sábado, 7 de novembro de 2015

Do céu estrelado

















Vazante e vasto,
instantâneo e nulo,
pupa e casulo
num só arrasto,

numa mesma lida,
ventada a tantos anos,
quando nem mais planos,
já se lançavam na vida,

de lá, vou me lançando.
Foguete destas estrelas
que me habitam de vê-las,

e ser o barco que tripulando,
navegar céus de alegria,
hoje, amanhã, todo dia...
 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Mistérios


O canto achou meios,
e o rio uns voares,
e a montanha, fluíres,
e o que tudo suporta, esteios...

E então, pude me fazer
o que me ventei e trouxe,
como um menino e seu doce,
como um destino a verter

e nas encostas da dor,
cantei meus verbérios
e desdisse impropérios,

como quem, navegador,
rio, risse, se me pedem sério,
saúdo a vida, e seus mistérios.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Vá se lamber


Saberia dizer
     se a arte
           tem que
                vender,
pra crescer,
        ou o
           contrário,
  (se você inverter)?


              Saberia tecer,
                 ou compor,
          e neles tudo por
   que nada te quer dizer?


          Sabe se lamber?

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Agora


Num passado canto,
me encanto, peço e laço
e faço deste cansaço
o corpo novo do espanto.

E se vou, é porque visto,
porque insisto no texto,
e pra lá dos contextos,
acordo, aprendo, imprimo.

Então, ventar é o passo.
Pra onde se pensa,
que nem vento tem... Pensa?,
e viajar muito além do vaso

que tem me contido,
e como brandisse latidos,
me contento.

E de dentro do mais fora,
gritarei minhas forras,
e esporei minha sina, agora.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

na Paz


A guerra,
crua, suja,
sumarenta,
acontece em nossa terra,
e a tudo, em cuja,
existência se apresenta,
arrebenta.

A guerra,
Ananás de veneno,
seduz o coração pequeno,
e a todos des-terra.

Se há algum sonho,
que sonhe,
que me des-consome,
e constrói,
é que isto, que tanto dói,
seja só um lembrar bisonho.

E que por todo mundo,
antes de qualquer mais,
se entenda o partilhar fecundo,
que nasce e cresce na Paz.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Só


Em cada cantinho
me faço e fazia
em desenho
e Poesia.


Em cada pintura
me canto e cantava
em alegria pura
ou Liturgia ignava 


E do pó colorido que me deu Jasmins
                          sobrou só,
                            eu    e    o     fim.

domingo, 1 de novembro de 2015

Sambando


Caramba!,
gritou o menino,
vasto, miúdo, fino,
e se fez o Samba.

E a Semba,
a festa da massa,
de cada um e casa,
caminhantes na senda,

sombra e sentido.
E da rua,
santa e crua
toda cria sentindo

a liberdade nua,
ninguém se amua, sambando.