quinta-feira, 7 de agosto de 2014

De seguir

E o dia se amanheceu de estrelas,
de sonhos sem sombras, sem males,
sem conchas e escamas, só acalantares,
só pensamentantes instantes abertas velas...

E eu, e cada ser, em si, capaz de sê-las,
como o vento que é todo em todo instante,
como o mar que rebojos e caleidoscopiante,
como o Cerrado das noites cheias de estrelas.

E estrelas, nas veredas onde onças bebem água,
onde os poços, e a passarada, e o rio lá longe,
e o cachorrinho, e o menininho e seu esconde, esconde,

onde muito mais estrelas do que velhas mágoas,
mais amor e belezas que seguir construindo,
que o dia amanheceu de estrelas de ir seguindo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Só pareço, não caio!

Um gosto acinzentado, como um cigarro,
que ficasse só o resto da fumaça,
e o óleo na água que sobe da poça,
e molha meus pés, até o extremo bizarro,

até meus pés sentirem o frio da vida que vai,
da água que se dá, em nós que passamos a sê-la,
um dia, uma tarde, a noite apenas e então vê-la,
e não ver mais nada, que aquela tarde se cai...

pois aquela tarde, que antes de tudo se passar, ia,
e nas voltas das minúcias, e tantas astúcias,
ebulitivas tertúlias, tártaros e terçantes agulhas,

e mais que ainda amargasse eu agradeceria!
Vale a vida com seus desmestrados soslaios,
Viva este Jongo, nego, que só pareço, não caio!

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Por onde vou

Canto de perdiz, Nhambu algorítmeia,
um Cravo, Xilofones, um canto sem voz,
um pássaro perdido e achado à sós,
em uma vereda de alguma Lua cheia.

Minha Viola mais cedo me presenteou,
com uma sentida lida de chamar a Paz,
pra onde esteja este que sonha que a faz,
que sonha que a beija, no que seu canto soou,

no que seu canto almeja flores e impensabimentos,
como o algoritmo que canta no canto Nhambu
como o colorido da Saíra, a elegância do Urubu,

a observância da Corujinha que vela os pensamentos,
durante o dia de observação, a Luz do Sol,
a sombra da madrugada, o frio e o amor por onde vou...

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Nascitura

Este mar de ar, onde inadvertido, navego,
as vezes sucede à torrente quente de água,
o vazio sem lugar, cainte, só medo e mágoa,
e quase o infinito quando do finito me desapego.

E um só que dói onde pode, onde pega,
como a ponta de uma chibata de que nem posso,
nem quero desfalar deste direito que esboço,
e saco deste poço que minhas angústias, são cegas.

O novo é o destino certo deste incerto itinerário,
feito um ovo que sempre se nascesse,
e se morresse, e na infinitude crescesse

e em cada rosa um amor sonhado e legendário,
sincrético e absoluto, astuto cantante e puro,
impuro se arrastando, desarestando no chão duro.

domingo, 3 de agosto de 2014

Gente junta


A grande grade, gente que arde,
entre si, nós todos nos encontros,
nós se fazendo e desfazendo, pontos,
pranto e alegria sem fim de tarde,

sem claro alarde, sem sobra, sem vícios,
e com todos os ardores, claros rubores,
inóspitos Neros incendiados de amores,
sem passo, lance de panos e artifícios,

onde nos encontramos, mares e ganhos,
praias e cantos e pedras e gentis areias,
e avançados cantos de inusitadas sereias...

Eu mesmo um cantar em que me barganho,
em que me apanho, tantas vezes entre amigos,
caminhantes todos neste nosso caminho antigo.

sábado, 2 de agosto de 2014

Destinos do carinho

O carinho tem caminhos estranhos,
espinhos e tangos, e brotos, e limbos,
musgos de muitas cores, flores nos cachimbos,
jardins em antigas gaiolas, cumbucas de banho,
onde já se refrescaram passarinhos presos,
onde já cantaram da dor das grades/peso,

mas o carinho dá de si muito mais,
e sempre tem, porque energia não se gera,
se capta, se apura do ar, é o salto de fera,
é a gira da terra, o movimento dos sais,
que na água se depositam e se lançam à terra,
e da terra seus fluidos, seus escudos de serras...

O carinho abre portas de alpendres,
abre estreitas passagens onde antes
apenas a maldade em um passado distante
cantasse das histórias que nascem com os ventres,
que se rompem em eventos de dor e de graça,
e amor e caminho, de uma fartura que nunca passa.

O carinho dá venturas de voltas numa estrada,
aventuras de soltas almas em busca de mais,
em pedindo a alegria que só pode nos dar a Paz,
que é irmã do menino carinho, ela irmã bem-amada,
deste pequeno menino, com a força de gentis titãs,
celebrados nas imensidões do céu das miudezas anãs.

Marginais e lindos


































E o vento era só uma sensação,
distante, de longe memória.

Eu era água, e não era,
e era madeira,
era grama na encosta,
Gerânios na ribanceira.

E o calor do dia produzia doçuras em mim.

E a madrugada acumulava lágrimas,
tanta era a beleza da fugacidade eterna,
que então meu despertar e dormir, e as páginas
eram escritas nas pétalas escandalosas das Primaveras,

nas libidinosas partes dos Hibiscos.

E por eles, marginais e lindos,
hoje eu me desenho de have-los, e os visto.