domingo, 7 de junho de 2015

Crescer


 


Me vi, enfim
 
como um raso
 
vaso de alecrins,
 
e não fosse o ocaso,

 
pintando o céu de carmim
 
dando ao dia prazo,
 
e à noite seu festim,
 
me mudaria, se fosse o caso?

 
Então, pra que me vejo?
 
Que busco ao me ver,
 
onde encontro meu nascer,

 
se esqueço porque pelejo,
 
se não me lembro de saber,
 
que o espirito é pra crescer?


sábado, 6 de junho de 2015

Eu e os momentos: Elementos




Vento,
assim sucedo sendo
mares de capim
ventando sem fim
por dentro...

Água,
escorrendo lavava,
e abrandava os carmins
me regava os jardins,
inventava...

Madeira,
Viola encostada na cadeira,
Clarineta e Bandolim,
Oboé e Tamborim,
tábua linheira...

Terra,
a vida chega e berra,
no filhote de Guaxinim,
Bezerro, Tisiu, Chupim,
Beira-mar, alto da Serra....

Fogo,
o mais gentil dos socos,
etérea energia assim,
queimando, nós, e em mim
nunca muito ou pouco...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O calor



Eu nada ainda,
e o lugar já tudo,
já a bossa, o Surdo,
da Bateria, na lida...

E o lugar já me habita,
como todo lugar,
onde os olhos pousar,
nesta vida.

E em todo lugar,
que meu canto
doce espanto,

eu seguir, e cantar,
sem pesar nem temor,
apenas o calor.


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Gás Poético




Cantigas se soltam,
gás, inerte e reativa,
a morte e a vida viva,
e tudo onde todos olham...

A Poesia que me verte,
verde, o viver segue,
rumos, ramos carregue
este viver, por ela, pede...

Este meu viver só
canta Poemas,
porque tanto e apenas,

e vagabundo, feito de pó,
de água, e lama, e pequenas
e infinitudes extremas.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Dançando nos trilhos


 









O ar me etérea,
feito a nuvem séria,
como bailar.

E se, bailarina velha,
se dançante lírico,
barbante que se assemelha,
ao eterno físico.

Que é fugaz, mas que dança...

E eu danço em meus trilhos...

terça-feira, 2 de junho de 2015

Manhãs


















Carros correm,
além do sensato,
da corrida o ato,
muitos morrem.

Assaltos assustam,
e os feridos sangram,
e a si mesmo culpam,
e os carros ocupam,

e sujam, e cobrem,
e nas valas entalam,
de gentes que exalam

suspiros badalam
e folhas orvalham

manhãs.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Que voou


Fervilha a existência,
no que cria,
e re-cria,
e se expressa na aparência.

Fervilha cada qual
no que espanta,
e a nós encanta,
neste oceano abissal

nestes mares de velas,
nestas horas serenas,
de cantigas antigas,

eu, pintado em aquarelas,
agora estou,
amanhã, passarinho que voou...