sábado, 21 de novembro de 2015

Vagas espetaculares


Em minhas praias,
há frio, há medo,
há a alegria do enredo,
de buscar outra praia,

nestes meus tantos mares,
digo que um barco iria,
suas velas levantaria,
só pelo prazer dos novos ares,

das novas cores e alegrias
das tristezas de nova cor
de vinhos de outro sabor,

de pratas, ouros e especiarias,
porque, nestes meus cruzares,
me perco entre vagas espetaculares...

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Na hora


Se fosse sempre,
se cantasse quando
e diante do espanto
de corar me erguesse...

Se houvesse júbilo,
e se o perjúrio
nunca mais espúrio,
fosse enfim nulo,

e de mim, só restou,
um avanço de rota,
uma perna "meiquitorta",

mas que o chute acertou,
e nas horas do agora,
firme, acertará, na hora!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Pelo fim da agonia


Cada pão
tem o gosto do aço
o peito, e o choro,
e uma aflição,
que pediria abraço,
pediria namoro...

Tão raro,
o ser se encontrar
com o que veio fazer,
seu presente caro...

No mais a pessoa 
é forçada a acreditar
que o que ela pode dar
(tem sempre que soar)
no lugar triste, onde ela sua...

E eu aqui ouso, já ver,
este tempo de cada flor,
colorir onde havia dor,
e cada um poder, só ser,

pra chegarmos juntos ao dia
em que o prazer, não o pavor,
traga na labuta a festa e o calor,
e não mais a dolorida agonia. 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O céu que cantam as trovas


Mulheres negras em marcha neste dia












Hoje marcaram
e hoje marcham,
e marcharam mulheres!

Pés pequeninos,
sempre tão fortes,
seu passo marcam.

Estes pés pretos,
que o caminho cortam
mulheres transportam
pra um novo tempo,

em que ainda veremos
e saborearemos,
e nas águas novas
o céu que cantam as trovas...

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Minúscula imensidão

Artesanato Iraniano

Então me virei,
e o que vi,
e chorei, e nem cri
e em tudo notei,

que estava eu
em todo assistido,
participado e vivido,
um sequente apogeu

com um final des-seguido,
assustado e ferido
na escuridão.

Um des-corpo sentido,
futuro e passado perdidos,
minúscula imensidão.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Lampejos


A peleja pulsa,
o dia
pula pra lá, pra cá,
alegria e repulsa...
Então, cantar!

Ainda bem cantar,
o que ainda por tecer
a manhã, o quente arder
da tarde, o anoitecer, luar...

Tudo é matéria,
e nada cala.
E se a sombra é etérea,
seu contorno fala.


Lampejam em mim
confetes do banquete,
da festa e dos foguetes,
de saber, enfim...

domingo, 15 de novembro de 2015

Manhã de chuva


Canta seu João,
lembrando que o canto,
nestes nossos cantos,
é o caminho são,

o caminho da alegria,
que da casa alegre,
canta a resposta leve,
a linda dona Joaninha.

E de lá, um Sabiá,
atalha um canto grave,
um alarido que cabe,

desde o galho do Jatobá,
ao reverberinho da chuva,
que a nós todos lava.