sábado, 5 de setembro de 2026

Rio escuro

 De dentro e sobre mim corre um antigo rio

de águas frias das dores que me passaram,

que ferem, ardem da frieza com que mataram

os sonhos que me fundaram, da bomba, o pavio...

 

Sinto tudo, cada simples coisa, como fosse eterna,

porque assim me dobram as costas ante o peso,

de parecer que o (meu) esforço merece desprezo,

 e a ferida fixa-se na cabeça, braços, tronco, pernas...

 

Sou todo uma força capaz de fortemente resistir,

mas também uma fragilidade que não brinca

com medo de acabar vendo em si uma trinca...

 

Sei que o eterno dará voltas além do meu existir 

e o tanto que é pequena, esta dor que sinto agora!

Por isso quero voltar a ver a luz sem mais demora! 

2 comentários: