sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Amor


No canto, na estrada,
no caminho de espinhos,
no voo dos Cuitelinhos,
voando sobre flores... Mais nada....


Eu era só e eterno,
como a Vaca no pasto,
ou cada Estrela em seu vasto,
desenhada no velho caderno...

Pra onde irei? Só meu valor
saberá dizer, entre os dias,
feito uma idiossincrasia,


que emanasse Luz e calor
e se desculpasse da Alegria,
inspirado (sempre) no Amor....

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Atitude


Um céu se verteu de vidros,
de vestígios do impensado,
de alegria por todo lado,
e por todo lado, povo sofrido...

Um chão se encheu de águas,
se plantou de ervas
de árvores eternas,
e gentes com suas mágoas...

E eu voei o quanto pude,
mais alto que um Condor,
mais baixo que uma flor,

lutando pra não ser rude,
cantando prosas e louvor
nascidos desta atitude...

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Tudo feito


Uma tristeza floresceu
em margaridas e gozos,
entre fáceis e perigosos,
nestes dias em que tudo se deu...

Não era ninguém, mas eu!
Tudo de bom e ruim,
acontecido sempre por mim,
nas beiradas do que se sucedeu...

Nas entradas bandeirosas
em que nos vestimos de reis,
e nos sentimos indivíduos sem lei,

eu experimentei a vida insidiosa,
de procurar pelo canto perfeito,
mesmo antes, ou depois de tudo feito...

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Tudo


O medo do vazio
me enche e expande,
maior que meu eu grande,
mais fino que um fio...

A dor de desejar
me dá fitas coloridas,
e as esfrega nas feridas,
que o desejo furar...

Eu, intrépido marujo
quero o jogo dos mares,
o pleno fogo, em cantares,

em terrenos baldios sujos,
em jardins de encantares,
no pleno, que hei de ser em tudo...

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Maestria


O bailado alegre do vento
trouxe o pólen de longe,
e fez doce a Fruta do Conde,
e me adoçou por dentro.

Os cheiros da vida viva
melados pelas horas
deu-nos os Araçás, e as Amoras,
os Pequis com suas flores lindas...

E eu cavaleiro, audaz e leve,
volto meus dias pra Alegria,
como saudável rebeldia,

como inexatidão eterna e breve,
pra refazer-me em sintonia
com esta ternura em maestria...

domingo, 2 de setembro de 2018

Asas


Um tempo se abre sobre
asas, na Bússola orientadas
nas costas das venturas herdadas,
das agruras de que a vida nos cobre...

Um dia assisti sua volta,
sua vinda de asas colorida,
como um doce, uma ferida,
uma benção que à vida escolta.

Sobre este vento assarei Pinhões,
varrerei escaldos, e horizontes,
saberei de exatidões de longe,

e conhecerei barulhentos bordões,
claros e retumbantes,
eternamente em sons delirantes...

sábado, 1 de setembro de 2018

De noites, manhãs e peras


A hora do dia se aclara,
se veste de claro e voa
e, com qualquer ventinho à toa,
nos dá esta cor, que linda e rara...

A tez deste amor me apara,
me ignora e supera, me conduz,
feito ele sendo a chama que dá luz,
e água que apaga, da dor ignara...

E então sonho os colos doces,
as bocas úmidas, as formas
encantadoras nos coloridos que forma


com todos os seus tons e vozes,
com os suspiros e as têmperas,
as noites, as manhãs e as peras...