segunda-feira, 14 de setembro de 2015

As cores da obra


Folhas caem
em sinfonia
com as arrelias
que cores tecem...

Pássaros passam
nas grades pousam
e no ar ousam
(o que) desejos sonham...

Inda assim
sento e vejo,
que de lampejo,

voo sem fim,
em cada manobra,
nas cores da obra.

domingo, 13 de setembro de 2015

Loas que se chora


Sempre via,
cantava e alardeava
as cores com que o dia
a cada dia brindava.

E em mim mesmo
o brinde atônito
com poder atômico
mínimo, força à esmo...

Emergia e cantava,
o som de tudo na borda
no centro que transborda,

e a energia que me colorava
me animava a toda hora,
cantando as loas que se chora...

sábado, 12 de setembro de 2015

Dos enredos.


Coberto de pó,
estrada por cima,
por baixo a sina,
passo, passo, e só.

O caminho alonga
o percorrido trilho
e vazado o exílio,
na volta, as sombras

que nos assombram
desde a vinda
de cada um à vida,

de fato não contam.
Maior que os medos,
o seguir, seus enredos...

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Mansidão


No princípio
o caos
o bem
o mal.

O bem
de novo
fez o ovo
e o que vem.

O mal
fez viagem
ida e voltagem

mas, tal
é a dimensão
tudo mansidão.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Do pensamento


Era simples,
e praiano,
e pra lá das horas,
e todos os planos,

só apontavam agora
e mostravam garras,
e cantavam glórias,
e soltavam amarras,

e o barquinho seguiu
onda trás onda,
vento trás vento,

e o novo surgiu,
Sol que desponta
do pensamento.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

As pretas e a água

Debret: Negra tatuada vendendo cajus, 1827

A rampa do bica,
do poço, neste sonho,
a pretinha de olho tristonho
carregando água e cantiga...

Vergonha repetida,
como normal, criança
preta desesperança,
desde nova sua lida...

E o desdém, e a ferida,
não fera só a menina,
fere o tempo e nossa sina,

e a bonita rampa, sentida,
mais que água traz,
o que havemos de nunca mais...

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Candieiro


Candieiros
levaram a fogueira
onde nunca antes..

Pirilampos festeiros,
a luz pequena inteira
agora caminhante.


Nossa história revela
que nos defendemos
do que não sabemos
e nomeamos treva.

Armas de mão
lamparinas de liberdade
pros caminhos claridade,
a amenizar a escuridão.