domingo, 14 de junho de 2015

Orvalho em sereno




O vento soa parado,
seu calor no Sol,
seu luminoso paiol
guarda Luz ao ter dado.

As partículas - fótons ,
da Luz filamentos
infantes rebentos,
saídos da prisão dos tons,

e soando em esquinas,
neste mundo redondo,
em que penso que escondo,

mas nas velhas ruínas,
do que sido, um dia, seremos,
de novo orvalho caído em sereno...

sábado, 13 de junho de 2015

Mestre dos Passarinhos




Havia, e há, 
um Mestre dos Passarinhos.
Ser este, que de cada biquinho,
sabia e sabe falar.

Ele andava
montado por Bem-te-vis,
Canários e Colibris,
quase voava...

Sua tez era escura,
de tanta claridade do Sol,
gritava lindo o Rouxinol,

seus cabelos eram duros,
de tanta maciez da água,
tanto o Amor que d'Ele brotava...

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Eu e ti




Eu e ti,
ventos ventando
sopros, soprando,
velas ao mar...

Onda na
pedra batendo
molda rochedos
beira do mar...

E o barco é safo, e só!

É eu e tu, em nós...

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Aberrações nos minaretes





Carimbamos a vida?
Isto tudo que chamamos
produção, nossa ralada lida, 
é nada senão barro de que nos melamos?

E por aqui mesmo
nos maltratamos
e as mãos nos damos,
ladeiras à esmo?...

Qual o real sentido
desta nossa atrevida
experiência, ciência enxerida?

Ainda ouço os alaridos,
dos falsos sábios em seus falsetes,
berrando aberrações de seus minaretes...

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Linda flor, em outro jeito

Pra linda flor, Suelene, que voou

Uma flor,
destas que de miudinhas,
se agigantam,
voou passarinha,
nos deixou,
pra entrar no jardim do Senhor...

E onde houver
verdes campinas,
seu canto de linda menina,
ela em flor,
fará quem por lá,
colher...

Em mim, em nós,
uma saudade nó,
que amarra o peito,
e te solta, pra ser
linda flor, em outro jeito...

terça-feira, 9 de junho de 2015

Melhor diverso




E a sombra,
e a penumbra
destas horas,
vácuas e bambas,
são efemérides/bolas,
dos inícios de toda espécie...

Vagueamos, feito tontos,
inventando canoas,
pra fugir da dor dos arrecifes.
E pra elas cantamos loas,
enfunando os peitos feito pombos...

Se tivéssemos imitado do pombo
a vocação de avoação....
Resolvemos antes trazer no lombo,
arrulhamento sem razão...

Voemos então pelas matinas do Universo.
Em tudo noite,
em cada estrela uma centelha,
do infinitamente nada, dia, dia, história  velha,
que nos repete um sabor de azeite,
e nos inventa um melhor diverso...

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Do que aparenta ser sempre

 















O mar de frente
estrela e vento,
e Sol, estrada adentro,
e vento quente,

e folhas-coqueiros,
trechos de floresta,
do que ainda resta,
dos matos, já não inteiros,

mas o mar, adiante
rufa, das ondas distantes
que maré baixa, ou cheia,
vem quebrar na areia...