quarta-feira, 7 de maio de 2014

Do ar

Soprando, o tempo vai nos tornando,
De folhas verdes,
Em amarelas por dentro.

E a marcha dos dias,
Seu passo inscelente,
Faz a vida se assemelhar ao vento.

Que passa, esfria, agasalha de ar
Cobre de fogo a brasa sob a madeira,
Canta na Flauta, Viola ao redor da fogueira!
É a força de tudo se fazendo ventar.

Está na serpentina que sai da lareira,
Lareira que é lar ao redor do fogo
Onde o ar projeta o mais belo, o novo,
E minha vida vem se ventando inteira.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Nova idade

O sal brota da terra.
O doce nasce do trabalho na terra.
A água, a terra atravessa,
A luz nem chega na terra espessa...

Meu coração de vento,
Por vezes pesa 
Que nem terra grossa,
E me torna lentos os pensamentos...

Sou feito do ar que queima,
Da perpetuidade
Da inexatidão das saudades,

Da candura que inda teima!
Apesar de tanto alarde!
A partir desta, nova idade...

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Esta vida

Neste lindo dia de maio,
De ventos frescos e secos.

Nas ladeiras de onde não caio,
Das telas que tenho pra meus afrescos,

Das casas onde castas se apinham,
Das cestas em que as cebolas espiam,
Das idades onde as castidades murmuram
Das vazias verdades que nos importunam.

Neste lindo dia de maio,
O vento parece limpar os medos.

Confiança pra que os rumos vistos de soslaio,
Sintam seus prumos criando enredos.

E se nas asas de meus voos me solto,
Nas eternidades dos vazios pr'onde volto,
Hei de encontrar-me, como a tudo sempre,
Eu, homem nascido em seu próprio ventre.

Nestas palavras deste azulado maio,
Que só em suas folhas verdes me vejo,

E ventando sonhos deslizo delirante desmaio,
E canto Loas de Amor, dor, Desejo...

Viva este maio de meus antepassados.
Viva esta vida que em meu seguir, bebo, canto, beijo...

domingo, 4 de maio de 2014

Grande

O infinitamente belo se lambe e leva,
Eleva o passo num desencontro sincopado,
Como o passeio do laço, nó no ar voado,
Que prende e traz, faz o ser soar a queda,

E um breve sopro de vida que no mar da beleza nada,
É tão puramente belo que se desprende e voa,
Evoé! Evoca a certamente séria canção que destoa,
E se toca em instrumentos enquanto é desenhada,

A própria vida, a leveza que nos trouxe e volta
Conosco pro lugar de onde todos viemos,
Como barcos neste lago de viver, vivemos,

Sabendo que será chegada a hora da volta,
A hora da ida, que há de trazer a quietude,
Belo silêncio cantante, como toda de Deus atitude.

sábado, 3 de maio de 2014

Mar de criação



As palavras, pequeninas e aventureiras
Como um ser unicelular, uma pequena planta,
Pode se perceber, e ao oceano em que se planta,
Soltas nas marés das águas de todas as maneiras.

Velhas palavras, encontradas no balanço,
Da maré, pra lá, pra cá, subindo e descendo,
Se encontram as vezes sem estar querendo,
Fazendo a branca bandeira da onda se crispando...

Ali, o além se troca com aqui, e geram aquém,
E os sentidos vão por caminhos inéditos,
Ele mesmo, de quem não se publicou créditos,

Estes então, acreditares, altares de vai e vem,
Vinhedos de grapas verdes, castas e castanhas,
As palavras criam todas as castas desde as entranhas.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Vagalhão na praia.



Os extremos me habitam,
Lava sob a montanha de neve.
Onde o espírito soa longe leve,
Samba a sede dos que palpitam,

Como o Sol, soberano infinito,
Do finito que sonhamos contemplar
De cantar Benditos, Loas, Marujar,
De catar nas crôas mariscos e mosquitos,

Então, eu, passarim de ares antigos,
De ares de tempos de antes,
De antes, instantes e mais sextantes,

Nas Naus de nós, cordames testigos,
Das viagens sem mais, desbravando quadrantes,
E depois, sempre, antes, meus extremos conflitantes.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Calor de gente



Se, o barulho confunde as ideias,
Meias, inteiras, desprendidas, soldadas,
Esbaforidas, apaziguantes, revoltadas,
(A música as enlaça em soltas teias...)

Velhas e sempre inovadoras, as muitas
Vidas em cada vida, no dia
Na falta e na sobra, dor, prazer, alegria,
(Coral de vibrações por vezes doloridas...)

Por tantas vezes sentidas como alento,
Como este dia de Sol quente
(Depois do frio da noite, Ele me abrace e acalente...)

Ou sentir sem pressa o perfume do vento,
Que em meu peito a brasa da vida re-acende,

(Aí eu canto, passarim movido à calor de gente...)