terça-feira, 7 de agosto de 2012

O alento do vento

Quando o vento sopra dificuldades, amenidades e caminhos
Se abrem em meu peito esperanças como fossem flores
Como fossem vãos entre o que pareciam impenetráveis dores
Como fossem unguentos onde só pareciam haver espinhos

Porque o infinito quando faz o seu inaudito movimento
O faz como dança, festa, alegria, música, delícias e leveza
Bebe da água cristalina, come do alimento da beleza
E tudo isso faz pelo que sobre a terra conhecemos como vento

O ar que nos mantém vivos em seu bailado de alforria,
Que nos permite sonhar com o tempo em que a fartura
Será farta como o leite que a mãe oferece com candura

Ao filhinho que ela ama com a generosidade luzidia
Que a faz mãe, mulher que partilha conosco vida e sustento
E é como o ar que venta, como o Divino sopro, pra nós alento!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

De quando meu Paraíso me fartar...

O que era uma brisa suave, que quase não se notava
Se torna um tornado em linha reta voltado pra frente
Em que meu barco/existência que carrega tanta gente
Voa pro futuro, lugar onde meu coração estava

E está, voando a liberdade que nos apresenta a vida
Com a qual sonho e me permito aqui alto cantar
Como alto é o lugar onde deste meu sonho pousar
Como faz a andorinha, mestre da existência mais linda...

E eu, velho sonhador tenho que controlar meus arroubos
Pra seguir o caminho de chegar com cuidado ao que quero
Pra fazer o novo com o merecido e esperado esmero

Que fará com que minha vida me levante pra lá dos tombos
Que fui levando, merecido percalço no caminho de voar
Porque segui voando, na esperança deste meu Paraíso me fartar...

domingo, 5 de agosto de 2012

Recomeço

Em dias como este de hoje, penso
Que a razão de estarmos vivos, aqui
É aprendermos a recomeçar!

As vezes sou como uma biruta sem senso
Apontando contra o vento porque quis
Sem saber pra onde caminhar!

E mesmo assim, o chamado continua
Como uma revoada de andorinhas bailarinas
Como um piracema improvável, rio acima
Como a alegria que todos os dias toma a rua...

E como já cantei, quero nesta rede que aqui teço
Me apoiando em quem pode mais do que eu,
E bebendo da água da vida que do céu desceu,
Ter forças pra me refazer neste novo re-começo...

sábado, 4 de agosto de 2012

Certeza de ter vivido

Não existe força sem desejo,
Não é possível Paz sem peleja,
Não se ganha alegria sem beijos
Da mulher que por amor se deseja

Assim é a vida de nós, os que morremos,
Que passamos pela existência tantas vezes
E que aqui seguimos nossa toada de reses
Nesta boiada universal em que corremos

Rumo ao sonhado fim da imensa luta
Em que fomos colocados por nossa vida
Como peixes subindo o rio de sua lida

Como pássaros voando pela labuta
De um polo ao outro, o mundo corrido
Em que a força é a certeza de ter vivido

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O bem que se sente

O vazio que a vida pode ter, me assusta!
É sempre frio, recolhido, sisudo, calado
O espaço sem limites, ainda que limitado
Desta vida a nos mostrar o quanto custa

Das friezas e tristezas que o medo nos propõe
Nas correntezas que o vento cria e acompanha
Neste mar de fios que nossa vida emaranha
Do tecido a ser tecido, havendo quem se dispõe,

Porque tudo funciona mesmo como uma tela
Onde vamos pondo as cores de nossas escolhas:
"Chão onde plantas, terra que lavras, colheita que colhas"

E o quadro então funcionará também como vela
Enfunada da vontade de construir um tempo diferente
Rumo ao vazio pra construir o bem que, no ar, já se sente.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Dia a dia

A vida é uma tela sem letras, sem linhas,
Onde o texto de hoje está sempre por se ver
Tema, motivo, a costura que a tudo coser
Toda escrita que veio de onde tudo vinha

Do vazio que esta tela vazia inspira e cria
Pelo que de si representa na vida de agora,
Em que vasto e eternizado aqui, onde ainda vigora
O vigor que só experimenta quem constrói o dia.

À partir de alguma coisa que parecia-se com nada,
Que ao nada lembrava quando se olhando de perto,
E de longe nada lembrando, feito um caminho incerto,

Mas que se firma como o exercício da razão da jornada
E que exige fé que transcende a descrença nos apertos,
Que nosso Pai conosco estará, isto temos de certo!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Cresce dentro de mim.

Crescem ondas dentro de mim
Onde o mar as havia deixado
Nas distâncias sem fim do costado
Onde o mar é o velho mar sem fim.

Lá, onde infinito é gerado
Onde a Paz faz tudo que sim
Para o bem, de sentir-se enfim
Filho de quem criou o que foi criado.

E se por algum motivo, riso ou resultado
A mão que cria deixar de criar assim
Como a camélia deixasse de ser carmim

Eu voaria como um Urubú encantado
Que vê do alto a vida como fio de alecrim
Pavio de cheiro bom que cresce dentro de mim.