quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O perfume da vida


O perfume da vida se sente,
na cama limpa, na pele lavada,
no amor que faz vencer escadas,
repensar o dia na frente da comida quente...

Da bebida fria, da bebida morna,
e o cheiro do Hortelã e do Limão,
do Gengibre, da Canela, Açafrão,
da fruta batida que em água se torna...

O perfume da vida emana de cada,
das imaginativas conversas dos pequenos,
com os animais, com o que vemos e não vemos,

da esperança de que mais lindas estradas,
virão pelos caminhos em aromas serenos,
deste perfume da vida, que contudo, queremos.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Zumbe uma mosca


Zumbe uma mosca, provavelmente antiga,
como os tempos de tanto tempo atrás,
que, tanto faz, nem existe, pois sempre mais,
cada um quer saber de sua própria cantiga.

Cada um de nós quer saber de seu pirão,
dos caroços da farinha que em seu prato,
tanta existência ambígua, no sentido lato
no sentido antônimo, autônomo ao rés do chão.

E zumbe a mosca de forças e envergaduras,
firme em seu voo de pequenezas e infinitudes,
grande destreza, velocidade que ilude,

pela ligeireza das asas, mas a realidade dura,
é que a mosca chega porque fazemos açudes,
de água só pra nós, e que ninguém se ajude!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Cada palavra

E o canto espremido das horas,
feito o sumo das vinhas,
fronte ao estúrdio das provas
das novas e velhas quinquilharias
com que cada um renova seu guarda-roupas
onde guarda, cada um, as poucas
recordações de suas perdidas horas...

E como farei pra medir se estão belas as palavras?
Cada palavra que aqui se dá, veio de veios,
onde fluem em um rio de sentidos e meios,
e se encapelam em fortes, pastos de cabras,
voos pelo desmantelo, e certezas que não se acabam,
e firmezas que se fraquejam, e belezas que vem do feio,
e feiuras eternas que se desfazendo, do meio de tudo desabam...

Como que faço pra saber,
se o que escrevo é por si,
ou se precisa de um labor,
um tecer em que a agulha, em si,
pareça ela mesma nem perceber,
ou se atinar, ou dar valor...

Meus sucos escorrem no que escrevo.

Só isso.

Por isso, nem a Poeta me atrevo.

Nem por isso, da Poesia me esqueço.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Toda prova

E toda a vindoura prova,
a dádiva inscrita nas lidas
do dia, da espera da vida,
naquele não ser que nos renova.

E toda esplendor da essência
se espaventa, na decadência?

E todo glamour singelo d'Aurora?
Na vida desprovida de contorno, dentro e fora?

Eu só caminhava porque a estrada pedia,
porque o caminho mandava,
e manda pra quem inda escutava,

e escuta, labuta a labuta de todo dia,
e ao caminho se atirava, e se atira,
que cada prova dá, e dava, e nos vira!

domingo, 10 de agosto de 2014

Tempo

Eu não perco tempo em crer em fantasmas,
ou, Deus, no que por si em escondiduras,
nas barrancas do nada em coloridas urdiduras,
creio antes na crença, e sua força, e suas armas.

Eu não perco tempo em acreditar que o que nos deu,
nos tivesse dado como quem dá nada,
como quem atravessa o mar em remadas,
e diz que vazou e o mar nem lambeu?

Sabe, senhor, eu vagueio ond' tem muito maruio,
muita mairobância, discrepância e arrelia,
e lambança se manta e solta, e cobre as dinastias,

e o senhor sabe, sabido este senhor sem embruios,
que o senhor se mostrou, se mostra cada dia,
cada hora que o incestrâncio cravejou na Poesia.

sábado, 9 de agosto de 2014

Ciranda Nova

Bordado de Aldinéia
Uma Ciranda nova,
nós hemos de cantar...
Uma Ciranda nova,
pra toda gente dançar,
de mãos dadas
a Ciranda nos ensina
que é preciso caminhar.

De mãos dadas caminhar,
viva a Ciranda
que nos pode ensinar,
de mãos dadas caminhar...

Uma Ciranda Nova
nós viemos aqui cantar
uma Ciranda Nova
meu senhor
minha senhora
nós viemos ensinar!

Aprender e ensinar
e de mãos dadas dançar...
Aprender e ensinar
de mãos dadas caminhar...

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Que rei?

Que rei seria eu,
se não me permitisse ser grandioso?
Ser generoso,
ser dadivoso,
ser temperado?

Que rei, entre tantos reis, enganado?

Cada ser por si é rei de seu próprio legado.

Cada pedra e bicho, tempo e losna, e boldo tomado?

Cada!

Cada hemisfério em cada tempo visitado?

Cada!

Que rei seria eu,
se não me permitisse saber deste meu virtuoso,
inóspito e eternamente grandioso
laborioso,
gracioso,
e imenso reinado?