sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Abismo


O tempo mostra as marcas
no corpo de quem esta vivo!
É que a Morte carrega consigo,
não conseguir coisas parcas...

Eu me vento em ladeiras estranhas
e me surpreendo em vitrais
de belezas novas e ancestrais,
como algo me vindo das entranhas...

Nem sei se sobreviverei...
Talvez, só as ondas sobre o porto,
é que o tornem vivo ou morto

sem barcos que ancorarei,
mas cheio de Peixes e Mariscos:
a vida, com as cores do abismo...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Grande Ave

 
Uma grande Ave, voou
nos céus deste lugar
antes de tu chegar,
e eu, e meu avô que passou...

Morava era outra gente,
nestes lugares e matos,
e tudo foi tomando-se contato,
e se fazendo diferente...

E a Ave gigante observava,
e o dia todo voando,
nas infinitezas planando,
ela tudo anotava...

A Ave abençoada se foi,
e tudo que se soube com ela...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Presente


Um dia após o sequente
do dia anterior passado.
Assim é nosso tempo: contado,
pra que ignoremos o presente...

Um amor repõe o anterior,
como um jogo montado,
em que o sujeito é jogado,
em objeto sem valor...

Nosso jeito de viver, esquece,
que a beleza só se encontra, e tece,
pela vida do do embelezador...

E que esta vida é o que acontece,
na certeza que se desvanece,
neste nosso dia a dia arrasador...

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Tiradentes revisitado...


Eita, que então se viu,
a maldade abrir as asas,
a crueldade frequentar as casas,
pra se fazer um "novo Brasil"...

Sabe? Gente feliz com a prisão,
de pessoas e propostas,
à grandes injustiças, expostas,
em declarada exceção...

Quem lembra da conjuração
mineira, liberatória, nacionalista?
Quem morreu foi o "pião da pista"...

Aos doutores ricos: "Admoestação"...
Pros menos ricos, exílio...
Pro "tira-dentes", martírio...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Forma



Um canto central,
um vento no alento, tal,
que em mim movimento.

E é Eterno e Brutal,
como o bem é o melhor,
mas nem sempre sem dor,
de toda dor que há no mal...

Sei que me imagino vertendo
em um som tão velho,
em um som de sabor caramelo
e cheiro a tabaco perfumado

Uma velha forma de Viola
de 2 cordas, que uma
a outra a consola...

domingo, 9 de dezembro de 2018

Escaravelho


Sou um desconectante...
Alguém que se entrega,
chega, mede, pulsa, berra,
e está longe no seguinte instante...

Definitivamente insensato.
Como um Cordeiro brando,
que amigo de todos no bando,
é o escolhido pro assado...

Viajarei pelas minhas eternidades.
Como, além de viajeiro, cantante,
um vetor na eternidade frustrante,

pro alento que vem das idades,
e transmitido como um sonho velho,
um memorial zumbido de Escaravelho...

sábado, 8 de dezembro de 2018


Um almoço junta gente
tão separada, tão longe,
que nem imagina o que esconde
a história desta gente...

Um monte de mesas,
cadeiras, pessoas nelas,
falantes e singelas,
caladas e presas...

Mas falantes e tristes,
contando suas vidas,
pra não serem ouvidas,

como o que mantém em riste
o falo ereto da autoridade,
raiz de nossa triste realidade...