
de um campo de infinitas afinidades...

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Aliança do bicho com a armadilha...


Quando a raiva nasce da indignação,
as vezes não dá pra escutar,
nem se tem vontade de enxergar,
e se fecha o coração...

Quando um povo inteiro,
é tratado como mercadoria,
o mercador não me convenceria,
de que não pensa só no dinheiro...

Os ancestrais de nossa "elite",
com a benção dos padres,
estupraram nossas madres,

escravizaram a nossa gente...
Agora, querem que acreditemos
que não querem o que temos??

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Miudezas


Queria mesmo saber voar alto.
Como Urubus da encosta,
ou os Colibris das respostas
rápidas e sempre em saltos...


Queria saber mergulhar fundo,
como as Ariranhas dos rios,
ou os Siris, dos mares bravios,
os Golfinhos, os peixes do mundo...

Mas, da mina o mais intenso  veio
é o das folhas soltas no chão,
ou a sujeira impura nas mãos,

dos ciscos, indecisos e feios,
eternidade em manifestação,
nos mostrando de onde tudo veio...

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Do que virá


No campanário daquela velha
capelinha branca
no Sertão da Bahia, 
que nem tantas,
feito o de todo dia,
ou, o que mais se assemelha,

tocou certo dia o sino,
sem que ninguém soubesse,
nem nada pra tocar,
ou alguém que ali estivesse,
pra poder nos contar,
dobrou por um menino...

E menino tanto há...
Nestes sertões do mundo,
meu povo faz criança,
meu sagrado povo fecundo,
de tão fecunda esperança,
no que certamente virá!